Vascaíno Paulinho fala da evolução física, espelho em CR7 e mira títulos

  • Thiago Ribeiro/AGIF

Durante pouco menos de 20 minutos, Paulinho atendeu a reportagem do LANCE! após um treino do Vasco em São Januário. Além do tamanho - ele é muito forte para um menino de 17 anos - a forma como o jogador se expressa chama atenção. Paulinho é bem articulado, dá boas respostas e parece bem acostumado com o contato da imprensa. Nem parece que ele está no elenco principal há pouco mais de seis meses. Não por acaso, é um dos destaques da equipe que recebe o Universidad Concepción, nesta quarta, às 21h45.

Um dos aspectos que mais chama atenção é a evolução física de Paulinho. Em 2015, ele era apenas um atacante do sub-15. Com o potencial, subiu ao sub-17. Desde então, o garoto viu a necessidade de fazer um trabalho de suplementação, aliado aos treinamentos no Vasco, que foram complementados por atividades em casa. Tudo isso monitorado pelo clube.

"Chegou um momento na base, quando eu estava no sub-17, que eu percebi que precisava ganhar mais força física, mais velocidade, até porque meu objetivo era chegar ao profissional o mais rápido possível. Eu tinha que ter essa evolução. Procurei através de treinamentos, suplementação e cheguei ao profissional muito bem. Acho que posso evoluir cada vez mais, tenho só 17 anos ainda. Dá pra maturar mais um pouco. A gente vê a concorrência que é no profissional. Na base é bem diferente. Você fica acima de alguns jogadores, no profissional são poucos. Chega um momento que iguala", conta Paulinho, que tem um ídolo no futebol que o motiva a treinar cada vez mais:

"Eu me espelho muito no Cristiano Ronaldo. A dedicação, a ambição de sempre querer estar bem, buscar algo melhor, querer buscar a perfeição. Me espelho muito no Ronaldo Fenômeno também. É uma referência em termos de gol".

Titular absoluto com Zé Ricardo, Paulinho é muito querido pela torcida e tem o Vasco como clube do coração. A identificação do garoto com o clube é muito forte. Ele chegou a São Januário com oito anos, se formou na escola do clube e até morou lá em alguns momentos. E isso mostra a vontade que ele e os outros meninos do atual elenco tem em fazer história no clube:

"Todos nós, garotos, temos sonhos. A gente sonha em jogar no futebol europeu. Mas nós fomos criados aqui. Temos uma identidade forte com o clube. Estou aqui desde os oito anos, estudei aqui, dormi aqui e ajuda muito quando chegamos no profissional. Fica mais à vontade, não chega tão acanhado. É bom ter essa bagagem para fazer um bom trabalho", disse.

SONDAGENS E PROPOSTAS DEIXADAS DE LADO

Principal ativo do Vasco atualmente, Paulinho já teve oportunidades para deixar o clube. O último vice de futebol, Eurico Brandão, chegou a elogiar o jogador e família dele publicamente. Nas palavras de Euriquinho, Paulinho teve uma grande postura com o Vasco, já que abriu mão de muito dinheiro para continuar no clube. O sonho em atuar no futebol europeu existe, mas Paulinho sabe que a hora dele vai chegar.

"Essa questão eu deixo mais para o meus pais, o meu agente. Como falei, tenho sonhos e objetivos. Vi que não era o momento ainda, tenho só 17 anos, acho que tenho muito para evoluir aqui no Vasco. Conversei com a minha família e tomamos uma decisão que acreditamos ser correta. Mas não abro mão do meu sonho e do meu objetivo. E vou em busca dele e o primeiro passo é fazer um bom trabalho aqui".

Recentemente, Paulinho assinou um novo contrato, onde aumentou a multa rescisória para proteger o Vasco do assédio de outros clubes.

"O novo contrato não influenciou muito na minha decisão, estou feliz aqui e busco marcar meu nome aqui. Temos a Libertadores pra fazer um bom campeonato. O Brasileirão ano passado tínhamos um objetivo e conseguimos".

LANCE!: Como é a sua relação com o Vinicius Júnior?
"Jogamos contra desde o sub-13, era uma disputa muito boa. Ganhei algumas, ele outras. Quando chegava na Seleção ficava aquela zoação. Não só ele, mas o Lincoln, o Wesley também. Estivemos juntos no Sul-Americano também. Todos que nos viram na base ficam felizes vendo que somos referências e sendo exemplo para esses meninos que estão vindo da base".

O momento político do clube atrapalhou o elenco neste início de ano?
O grupo está bem tranquilo, está bem unido. Sabemos de toda essa turbulência no início do ano por conta da troca de diretoria. Isso afetou um pouco no começo, a questão dos atrasos salariais, mas procuramos deixar isso de lado e para isso não atrapalhar dentro de campo. Mas, querendo ou não, alguma coisa acaba atrapalhando. Sofremos um pouco, fomos eliminados da Taça Guanabara. Mas, na Libertadores, deu tudo certo.

Você tem crescido muito fisicamente e disse que ainda pode evoluir mais. Se vê atuando como um camisa 9 em alguns anos?
Acho que sim. Cada teste que o Zé Ricardo fizer comigo, tenho que estar preparado. Não me vejo com um camisa 9 fixo, mas um 9 com mais movimentação, pra receber bola nas costas dos zagueiros.

Você está com o olho esquerdo roxo por conta de uma pancada no primeiro jogo da Libertadores. É uma competição realmente diferente?
Alguns jogadores mais velhos já tinham vivido esse momento, essa experiência e passaram pra gente. Falaram que ia ter muita pancadaria, que iriam nos provocar. Eu procuro jogar meu futebol, deixo isso de lado para sair com a vitória, que foi o que a gente fez. Já mostramos o quanto estamos focados. A Libertadores é muito difícil, os times complicam muito os jogos, se passarmos até a fase de grupos vamos continuar encarando equipes complicadas. Tem time brasileiro, argentino... que buscam títulos também. Estamos trabalhando por ele também.

Você tem apenas 17 anos, mas parece ser muito maduro, é bem articulado nas entrevistas, parece ter uma boa base familiar. Como que é a sua relação com seus pais e como isso te influencia dentro de campo?
Desde os 13 anos, a gente viu que o negócio começou a ficar sério e todos começaram a trabalhar em prol de um objetivo que era eu chegar no profissional e ter uma carreira de sucesso. É o meu sonho, tenho como meta, objetivo e é isso que me faz mais feliz, me deixa tranquilo para tomar algumas decisões. Eu sempre converso com eles, eles me tranquilizam e eu sigo focado em fazer um bom trabalho em campo.

E o assédio fora de campo?
No primeiro momento, bate aquele susto, mas hoje é normal. Me acostumei, fico feliz com o reconhecimento dos torcedores. Isso mostra que estou fazendo um bom trabalho.

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