Campeonato Sul-Mato-Grossense sofre com série de idas e vindas

A corrida pelo título sul-mato-grossense de 2018 começou com obstáculos para cinco dos dez clubes. O imbróglio sobre as condições do Estádio Morenão, em Campo Grande, causou mudanças de datas e até uma desorganização na tabela do Grupo A.

Tudo começou ainda no ano passado, quando o Ministério Público (MP-MS) solicitou mudanças para que o estádio voltasse a ser liberado para 13 mil torcedores. No entanto, segundo o presidente da Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul (FFMS), as obras esbarraram na lentidão.

- O Ministério Público nos deu um prazo. Mas as obras no estádio, que pertence à Universidade Federal (do MS), não acabaram a tempo, e tivemos de manter os jogos no Morenão, por enquanto, com portões fechados. Estamos tomando providências para que tudo se resolva - declarou, ao L!.

Sem presença de público, o Morenão "estreou" na última quarta (com uma semana de atraso em relação ao B), com o empate entre Novo e Comercial, por 2 a 2. Mas, de acordo com o mandatário do Novo, Américo Ferreira da Silva Neto, o clima no estádio não trazia motivos para comemorações:

- Jogar sem torcida foi muito estranho, você ouve o apito do juiz, o grito dos jogadores, do técnico...

Porém, o duelo não seguiu a tabela à risca: foi válido pela quinta rodada. Américo detalhou, ao LANCE!, as razões:

- Tivemos de antecipar esta rodada porque ia coincidir com o dia da nossa estreia na Copa do Brasil (contra o Salgueiro-PE, na próxima quarta).

Presidente do Comercial, Valter Mangini disse que o risco de mais problemas pesou na decisão de debutar em um jogo "antecipado":

- Aceitamos para evitar que a equipe tenha de disputar, futuramente, até três jogos por semana.

À espera do Morenão "completo" e de alternativas, Operário, Novo, União ABC, Comercial e Costa Rica tentam manter fôlego pelo título. No Grupo B, Sete de Dourados, Corumbaense, Águia Negra, Operário de Dourados e Urso vieram firmes.

LIBERAÇÃO DO JACQUES DA LUZ TORNA-SE ESPERANÇA

Enquanto aguardam o fim do impasse do Morenão, os clubes tiveram na última quinta-feira uma boa notícia quanto à outra alternativa para mandar seus jogos na capital. Após um mês de obras, manutenções e pinturas, a Prefeitura de Campo Grande terminou as obras do Estádio Jacques da Luz.

Com capacidade para até 5 mil pessoas, o local está revitalizado e adequado para a realização de partidas. O Novo já manifestou seu interesse em mandar jogos do Campeonato Sul-Mato-Grossense no Jacques da Luz, também chamado de "Estádio das Moreninhas" (em referência ao bairro das Moreninhas):

- É um estádio que exige uma obra mais complexa. Mas a gente trabalhou para recorrer ao Jacques da Luz, e não precisarmos disputar partidas no interior do estado - disse Américo Ferreira da Silva Neto, ao LANCE!.

Diretor executivo do Operário, Anderson Ramos afirmou que o estádio está longe do que o clube pensou. Porém, surge como uma alternativa viável, ao menos para o Campeonato Estadual.

- É um estádio menor, reformado recentemente, que segue os padrões da Fifa e, além dos nossos jogos no Estadual, deve receber os jogos da Copa do Brasil, que envolve outros clubes daqui.

Já em relação às outras competições, o clube ainda estuda outras possibilidades:

- Sobre o nosso jogo da Copa Verde, ainda vamos estudar - completou Ramos, ao LANCE!.

A tendência é de que o Comercial e o União ABC também recorram ao Estádio Jacques da Luz no decorrer do Sul-Mato-Grossense.

COSTA RICA, ENFIM, FAZ SUA ESTREIA NO ESTADUAL

Os adiamentos causados pelas mudanças de tabela no Grupo A renderam uma situação curiosa justamente para o único clube que não é localizado em Campo Grande. Após mais de uma semana de espera, neste sábado, o Costa Rica faz sua estreia, diante do União ABC, em jogo pela terceira rodada.

Vindo de uma cidade localizada a 310 km da capital, a equipe confia no entrosamento como superação do longo tempo de espera:

- Além da nossa preparação, trabalhamos com um plano B caso não houvesse jogo por falta de laudos. Mesmo sendo prejudicados por ser a única equipe que ainda não jogou na competição, queremos fazer uma estreia equilibrada e merecer o resultado - disse o técnico Chiquinho Lima, ao LANCE!.

Já o União ABC atuou como mandante na partida contra o Operário em outra cidade: em Rio Brilhante (a 161 km de Campo Grande).

- Nós do União ABC tivemos esta chance de atuar lá, e fomos bem recebidos pela diretoria do Águia Negra. O único problema que tivemos foi viajar, mas a gente já estava preparado, não vejo como desgaste - afirmou o dirigente Fábio Manso.

COM A PALAVRA

'Lutamos até o fim pelo Morenão'

ANDERSON RAMOS

Diretor executivo do Operário

Nós lutamos até o fim pelo Morenão. Como o Operário fará 80 anos de fundação em 2018, continuamos trabalhando nos bastidores para liberar o estádio. Além de ainda ter uma esperança no Estadual, nosso objetivo de investir na sua liberação é voltada em especial para a Copa Verde. Afinal, o título desta competição dá a vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil e uma cota de dinheiro para a gente.

Estes jogos sem torcida são muito ruins para o futebol, não só pela falta de apoio nas arquibancadas. Deixamos de lucrar com bilheteria, bares, sócio-torcedores e até com transmissão.

COM A PALAVRA

ROBERT

Técnico do Novo

É uma pena os jogos aqui no Morenão serem realizados sem torcida. Desde que eu era jogador, sempre fui acostumado ao clima de "oba-oba", aos corneteiros que ficam na arquibancada reclamando.

Sem este clima da torcida no estádio, parece que a gente está disputando um mero jogo-treino. Ouvimos tudo, é difícil perder o foco. Mas a gente sabe que tem de respeitar esta decisão do Estatuto do Torcedor. Sem as melhorias, o estádio não funciona como deveria.

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