Lateral, após expulsão polêmica: "Ele xingou minha mãe, que morreu aos 30"

  • Reprodução/Facebook

    Jamerson em ação durante jogo do Marília

    Jamerson em ação durante jogo do Marília

Lateral-esquerdo do Marília na Copa São Paulo, Jameerson Santos ganhou as manchetes de uma maneira nada positiva no último sábado. O jovem de 19 anos foi expulso do jogo contra o Mogi Mirim após fazer gestos obscenos com as mãos e suas partes íntimas para um adversário após dividida. Porém, o descontrole que parecia "gratuito" tinha motivos escondidos dentro do coração de Jameerson. Em entrevista ao LANCE!, o lateral comentou que só "perdeu a cabeça" porque o adversário Caio, do Mogi Mirim, xingou a sua mãe depois da dividida. E a mãe de Jameerson morreu em 2016, aos 30 anos, vítima de uma trombose. Até hoje, o jogador ainda sofre com a partida precoce de sua mãe.

"Ele veio me dando um chute por trás e xingou minha mãe. De cabeça quente, acabei me estressando e fiz aqueles gestos lá. Depois eu vi as imagens e fiquei arrependido demais. Na hora do jogo a gente não pensa... Mas serviu de aprendizado. Não vou fazer isso mais", disse Jameerson, detalhando o lance:

"O cara veio xingando: "A sua mãe é..." (Jameerson não falou o restante). Jogador de futebol é assim, ele vai logo no ponto fraco, para ver se o outro vai esquentar a cabeça. E foi logo no meu ponto fraco. Minha mãe morreu nova, aos 30 anos. Ele nem sabia disso, né... A maioria dos jogadores gosta de xingar a mãe. Ele xingou a minha e acabou rolando aquilo".

Jameerson é natural de Salvador (BA) e saiu de casa aos 14 anos para tentar a sorte no futebol, com o objetivo de dar uma vida melhor para a mãe. Inicialmente foi para Brasília, depois para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, até chegar em São Paulo, primeiramente para defender o Mogi Mirim, em 2016. Foi neste período que veio a pior notícia de sua vida.

"Convivi toda a infância com a minha mãe. Ela ficou adoentada e eu sempre cuidei dela, sempre estive do lado dela. Até que chegou o dia que eu tive que ir atrás do meu sonho, para dar uma vida melhor a ela. Acabei indo para os clubes, correndo atrás sozinho, enquanto ela estava na Bahia. Ela faleceu em 2016, teve uma trombose. Eu não sei explicar o que aconteceu, porque eu estava longe. A notícia chegou em mim, mas ninguém me falou o que foi direito. Eu nem sabia que ela estava em situação grave. Foi difícil para a ficha cair, muito difícil. Mas graças a Deus, eu tive forças para seguir lutando".

Dois dias depois da expulsão, Jameerson e Caio se cruzaram no corredor de um shopping de Marília. O encontro serviu para os jogadores selarem as pazes:

"Eu o perdoei. Vi ele no shopping. Conversamos normalmente e a gente se acertou. Ele sabia da repercussão que aquilo tinha tomado, que o lance tinha saído em toda imprensa. No papo, as coisas entre nós se resolveram rapidinho".

Jameerson defende o Marília desde o ano passado. Ele afirma que a explosão de raiva foi um fato inédito, algo que jamais tinha acontecido em sua trajetória:

"Eu nunca tinha feito algo como aquilo, nunca, nunca... Você pode ligar para qualquer clube por onde eu passei. Nunca tive indisciplina. Acredito que é um plano de Deus. Às vezes, a gente faz algo que nem nós mesmo entendemos. Fiquei aquela noite toda pensando, triste. Desinstalei Facebook e WhatsApp do celular, não queria mais usar rede social, estava recebendo muitas mensagens. Foi uma coisa muito difícil para mim. Depois, com meus amigos me dando força, consegui me recuperar".

O Marília passou para a segunda fase da Copinha como líder do grupo 8. O jogo contra o Mogi Mirim, o da expulsão, terminou 0 a 0. A partida anterior, diante do Tubarão-SC, tinha sido vencida por 4 a 3. E o duelo final do grupo, no qual Jameerson cumpriu suspensão, foi ganho por 2 a 0 contra o Fluminense:

"Retorno no próximo jogo (contra a Desportiva Paraense, nesta quinta-feira, às 19h). O companheiro que jogou no meu lugar contra o Fluminense recebeu o segundo amarelo. Levei um jogo só de suspensão e estou de volta. É trabalhar para dar o meu melhor no próximo jogo. Quero mostrar o meu melhor".

Sonhos com Palmeiras e Arsenal

Perguntado sobre seus planos para a carreira, Jameerson Santos não escondeu o desejo de defender dois clubes especiais para ele: Palmeiras e Arsenal.

"Sou torcedor do Palmeiras, sonho jogar pelo Palmeiras. Mas tem muitos clubes que eu desejo jogar. Quero jogar o Campeonato Inglês. Seria muito bom jogar pelo Arsenal, um time que gosto muito. Meu sonho é conseguir ser um grande jogador, ajudar minha família. Minha família depende muito de mim. Estou até agora no futebol por causa da minha família, esse é motivo verdadeiro de eu estar no futebol", disse o jovem, que depois falou de suas qualidades:

"Comecei como lateral-esquerdo, depois larguei a lateral para jogar de atacante, e aqui no Marília voltei a jogar de lateral. Sou um jogador de muita força, gosto muito de disputar na velocidade e no corpo. Também me considero um pouco habilidoso. E tenho trabalhado para evoluir cada vez mais".

Jameerson tem cinco irmãos, todos mais novos, que moram com o pai em Salvador. Dos tempos na Bahia, ficaram as lembranças de uma infância dura:

"Foi uma infância de muita batalha. Eu vivia muito na rua. Depois, com 12 anos, comecei a trabalhar. Ia para a praia vender churrasco, para ganhar um trocado pra ajudar minha família e comprar algumas coisas boas que toda criança gosta. Já trabalhei em lava jato, em mercado. Eu vivia na correria... Ainda vivo".

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos