Relembre! Vasco e Fluminense acirraram rivalidade neste século

Um dos motivos que ainda sustentam os estaduais são os clássicos regionais. Vasco x Fluminense pode não ser o mais badalado dos clássicos, mas os clubes que se enfrentam nesta quarta-feira, às 19h30, no Estádio Nilton Santos, protagonizaram neste século diversos episódios de rivalidades, dentro e fora de campo.

Eurico Miranda é um personagem em comum nas últimas polêmicas envolvendo os clubes. O presidente do Vasco, logo em seu retorno ao comando em 2014, iniciou uma batalha com os tricolores. O motivo? O lado direito da arquibancada no Maracanã.

Tradicionalmente, a torcida do Vasco sempre se localizou no lado direito da tribuna de honra do Maraca. O clube cruzmaltino conquistou esse direito, em campo, ao ser o primeiro time a vencer um título no mítico estádio. O Maracanã tinha tudo para ter na Copa do Mundo de 1950, a primeira conquista de sua história. Porém, a seleção perdeu para o Uruguai por 2 a 1 e viu escapar seu primeiro título mundial. O atacante Ademir Menezes, artilheiro daquela edição e o goleiro Barbosa não venceram a desejada Copa de 50, mas estavam presentes no título do Campeonato Carioca de 1950, quando o Vasco venceu o América por 2 a 1 e se sagrou o primeiro campeão do Maracanã. Com isso, o Vasco teve a opção de escolher o lado em que a sua torcida ficaria. O lado direito foi o escolhido, por um simples motivo: não batia Sol.

O Brasil só voltaria a sediar uma Copa em 2014 e foi justamente nesse ano que a relação do Vasco com o lado direito foi abalada. Por causa do Mundial, o Maracanã entrou em uma extensa reforma e com uma nova administração, o estádio virou consórcio e o Fluminense, por contrato, ficou definido que usaria o lado direito, passando por cima da tradição conquistada pelo Vasco há 64 anos.

A decisão não agradou nem um pouco a torcida vascaína e o presidente Eurico Miranda, que chegou a afirmar que o Vasco não entraria em campo, caso o lado não fosse devolvido aos vascaínos, começando uma série de picuinhas e polêmicas com o presidente do Fluminense, Peter Siemsen. Os jogos seguintes entre as equipes foram marcados por esses embates entre os dirigentes.

Eurico chegou a duvidar da existência da cláusula que definia a posse do lado direito para o Fluminense. Peter desmentiu e atacou dizendo que isso era um "capricho" do dirigente vascaíno. Eurico rebateu, em entrevista ao jornal Extra, disse que Peter não tinha "nível" para falar com ele e, logo depois, emitiu uma nota oficial dizendo que "o futebol brasileiro é muitas vezes terreno fértil para desagregadores", se referindo ao mandatário tricolor.

Vale ressaltar que a relação de Eurico Miranda com o Fluminense é, historicamente, conturbada. Em um dos piores momentos da história tricolor, quando o time foi rebaixado para a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro, em 1999, Eurico teve participação na "virada de mesa", que fez com que o Fluminense, campeão da Série C, subisse direto para a primeira divisão, sem disputar a Segundona.

Em 2015, ainda sob efeitos da discussão do lado de campo, Eurico falou sobre o assunto e declarou que ajudou o Fluminense na ocasião e que "ajudaria de novo" porque gosta de ajudar "os mais fracos e necessitados".

Se o Vasco levou a pior perdendo fora de campo, dentro de campo a história não foi a mesma. Desde que o Fluminense conquistou o lado direito do Maracanã, foram 13 jogos, com 8 vitórias vascaínas, dois empates e apenas três vitórias tricolores. Sendo no primeiro jogo depois da medida, um 3 a 1 vascaíno, em 2013, com direito a provocação do ídolo Juninho Pernambucano dizendo a torcida tricolor que o lado pertencia ao Vasco.

Dentro de campo, nada diferente

Os ânimos esquentaram fora de campo e dentro de campo não foi diferente. Fred, pelo lado tricolor e Rodrigo, pelo lado vascaíno, foram responsáveis por aumentar ainda mais a rivalidade entre os times recentemente e refletir as tensões extracampo.

Em 2015, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, o atacante e o zagueiro se provocaram. Fred disse que o Rodrigo já estava "aposentado" e deveria "desfrutar os últimos momentos" da carreira. O defensor retrucou dizendo que a vitória do Vasco, na ocasião, era um "presentinho" ao ex jogador tricolor e que o atacante não sabe jogar contra zagueiros de seu porte. Os jogadores continuaram se provocando dentro de campo em encontros futuros enquanto jogavam nos dois times.

Rodrigo e Fred não são os primeiros jogadores a se envolverem em polêmica quando o assunto é Vasco e Fluminense. O episódio que, talvez, melhor definiu esse cenário, foi o caso do ex-atacante Leandro Amaral, em 2007. Vivendo a melhor fase de sua carreira no Vasco, Leandro Amaral resolveu deixar o Cruz-Maltino e ir jogar nas Laranjeiras. Eurico Miranda não quis liberar o jogador e o processo foi parar na Justiça.

Leandro Amaral conseguiu uma liminar e assinou com o Fluminense, porém, dois meses depois, o Vasco conseguiu anular o recurso e o jogador teve que voltar para São Januário. Em sua reestreia, o atacante teve apoio de Edmundo dentro de campo, fez gol na goleada sobre o Corinthians Alagoano, pela Copa do Brasil, e não foi vaiado. Porém, com o rebaixamento da equipe para a segunda divisão, Leandro Amaral retornou ao Fluminense, mesmo declarando que jogaria a segundona pela equipe de São Januário. Nas Laranjeiras, Leandro Amaral sofreu uma grave lesão no joelho e pouco jogou no ano, sendo dispensado em 2010.

No mesmo período, o Fluminense tirou outro jogador do Vasco, irritando a torcida vascaína. O jogador, no caso, era o meia Dario Conca. Ídolo tricolor, o argentino apareceu para o futebol brasileiro no Vasco, em 2007, vindo do River Plate. Habilidoso, caiu rapidamente nas graças da torcida vascaína. Conca, ironicamente, tinha ótimo entrosamento com Leandro Amaral e, juntos, fizeram boa campanha no Campeonato Brasileiro de 2007.

Conca se transferiu para o Fluminense no ano seguinte, após o Vasco não conseguir negociar com o River Plate a sua contratação definitiva. No Fluminense, sua história é conhecida. Conca se tornou um dos maiores ídolos da história tricolor, chegando a inédita final da Libertadores de 2008 e se sagrando Campeão Brasileiro de 2010, sendo considerado o craque da edição.

Mesmo século, outras polêmicas

Roger e a Copa do Brasil de 2000

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O primeiro grande embate do século entre os dois times foi na Copa do Brasil de 2000. Eram as oitavas de final e o Vasco vinha como amplo favorito, com um time que contava com Romário e Edmundo. O primeiro jogo foi um empate em 1 a 1 e o Vasco decidiria o jogo em casa. Eurico Miranda foi na imprensa dizer que o "bicho" era certo. O Fluminense vivia péssima fase em sua história, em ampla crise econômica e com pouco investimento.

O Tricolor, no entanto, arrancou um empate de 2 a 2, com gols de Magno Alves e Agnaldo. Na saída de campo, em entrevista a Rede Globo, Roger Flores (atual comentarista), com 21 anos, bradou que a vitória serviu para "mostrar que o Fluminense é grande, é maior do que muitos pensam". Antes mesmo do jogo começar, Roger já tinha dito:

- Só saio daqui com o Fluzão classificado - e saiu.

Antonio Lopes e o Carioca de 2003

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No Carioca do icônico passe de letra do meia, Léo Lima, muita confusão aconteceu na final. O Vasco foi campeão em cima do Fluminense, ao vencer os dois jogos da final por 2 a 1. Porém, no segundo jogo, Marcelinho Carioca, então no Vasco, foi expulso indevidamente, gerando a primeira confusão do jogo. Com o clima tenso, o técnico Antonio Lopes, do Vasco, atirou uma bola na direção do jogador do Fluminense, Alex Oliveira, que estava caído no chão, após uma falta sofrida. Renato Gaúcho, técnico do Flu, invadiu o campo e a confusão foi generalizada. Durante as discussões, Lopes deu um forte tapa, por trás, na cabeça de um membro da comissão técnica do Fluminense, revoltando ainda mais os tricolores.

Thiago Silva e a torcida vascaína

Após empate em 1 a 1, pelo Campeonato Brasileiro de 2007, o zagueiro e principal referência do elenco tricolor, elogiou a torcida vascaína no final do jogo, declarando que a torcida do Fluminense devia "ver o espetáculo que a torcida do Vasco" fez e se inspirar para repetir o feito, no próximo jogo, do Fluminense.

Drone e o fantasma da C

Pelo Campeonato Brasileiro de 2017, o Fluminense enfrentou o Vasco em São Januário e um drone invadiu e sobrevoou o campo segurando uma bandeira com a letra C, em referência a Série C disputada pelo Tricolor em 1999. O ato da torcida vascaína fez com que o juiz Raphael Claus interrompesse o jogo, logo no início.

Vasco e Fluminense na história

Retrospecto:

. 108 vitórias do Vasco

. 101 vitórias do Fluminense

. 91 empates.

Maiores goleadas:

. Vasco 6 x 0 Fluminense (Campeonato Carioca 1930)

. Fluminense 6 x 2 Vasco (Campeonato Carioca de 1941)

Maiores artilheiros:

. Roberto Dinamite (Vasco): 36 gols

. Lula (Fluminense): 12 gols

Maior Público:

. Fluminense 0 x 0 Vasco (Campeonato Brasileiro de 1984): 128.781 torcedores

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