Dos braços para trás ao soco no ar: o estilo Felipe Conceição no Botafogo

Braços cruzados por trás do corpo. A mão direita segura pouco abaixo do cotovelo esquerdo. A posição de observação do treinador do Botafogo é essa. Foi essa, quase sempre, durante a estreia dele no cargo e do Glorioso na temporada. Tudo era novo. O gestual de Felipe Conceição refletiu uma estreia tensa. De perto - bem mais do que de costume, o LANCE! presenciou as reações do comandante na partida da última terça-feira. Não houve nada mais intenso do que aqueles braços saindo de trás das costelas e explodindo no ar em forma de soco. Era o momento do empate dramático, nos acréscimos do segundo tempo.

Nem aplausos, tampouco houve vaias quando Felipe subiu para o Estádio Nilton Santos pela primeira vez como técnico principal do Alvinegro. A habitual discrição do comandante casou - saindo pela direita - com a entrada dos jogadores em campo. Estes, sim, aplaudidos pelos arquibaldos. Verdade que um erro do locutor também contribuiu para a baixa percepção da entrada do treinador. O anúncio foi com o sobrenome Oliveira, verdadeiro, mas não o utilizado Conceição.

Rivais, árbitros e jornalistas cumprimentaram o estreante. Bola rolando e o ritmo de instruções foi frenético, nos primeiros minutos: recado direto para Brenner, aplausos de incentivo e parabéns a João Paulo e aos outros. O primeiro gol da Portuguesa foi um baque para o qual a reação imediata não foi a cabeça baixa, mas um breve silêncio somente.

Na parada técnica, o setor criativo foi o principal alvo. Rodrigo Pimpão, Luiz Fernando, João Paulo e até Arnaldo, que tanto tentou infiltrar por ali. Copos d'água foram cinco ou seis ao longo do jogo. Um não resistiu à metade e foi atirado ao gramado, após a primeira de duas reclamações de pênaltis não marcados a favor do Botafogo.

Jair Ventura, antecessor de Felipe Conceição, disse que as primeiras vaias recebidas foram o batismo como treinador. Elas haviam demorado mais de um ano para acontecer ao filho do Furacão da Copa de 1970. O coro de burro e os primeiros xingamentos do atual comandante demoraram menos de 45 minutos. Após o segundo gol da Lusa, aquela ofensa de quem direciona o outro a algo foi ouvida somada ao velho apelido.

- Tigrão, vai...

Na descida para o túnel, no intervalo, o treinador já foi muito mais percebido do que na subida. Teve de ouvir novos xingamentos que não eram em coro, mas também não foram de uma pessoa só.

A segunda etapa rendeu, primeiramente, palmas fortes. Típicas de quem quer diminuir o estresse, promovidas logo que Brenner levou à rede a bola que estava na marca da cal. Estresse diminuído, mas não findado. Tanto que o comandante tomou uma senhora bronca do árbitro quando reclamou de maneira firme. O homem do apito sinalizou que quem mandava naquele campo ele e não quem estava na área técnica.

O tempo passava e o gol de empate não ocorria. Logo depois da parada técnica, as reclamações contra Felipe Conceição aumentaram quando ele olhou para o banco de reservas. Na segunda, a torcida que pedia a saída de Rodrigo Pimpão e a entrada de Ezequiel viu o treinador atender o pedido. Marcos Vinícius entrou naquele momento também.

Foi de Marcos o gol que levantou as mãos do treinador. As mãos que gesticularam, que bateram palmas, que orientaram e que reclamaram viraram soco no vento. Naquele momento, para quem se lembra, as comemorações efusivas dos tempos de jogador voltaram.

Ao fim, centro do gramado e cumprimento a todos jogadores - rivais também -, que passavam por ele. Educação? Alívio? Gratidão? Seja o que for. A imagem final foi de aplausos recíprocos, depois das vaias que ameaçaram ganhar forma junto ao setor leste inferior.

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