De torcedor 'maluco' fã de Edmundo a titular: o sonho real de Victor Luis

  • Cesar Greco/Ag. Palmeiras

    Vitor Luis é um dos principais destaques do Palmeiras

    Vitor Luis é um dos principais destaques do Palmeiras

"O Palmeiras é o time da virada, o Palmeiras é o time do amor!". O Palmeiras acaba de tomar um gol e a torcida responde fazendo este refrão ecoar alto no Palestra Itália. Vitão, adolescente apaixonado pelo Verdão, fica arrepiado e ajuda como pode: berrando e pulando como maluco no concreto da arquibancada a cada demonstração de raça de Edmundo.

Corta para 2018.

O Palmeiras acaba de vencer o São Paulo por 2 a 0 e o técnico Roger Machado elege o lateral-esquerdo Victor Luis como símbolo da ótima atuação da equipe. O camisa 26 jogou muito naquele que foi o centésimo jogo do Verdão no Allianz Parque. Depois de uma disputa cabeça a cabeça com Michel Bastos, parece não haver mais dúvidas: a posição tem dono.

O Vitão que pulava no velho Palestra e o Victor Luis que levanta a torcida no Allianz Parque são a mesma pessoa. Ele faz questão de não deixar o lado torcedor para trás.

"É o que eu vivo, não é nada forçado. "Ah, vou dar um carrinho para mostrar para a torcida". Não é isso, é natural. Eu vivo essa vida de Palmeiras muito intensamente. Sempre vivi, desde pequeno. Acompanhava o time da arquibancada e hoje valorizo muito por estar dentro do campo. Se precisar, eu como até a grama, cara", disse o lateral, em entrevista ao Lance!

"Eu ia muito, muito, muito. Ia em quase todos os jogos com o meu pai, com o meu tio, com o Vilmar, que é um padrinho meu no futebol... Eles que fizeram o amor pelo Palmeiras aumentar a cada dia mais na minha vida. A vontade que o Edmundo tinha era o que eu mais gostava de ver desde pequeno. Eu delirava na arquibancada, pulava, ficava maluco. Hoje posso falar que represento o torcedor dentro de campo por ter vivido tudo isso fora dele", lembra.

As vidas de jogador e torcedor começaram a se confundir ainda em 2004, quando o jovem iniciou sua trajetória na base do clube. Não foi fácil atingir o status de titular da lateral-esquerda, do qual ele poderá usufruir mais uma vez no jogo de ida das quartas de final do Paulistão, às 19h deste sábado, em Novo Horizonte. O jogo 100 do Allianz Parque, aliás, simboliza muito bem a caminhada de Victor no clube.

Ele também estava no primeiro jogo da nova arena, em 2014, contra o Sport. A derrota por 2 a 0 deixou marcas no jogador, que estava em sua primeira temporada na equipe principal. Era o ano do centenário e o Palmeiras ficou por um triz de ser rebaixado à Série B.

"Passou muito esse filme na cabeça durante a concentração antes do clássico. O pensamento acabou voltando lá em 2014, por ser um jogo tão importante, um clássico, o centésimo jogo da arena. Como eu estava lá no primeiro jogo da arena e não foi um jogo bom para nós, eu não queria viver outro momento de desgosto no centésimo jogo. Mas já senti que ia dar tudo certo quando vi todo mundo alto astral no dia do jogo, todo mundo pensando em correr, ajudar o companheiro", contou.

Victor, que já havia sido emprestado ao Porto B antes mesmo de estrear como profissional, também jogou por Ceará, em 2015, e Botafogo, entre 2016 e 2017. Ele valoriza muito a maturidade adquirida neste período, mas não quer saber de deixar o clube do coração novamente.

LANCE!: Você estava no primeiro jogo do Allianz Parque, em 2014, e no centésimo, em 2018. Onde você espera estar em 2022, quando a arena estiver chegando aos 200 jogos?

Victor Luis: No Palmeiras.

Então o seu plano para a carreira, agora, é se firmar no clube e ficar por muitos anos?

Com certeza. E quero o máximo de títulos. Conquistas com o grupo trazem conquistas pessoais também. Quero ser campeão aqui no Palmeiras, ser muito feliz, e espero fazer o jogo de número 200 da arena também.

O que você mais lembra do seu período como torcedor?

Quando o Palmeiras tomava um gol e eu ouvia a torcida gritando: "o Palmeiras é o time da virada, o Palmeiras é o time do amor". Para mim, isso aí arrepiava, ainda mais em dia de chuva, que foram vários também (risos). Eu pulava igual a um maluco na arquibancada. Eu sei realmente o que o torcedor vive.

Então você ficava na arquibancada mesmo? Nada de ir cornetas nas numeradas?

Não vou falar que eu nunca xinguei, né? É normal (risos). Mas eu gostava de ficar na arquibancada mesmo, sempre fiquei lá. Tanto é que carrego uns amigos até hoje.

Você entra em campo pensando em passar para o torcedor a imagem de um palmeirense dentro do campo?

Acho que o mais importante é que eu me enxergue dessa maneira. Falando do torcedor, eu me sinto muito abraçado por ele. Claro que é por eu ser um rapaz que veio da base, que tem uma história aqui dentro, que passou por momentos de turbulência e hoje vive um momento bom. Acho que o torcedor me abraçou, sim. Aliás, ele sempre me abraçou, sempre esteve do meu lado. E hoje acho que eles também podem ver essa evolução que eu tive. Muitos até me falam quando me encontram: "pô, cara, nós não queríamos a sua saída, mas foi muito importante, você voltou muito mais experiente, tirou proveito". Ouvir isso é muito gratificante também.

Esses períodos fora do clube foram muito importantes?

Posso dizer que sou um novo atleta. Tive um amadurecimento grande saindo do Palmeiras. Agradeço ao meu pai por não me deixar acomodar e pensar: "ah, estou no Palmeiras, vou ficar quieto aqui". Eu sabia que eu precisava ganhar experiência, amadurecimento e rodagem, por isso acabei saindo e tive grandes oportunidades fora daqui. Hoje estou muito mais experiente. Hoje entro totalmente seguro nos jogos, entro muito tranquilo.

O clube que você encontrou em 2014 é bem diferente desse de 2018, não é?

É um clube totalmente reestruturado. Não tem comparação com o que vivemos em 2014. Apesar de ser boa em 2014, hoje a estrutura que o Palmeiras tem acho que nenhum outro clube do Brasil tem. Isso faz com que a gente renda mais dentro de campo.

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