Artilheiro na Inglaterra, Léo Bonatini busca acesso: 'Nosso maior objetivo'

Líder isolado da Championship, Segunda Divisão da Inglaterra, o Wolverhampton vem fazendo grande campanha na temporada. Além do feito no campeonato nacional, quase tirou o Manchester City da Copa da Liga Inglesa, perdendo apenas nos pênaltis. Um dos expoentes da equipe é o atacante Léo Bonatini, autor de 12 gols na atual temporada.

Revelado pelo Cruzeiro - onde pouco jogou - o brasileiro, de 23 anos, está emprestado pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, ao time inglês até junho de 2018. Em entrevista ao LANCE!, o jogador fala das dificuldades da Championship, os objetivos para a sequência da temporada, a experiência na base da Juventus e muito mais.

Você vem sendo um dos grandes nomes do Wolverhampton, que lidera a Championship. Como é atuar na Segunda Divisão Inglesa?

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Estou conseguindo ter um bom desempenho aqui no Wolves, mas não só eu, como o time todo. É um campeonato com muitos jogos, 48 no total, então é muito intenso, com duas partidas por semana, o que dificulta bastante a nossa sequência. Isso sem contar os jogos das copas nacionais, que aumenta ainda mais o desgaste físico. O nível dos jogadores é bom, os times são equilibrados, então é uma grande oportunidade para poder atuar na Championship, onde aprendo diariamente.

O que o difere dos outros campeonatos nos quais disputou?

Apesar de ser um campeonato de Segunda Divisão, a estrutura do futebol daqui me chamou muito a atenção. Coisas que não via tanto nas outras ligas onde atuei. Os estádios estão sempre cheios, os gramados em perfeitas condições, apesar do inverno, não pegamos nenhum campo onde fosse difícil praticar o futebol. Portanto, toda essa estrutura, atmosfera do jogo faz com que a gente se sinta à vontade para jogar um bom futebol.

O Wolves lidera com certa folga para o terceiro colocado (oito pontos), que disputa o playoff de acesso. Como vem sendo a pressão para levar o time de volta à elite?

Com certeza é uma boa vantagem que construímos no início do campeonato e que agora nos dá um conforto para entrar nos jogos que disputarmos. Porém, sabemos que oito pontos no futebol são tirados com muita facilidade. Não existe tanta pressão pois estamos correspondendo dentro de campo, e a gente tem entrado para jogar e fazer o nosso melhor. Vamos continuar entrando firme para continuar buscando as vitórias dentro de casa e sempre buscar pontuar quando for jogar como visitante também.

Como você imaginaria o seu time na Premier League? Daria para fazer uma campanha boa no principal torneio do país com o elenco que tem hoje?

É claro que o nosso objetivo é conquistar o acesso à Premier League, mas estamos concentrados em melhorar nosso desempenho na Championship, pensando jogo a jogo. A gente sabe que, apesar de sermos líder do campeonato, temos muitos jogos para melhorar, aprimorar o nosso estilo de jogo e, inclusive, essa fase de aprendizado na Championship pode fazer diferença caso a gente consiga o acesso à elite. Mas nossa cabeça está totalmente focada para fazer o melhor nos muitos jogos que ainda tem para acontecer na Segunda Divisão.

Já são 12 gols na Championship, atrás apenas de Clarke, do Sheffield United. Como vem sendo essa disputa? É uma de suas metas na temporada?

Como atacante, quero fazer o máximo de gols possível e ajudar os meus companheiros a marcar também. Não sou o tipo de jogador que fico pensando somente em mim, pois em todos os lugares por onde passei busquei olhar o elenco, que sempre foi o mais importante. O que me interessa é que o time vença seus jogos para conseguir o objetivo que é o acesso para a Primeira Divisão. O segredo do nosso time é que ninguém tem o ego maior que o outro, todos jogam juntos, em prol do mesmo objetivo e é assim que vamos até o final da temporada.

São sete portugueses no elenco, além do técnico Nuno Espírito Santo. Facilita ter companheiros no elenco que falam a mesma língua?

Com certeza, para a adaptação, é muito mais fácil ter pessoas que falam a sua língua no seu dia a dia. Inclusive o treinador, com quem posso trocar mais idéias, informações mais individuais. Porém, eu também falo inglês e as pessoas locais me receberam muito bem desde que cheguei ao clube, o que me deixa feliz e com vontade de permanecer por um bom tempo.

Nuno Espírito Santo treinou o Porto na última temporada e o viu atuando pelo Estoril. A sua chegada aos Wolves tem o dedo do treinador? Como é a sua relação com ele?

O Nuno me conhece desde a época em que joguei em Portugal, inclusive contra o time dele, e é uma relação muito boa a que temos. É um treinador experiente, com bons trabalhos, então, além de a gente falar a mesma língua, é um técnico que deixa o elenco super à vontade para jogar dentro de campo. No dia a dia, ele nos passa as informações necessárias sobre nosso próximo adversário, mostrando que sabe muito bem o que faz com o grupo, e estou muito feliz de poder ter essa oportunidade de trabalhar com ele.

Você está emprestado pelo Al Hilal ao Wolverhampton até junho de 2018. Já foi procurado pelo seu time para estender o vínculo? Como estão as negociações?

Confesso que não estou muito preocupado com essa situação, pois o meu contrato vai até o final da temporada e eu tenho total confiança nos meus empresários, que cuidam disso para mim. Eu sempre falo que quero estar focado para jogar, fazer gols, e deixo isso nas mãos deles, pois sei que farão o melhor para mim. O meu objetivo é ajudar o Wolves a subir para a Primeira Divisão e, se possível, com o título. Depois disso, vamos sentar e conversar, mas sempre deixei claro que quero permanecer no clube e vou ficar muito feliz se isso se concretizar.

Pretende continuar no futebol inglês pelo Wolverhampton ou tem planos para pegar um time com mais tradição na Inglaterra ou em outro país europeu?

Estou muito feliz aqui e quero continuar no Wolverhampton. O clube foi muito importante para mim, eu tive a certeza de que fiz a escolha certa e eu encontrei novamente o meu futebol. É um futebol que eu me adaptei muito rápido, os meus companheiros me ajudaram muito e espero que a minha permanência no Wolves se concretize ao fim da temporada.

Você foi revelado pelo Cruzeiro, mas pouco atuou pela Raposa. Por que não foi aproveitado no clube brasileiro?

Sou muito grato ao Cruzeiro, agradeço muito pelo tempo que passei lá. O Bruno Vicintin, que eu já vi tantas pessoas criticarem, foi uma das pessoas, talvez a principal, que fizeram de tudo e mais um pouco para que eu continuasse no clube. Ele é um cara que me ajudou muito, quando eu estava na base, então ele sabe de tudo o que ele fez e sou muito grato por tudo. Não fiquei porque o futebol é assim, dinâmico, e eu queria ter ficado, mas não aconteceu. Não existe mágoa, nada disso. Tenho uma boa relação com pessoas que ainda estão lá e só posso agradecer por todos os momentos que passei por lá.

Você também passagem pela base da Juventus. Como foi essa experiência? O que faltou para ficar no futebol italiano?

Foi uma passagem rápida, de uma temporada na Itália, em um momento da minha vida que eu acreditei que estivesse pronto para poder encarar um novo desafio. Porém eu ainda era muito novo para sair de casa e assumir esse risco, mas também aprendemos com os erros. Apesar disso, tiro coisas muito positivas desse período, pois aprendi uma nova cultura, a jogar taticamente, sem a bola, e tenho certeza que mesmo não tendo jogado lá, foi um momento muito importante para a formação da minha carreira.

No Estoril, você ficou conhecido no futebol europeu, com muitos gols em duas temporadas. Por que você preferiu trocar a Europa pelo Al Hilal? O que o motivou? A mudança foi boa para você?

Muito se falava de interesse de vários clubes, e de fato houve uma sondagem de grandes clubes europeus, mas a primeira proposta oficial que tive em mãos foi do Al Hilal. Foi uma proposta boa para mim, financeiramente e em termos de desafios, pois o clube tinha um projeto de voltar a ser campeão da Ásia e nacional, então foi muito atrativo para mim. Consegui ser artilheiro do clube na temporada, na liga nacional que conquistamos após seis anos, conquistamos também a Copa da Arábia. Então, às vezes, as pessoas criticam muito a ida de jogadores para esses países, mas sem razão. Fui muito feliz no tempo que passei por lá.

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