Leco quer organizadas e clubes próximos; rivais focam em punição

Na manhã desta terça-feira, o Congresso Brasileiro de Direito Desportivo, realizado pela Federação Paulista de Futebol na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na Universidade de São Paulo, reuniu os quatro presidentes dos grandes clubes paulistas. E o que se viu foi Carlos Augusto de Barros e Silva, o mandatário do São Paulo, incentivar a aproximação com as torcidas organizadas, enquanto seus rivais preferiram focar na punição.

O Tricolor, em 2017, aproximou-se tanto dos organizados que teve duas conversas com um grupo deles no CT, com a diretoria incluída e até jogadores. No domingo, antes do jogo contra o Bahia, o último de Lugano no clube, o campo do Morumbi foi aberto para que as uniformizadas entrassem com bandeiras, promovendo festa no gramado.

- A simples identificação do torcedor não é suficiente. Há um ano e meio, houve invasão no CT em que não cometeram agressões físicas de maior expressão, mas aconteceram ameaças, agravos, situações de muita tensão e muito desagradáveis. Hoje, o São Paulo vive uma experiência diferente porque conversou com organizadas e torcedores, abordando aspectos fundamentais e isso, certamente, contribuiu para que o comportamento e a atitude do torcedor se transformassem de ameaça em apoio. A torcida abraçou a equipe e foi fundamental para ela sair da situação em que se encontrava - disse Leco.

- É importante estabelecer punições, limites para a conduta ser melhor, e há avanço. Infelizmente, não total porque o comportamento grupal ilude integrantes deles porque qualquer coisa pode acobertar condutas que não são as mais adequadas. Mas conversamos com um grupo de torcedores há três meses e, novamente, na semana passada. E atesto que o resultado é expressivo e fundamental. Há uma redução significativa de situações de desrespeito - prosseguiu o mandatário do Tricolor.

Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, foi o único que falou mais diretamente de aproximação com organizados. Mas abriu o discurso cobrando identificação de criminosos e punição, foco tocado com mais firmeza por Roberto de Andrade, do Corinthians, e Maurício Galiotte, do Palmeiras.

- Temos de investir no reconhecimento facial dos torcedores. Não adianta gerar afastamento de clube de futebol e torcidas organizadas. Temos de reconhecer como torcida organizada, não como polo de bandidagem. Precisamos dividir muito bem o torcedor do infiltrado. Se você simplesmente se distancia, entrega a torcida organizada ao crime organizado. A questão é manter a torcida organizada perto e o crime organizado longe - opinou Modesto Roma.

- Há uma lei fraca, que não é seguida, porque não dá para identificar o torcedor. Enquanto não houver lei, seguirá assim. Mas, além das leis e da mão mais forte para quem comete delito, é necessário ver que, hoje, é muito fácil punir clube, que não tem poder de polícia nem de nada. Nosso evento é 100% dirigido por Polícia Militar e Ministério Público, não podemos incluir nada, eles ditam as regras. Se o evento já é assim, não sei por que clubes são responsáveis. Tem policiamento fazendo revista, entra sinalizador e quem paga conta é o clube? Então para que a polícia está lá? - indagou Roberto de Andrade.

- Precisamos ter leis eficientes, e o infrator ser punido. Se o infrator não for punido, vamos debater o dia todo e não chegar a lugar algum. A biometria tem controle de quem está no estádio, e também depende de lei para punir. Todas as torcidas, seja sócio-torcedor, familiar, organizado, todos têm de ser tratados perante à lei da mesma maneira. E não é problema do clube ver se o torcedor é de organizada, criminoso, A, B ou C. Que a leia sirva para todos. Temos de partir da punição a quem comete o crime - disse Mauricio Galiotte.

Em relação à proximidade das diretorias com suas torcidas organizadas, Corinthians e Palmeiras indicam um tratamento comum a todos, negando qualquer incentivo financeiro. O presidente do clube alvinegro, inclusive, afirma que conversa normalmente com qualquer um deles.

- Temos relacionamento com a torcida (organizada) como temos com qualquer torcedor. Se tiver de conversar, conversamos, sem problema nenhum. Isso não faz com que eu e o torcedor sejamos bandidos. Não damos nenhum incentivo financeiro, nunca demos - declarou Roberto de Andrade.

- Temos um tratamento único com absolutamente todos os torcedores, de maneira igual, seja familiar, sócio-torcedor, organizada. Todos cumprem a regra, pagam ingresso e são respeitados. Esperamos que todos se comportem adequadamente no estádio. Quando tem jogo fora de São Paulo, trazemos o ingresso para ser vendido aqui e todos os torcedores possam viajar já com o ingresso na mão. E, desde que o Paulo Nobre assumiu, em 2013, não há mais incentivo financeiro às organizadas - falou Maurício Galiotte.

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