Zé completa seis meses de Vasco e reafirma construção de história

  • Carlos Gregório Júnior / Flickr do Vasco

    Entrar na história do Vasco também é objetivo do treinador Zé Ricardo

    Entrar na história do Vasco também é objetivo do treinador Zé Ricardo

O técnico Zé Ricardo completou nesta semana seis meses de Vasco. Desde que chegou ao clube, o comandante conseguiu mudar o panorama da equipe, acertando os sistemas defensivo e ofensivo, pontos que estavam com desempenhos considerados aquém do esperado. Zé levou o Cruz-Maltino de volta para a fase preliminar da Conmebol Libertadores e, neste ano, selou a vaga à fase de grupos. Pontos que foram coroados com a sua permanência em São Januário.

Estes seis meses serão estendidos, podendo chegar até o fim de 2019 - período que o Vasco renovou o contrato de Zé Ricardo nos últimos dias para que ele não deixasse o clube após ter recebido proposta financeiramente melhor dos Emirados Árabes. Esta construção do trabalho em conjunto, além da liberdade da ligação entre os profissionais e as categorias de base, felicitam ainda mais o treinador.

"Sem dúvida é uma satisfação muito grande. São poucos aqueles que recebem a oportunidade de trabalhar por esse tempo num clube como o Vasco da Gama. Me sinto privilegiado nesse ponto. Retornei a um clube onde comecei a minha carreira, há muito tempo, ainda no futsal. Completar essa daqui hoje é muito gratificante", avaliou sobre os primeiros seis meses de Vasco o treinador ao site oficial do clube.

As primeiras quatro partidas na Conmebol Libertadores antes de chegar à fase de grupos - duas diante do Universidad Concepción, do Chile, e outras duas contra o Jorge Wilstermann, da Bolívia -, mostram a cara do Vasco de Zé Ricardo. O treinador afirmou que acreditava neste bom início na competição internacional, mas lembrou da situação política vivida pelo clube no ano passado que atrapalhou a preparação inicial:

"Acreditar a gente sempre acredita, mas é lógico que a situação política mexeu um pouco com a nossa preparação. A gente preferiu não ficar lamentando a saída de alguns atletas, mas valoriar aqueles que estavam conosco. Isso foi o principal para nós. Conseguimos junto com o pessoal da direção nos fechar dentro do CT de Vargem Grande e a partir daí dar valor ao que conseguimos em 2017. Fizemos os atletas entenderem que aquilo ali era o mais importante. Então, foi fundamental esse período junto. Mesmo com as saídas, demos uma cara para a equipe. Todo esse movimento vem dando resultado".

Entrar na história do Vasco também é objetivo do treinador.

"Eu tenho um respeito muito grande pelo clube. Foi a primeira grande equipe que trabalhei no futsal. Me sinto muito feliz por ter voltado depois de um longo tempo. É uma satisfação muito grande estar aqui. Nesses seis meses fui muito bem recebido por todo mundo. Só isso te faz ter uma gratidão muito grande. Eu sinto o carinho e o apoio da torcida. Era uma obrigação minha passar para os atletas um pouquinho da história do Vasco, que é belissíma nas esferas desportiva e social", disse o treinador completando com um recado para a torcida:

"Eles precisam entender a responsabilidade e o tamanho do Vasco. Os jogadores precisam se sentir orgulhosos por terem a oportunidade de vestir a camisa do Vasco. Costumo falar para eles que não tem preço poder sentar com os filhos mais para frente e contar que um dia jogou e foi vencedor numa equipe de tamanha grandeza. Eu encaro da mesma forma. Quero chegar no futuro, conversar com meus filhos, olhar para trás e dizer que fiz história no Vasco como treinador".

Confira a seguir outros temas abordados por Zé Ricardo:

REFERÊNCIA AOS TREINADORES MAIS JOVENS

"Não sei se a palavra é referência, mas eu sou um professor de Educação Física formado. Tentei ser jogador de futebol e por questões técnicas não consegui, infelizmente. Foi quando resolvi realizar esse sonho de estar no ambiente do futebol de uma outra forma. Sou um apaixonado pelo futsal, onde comecei a minha trajetória, e num determinado momento tive a oportunidade de fazer a transição para o futebol de campo. A questão da referência, não sei, mas tenho certeza que precisamos acreditar e lutar por nossos sonhos. Eu tinha um sonho de poder trabalhar no profissional, de crescer na carreira e isso está se realizando. Por isso, talvez, algumas pessoas se sintam encorajadas a continuar. Tive muitas decepções nessa trajetória, mas procurei ser persistente e correto para estar preparado para agarrar a oportunidade quando ela aparecesse. A chance vai aparecer, sem dúvida alguma, e você precisa estar preparado. Fico feliz por saber que a minha história é vista como exemplo por jovens treinadores"

COMO SE CLASSIFICA COMO TREINADOR?

"Eu vejo muito futebol, muitos campeonatos fora e treinadores que são expoentes chamam a minha atenção. Gosto do Guardiola, do Simeone e da forma como o Mourinho pensa a questão do jogo defensivo. Tem também o Maurizio Sarri, do Napoli, que tem se destacado. Aqui dentro do nosso futebol também possuímos excelentes treinadores. Destaco o Paulo Autuori e o Telê Santana, que infelizmente não está mais entre nós. Temos o Abel que faz um trabalho muito legal com a base no Fluminense. Não poderia deixar de citar as revelações, como o próprio Carille, o Eduardo Baptista e o Jair Ventura. O Brasil está bem servindo e costumo pegar um pouquinho de cada um. Eu não gosto de trabalhar apenas a organização da equipe, mas também a relação entre atletas e comissão técnica, algo que julgo imprescindível hoje em dia para que o jogo coletivo ocorra. E logicamente que tudo aquilo que vai aparecendo de novo procuro estar atento. Estou iniciando uma carreira, não cheguei a dois anos de profissional, e tenho certeza que o crescimento é contínuo. Evoluir na carreira é sempre o que procuro"

COMPROMETIMENTO DOS ATLETAS É O SEGREDO?

"Eu penso que esse tem que ser o segredo de todas as equipes que jogam um esporte coletivo. O futebol é na sua essência precisa das associações, do companheirismo. Costumo dizer que se a gente estiver bem organizado e taticamente bem distribuído, as individualidades começam a aparecer. É isso que está acontecendo aqui no Vasco. Está todo mundo muito consistente, consciente do que precisa fazer em campo. Somos hoje uma equipe competitiva e solidária. É fundamental numa competição como a Libertadores você ter esses atributos no seu time"

HISTÓRIA DO VASCO

"Os nossos sonhos nós determinamos e nós temos a obrigação de tentar fazer com que eles se tornem realidade. O céu tem que ser o limite para todos nós. Lógico que é preciso dar um passo de cada vez. Nos classificamos e caímos numa chave que todos consideram o "grupo da morte", com três campeões da América juntos. O Vasco, por sua essência e por seu tamanho, precisa pensar grande. E a gente acompanha esse pensamento. Tomara que degrau a degrau a gente possa ir para frente"

JOGOS MAIS ESPECIAIS

"Eu vou citar dois jogos. O primeiro deles foi a estreia, contra o Grêmio, que meses depois se sagrou campeão da América. Se tratava de uma equipe forte e que jogou completa contra nós em São Januário. Esse jogo é especial pelo fato de ter sido o primeiro. Conseguir aquela vitória foi um motivo de muito orgulho. A outra partida foi contra o Santos, quando conseguimos virar o placar dentro da Vila Belmiro jogando bem. O Santos fez 1 a 0, mas viramos o jogo nos minutos finais, com o gol da vitória saindo nos minutos finais. Aquele resultado tirou qualquer possibilidade de descenso. Atingimos naquela ocasião 48 pontos com algumas rodadas de antecedência. Foi ali que nos fortalecemos para buscar essa vaga na Libertadores"

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