Leila rejeita "bom e barato" e diz: "Pressão não prejudica, estimula"

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Leila Pereira dá de ombros para quem diz que ela gastou em vão em 2017. Além do valor fixo de patrocínio (R$ 72 milhões), a Crefisa e a Faculdade das Américas aportaram quase R$ 110 milhões para contratar jogadores nesta temporada e colaboram mensalmente com R$ 200 mil para auxiliar no pagamento dos salários de Borja. Os títulos não vieram, mas ela diz que o balanço está longe de ser negativo.

"Eu não acredito no bom e barato. Para você ter um time forte, você precisa de investimento. Nós tomamos as melhores decisões, e não foi dinheiro jogado fora. O ativo está lá no clube, os jogadores são do clube. Nem sempre o vencedor é quem tem o melhor elenco. Desse jeito seria fácil, era só colocar um caminhão de dinheiro e levar o título, mas a graça do futebol é o imponderável. O Palmeiras, querendo ou não, esteve para cima o ano inteiro. Falou-se no Palmeiras o ano inteiro. O Palmeiras é uma grife, e eu gosto disso", disse.

Na semana passada, Leila recebeu a reportagem do LANCE! para quase duas horas de conversa na sede da Crefisa, em São Paulo. A entrevista será publicada em duas partes. Nesta primeira, o foco é para a "Leila patrocinadora", com assuntos que envolvem especificamente o futebol do Palmeiras. Na segunda metade, que irá ao ar nos próximos dias, o foco estará na "Leila conselheira", com temas sobre o clube social e a política alviverde - inclusive o desejo dela de se candidatar à presidência.

Em 2017, a Crefisa bancou as contratações de Borja, Guerra, Luan, Fabiano, Bruno Henrique, Deyverson e Juninho (metade do valor), além de comprar os 50% dos direitos econômicos de Dudu que ainda pertenciam ao Dínamo de Kiev. A empresa ainda pagou um bônus de R$ 4 milhões ao clube pela vaga na Libertadores.

Mas não é só o clube que se beneficia dessa parceria. De acordo com informações do Banco Central, o patrimônio líquido da Crefisa, que estava próximo dos R$ 2 bilhões em 2015, hoje é superior a R$ 4 bilhões. Nas linhas abaixo, Leila também fala sobre a visibilidade que o clube lhe dá. Veja

LANCE!: Por que o Palmeiras não conquistou títulos em 2017?
Leila Pereira: Eu estive presente em todos os jogos importantes. Em Guayaquil, no Mineirão... Foi horrível, saí irritadíssima. O torcedor tem motivo para ficar irritado, e eu mais ainda, porque eu ajudei, eu tirei dinheiro do bolso. Detesto perder, vocês não estão entendendo! Mas às vezes precisa. Se estivesse tudo certo, nós teríamos conquistado os títulos. Então foi feita uma reflexão, vai ser alterado o que tiver que ser alterado, e vamos tocar a bola para a frente. E tenho certeza absoluta que viremos como protagonistas novamente no ano que vem. Vocês também sabem disso. A gente vem para conquistar títulos.

A pressão por títulos prejudicou o time neste ano?
Esse papo de que a pressão prejudica... A pressão não prejudica. A pressão estimula, tira a pessoa da zona de conforto. Eu trabalho com pressão o tempo todo, trabalho com boa perspectiva o tempo todo. É aquilo: "Vamos ganhar, investimos para isso". Se não ganhar, tentamos! Investimos no melhor! Imagina se eu pego jogadores não tão estrelados e não ganho nada? Iam dizer: "Nossa, Maurício, vocês só trouxeram pé de breque". Ninguém pode falar isso. Nós adquirimos os melhores na época. Não deu certo? Ficamos em segundo lugar? Mas está ruim? Claro que não. É impossível ser campeão todos os anos.

É verdade que o Mustafá Contursi, quando ainda era seu aliado, te aconselhou a parar de contratar jogadores para o Palmeiras?
Várias vezes, várias vezes. Acho que é porque ele queria ver o time fraco. Para ele, quanto pior, melhor. Ele vai dizer que estava certo porque nós não ganhamos nada. Mas e se eu fosse voltar ao bom e barato de 2002? Eu não ficaria em segundo lugar, eu cairia para a Segunda Divisão, que foi para onde ele jogou a gente em 2002.

NOTA DA REDAÇÃO: Leila Pereira e Mustafá Contursi, conselheiro e ex-presidente do Palmeiras, eram aliados A empresária, inclusive, elegeu-se conselheira pela chapa de Mustafá. Os dois cortaram relações após estourar o escândalo da venda irregular de ingressos que a Crefisa cedia a ele. Por causa disso, Mustafá é alvo de investigação no clube e na polícia. As respostas de Leila sobre este assunto estarão na segunda parte da entrevista.

Você acha que o Palmeiras está pronto para caminhar com as próprias pernas, sem esse incentivo da Crefisa?
Tem pessoas dentro do clube que menosprezam o nosso investimento. "Ah, o Palmeiras pode caminhar sem o patrocinador". Claro que pode, e é por isso que eu luto, gente. Quero um clube independente. O patrocinador tem que vir para agregar, ser um plus. O Palmeiras não pode entrar em colapso se a Crefisa sair. O Palmeiras tem que ser uma grife grande, que várias empresas queiram patrocinar. Quero que o Palmeiras seja um clube disputado por patrocinadores. Não quero que o pessoal fique com esse papo: "Ah, a Leila fica fazendo chantagem com o Palmeiras, de que se fulano entrar para ser presidente vai tirar o patrocínio". Não, eu quero que o Palmeiras caminhe com as próprias pernas, que não precise de mim. E a gente está caminhando para isso. Não é que eu queira sair do Palmeiras, é que eu quero ser um plus. Que o Palmeiras não dependa de nenhum patrocinador, é para isso que eu luto.

O Palmeiras ainda não solicitou a ajuda da Crefisa para contratar reforços para 2018. Como estão as conversas sobre isso?
Até agora o presidente não conversou com a gente sobre aquisição de jogador. Mas vou deixar claro: o presidente tem completa liberdade com a gente. A Crefisa, a Faculdade das Américas e eu estamos de portas abertas para conversar sobre colaboração. Se o presidente nos solicitar colaboração e estiver ao nosso alcance, nós vamos colaborar no pagamento desses jogadores que já foram adquiridos ou em novos. Tem tempo ainda.

Haverá um limite de investimentos extras neste ano?
A gente não tem um orçamento fechado para investir no Palmeiras. Essas liberalidades, esses aditivos ao patrocínio, dependem de caso a caso. Eu não tenho valor fixo. A gente conversa caso a caso.

Em 2017, você gastou mais em atletas do que no patrocínio, certo?
Eu não gosto de falar em valor. Isso está em contrato, é complicado falar, mas são esses jogadores que vocês sabem. Sim, acabou sendo (maior do que o patrocínio). Foram muitos jogadores. O presidente pergunta se a gente pode colaborar e, se não for possível, não quer dizer que o Palmeiras não vá contratar. O Palmeiras está com uma receita espetacular, então tem condição de comprar esses jogadores. Se não for possível o patrocinador colaborar, o Palmeiras tem todas as condições. O Palmeiras é atualmente um clube modelo.

Modelo em qual sentido?
Clubes do exterior vêm visitar a Academia de Futebol e ficam impressionados. O Palmeiras não deve nada a ninguém. Até março ou abril, vamos quitar todas as dívidas com o ex-presidente (Paulo Nobre). É um clube modelo, eu não sei do que reclamam! Mas acho que é mais de dentro do Palmeiras, aquele fogo amigo. Como alguém pode falar da gestão do Maurício Galiotte? Ele está profissionalizando todas as áreas, pagando todas as dívidas... Veja a nossa base! Vai ser um celeiro de grandes craques, está totalmente organizada. No passado, ficavam dizendo: "Olha, o conselheiro fulano de tal indicou esse menino, então não pode tirar". Hoje é outro papo. O Maurício está preparando o clube para o futuro, e isso não pode retroceder. Gente, tudo bem, o torcedor quer títulos. Eu também quero, todo mundo quer. O Palmeiras, sem títulos, perde o brilho. Mas você tem que olhar que nosso clube é um modelo, me dá orgulho ser patrocinadora de um clube desses. Não são os escândalos com esse Mustafá que vão tirar o brilho do Palmeiras, o meu entusiasmo de patrocinar. Eu me afastei completamente do Mustafá, não quero mais nenhum contato.

A Crefisa e a Faculdade das Américas, obviamente, pagam valores muito maiores do que o mercado. Mas e a contrapartida? O quanto suas empresas cresceram graças ao patrocínio?
O investimento no Palmeiras é institucional. Você vai me dizer assim: "Leila, quanto aumentou a produção da Crefisa por causa do Palmeiras? Quantos alunos você teve a mais na FAM?". As minhas lojas estão sempre cheias, a Faculdade das Américas está com um número muito bom de alunos, mas é difícil quantificar o quanto é por causa do Palmeiras. O que eu consigo visualizar é a dimensão que a minha marca tem. Hoje, o Brasil inteiro sabe quem é a Crefisa, quem é a Faculdade das Américas. Essa visibilidade institucional tem um preço. É evidente que o valor que eu pago é maior do que a média de mercado, mas para mim, uma bela palmeirense, a grandeza do Palmeiras não se equivale à dos outros clubes. O Palmeiras, para mim, é o maior de todos e precisa ter um patrocínio maior. Eu invisto pela visibilidade que o Palmeiras nos dá. Vocês até hoje lembram da Parmalat, ficou para a história. Agora imagine se eu conseguir as mesmas conquistas na era Crefisa? Você fica para a história, para o resto da vida. Isso tem um custo, e é por isso que eu faço todo esse investimento. Três anos é muito pouco tempo, e nesses três anos a trajetória é muito boa.

Que balanço você faria desses três anos?
Meus três primeiros anos como patrocinadora foram três anos brilhantes para o Palmeiras. Antes da entrada do nosso patrocínio, em 2015, o Palmeiras vivia no escuro, nas trevas. Foram 22 anos sem título brasileiro, ganhou uma Copa do Brasil meio no susto (em 2012)... A nossa entrada e a inauguração da arena deram outra visibilidade, outra dimensão para o Palmeiras. No primeiro ano, já começamos com um título nacional (Copa do Brasil), média de público excepcional, e no ano seguinte conseguimos o título brasileiro. Nesse ano, claro, todo mundo tinha uma expectativa muito positiva de conquistar vários títulos, mas infelizmente não conseguimos. Acho que o vice-campeonato não é uma má campanha. O último vice que nós tivemos no Brasileiro foi em 1997. A nossa melhor campanha de 1998 até hoje foi no ano passado, com o título. Então acho que a nossa trajetória é muito positiva. A visibilidade das nossas marcas continua excepcional, é inegável isso. Então, com relação ao patrocínio, estou muito feliz.

 

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