Presidente e vice se afastam em meio a divergências e têm almoço por paz

Se em campo tudo caminha conforme o esperado no Santos, com o time classificado às quartas de final do Campeonato Paulista e em segundo lugar no Grupo 6 da Libertadores, fora dele o clima é quente. Divergências afastam o presidente José Carlos Peres do vice Orlando Rollo. Mesmo assim, os dois almoçaram juntos em um restaurante de Santos na última sexta-feira, onde permaneceram por horas, na tentativa de selar a paz.

O tom da conversa foi ameno, mas não houve avanços numa tentativa de reaproximação. A relação do dirigente máximo do Alvinegro com o presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Teixeira, também não é boa. Os entraves entre presidente e vice já haviam sido publicados pelo UOL.

Na noite da última quinta-feira, no Pacaembu, causou estranheza o fato de Peres assistir ao jogo contra o Nacional (URU) nas tribunas do estádio sem a presença de Rollo, que preferiu ficar nas cadeiras. Antes, assistiam aos jogos juntos e publicavam até fotos na internet, bem como fizeram após vitória em clássico contra o São Paulo, no Morumbi. Durante a vitória pela Libertadores, não se falaram.

Há o entendimento de pessoas de dentro do clube de que o gênio forte de ambos dificulta a fluência da relação. O jeito de um não agrada ao outro. Na última gestão, por exemplo, Modesto Roma Júnior tinha ao seu lado Cesar Conforti, um vice-presidente que evitava exposição. Rollo, por sua vez, não se esconde. De personalidade forte, é presença constante nas redes sociais, onde dialoga e rebate críticas. Para os que defendem o vice, o fato de Rollo "dar a cara a tapa" faz com que seja cobrado por atitudes do presidente.

A forte oposição dentro do Santos também não facilita as coisas. Presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Teixeira era apoiador de Modesto na última eleição. Inúmeros grupos se dividem dentro do próprio Conselho.

- Olha, as divergências são comuns nos clubes, acontecem em todos. Tenho certeza que o Santos está funcionando 100%. Isso é uma questão de entendimento e vai ocorrer nas próximas horas. Tudo isso será resolvido. Orlando é meu parceiro e tenho certeza que em breve estaremos de mãos dadas - justificou-se Peres, à Rádio Bandeirantes, logo após a partida no Pacaembu. A promessa foi cumprida e a tentativa de paz aconteceu durante almoço no restaurante Maurício, em Santos.

TV Globo

Uma das principais diferenças entre Peres e Rollo aconteceu na assinatura do contrato com a TV Globo para transmissões de jogos em pay-per-view e TV aberta entre 2019 e 2024 . Peres solicitou a intermediação do Grupo Guia, liderado pelo ex-presidente do Santos, Odílio Rodrigues, rival político de Rollo, no negócio. Rollo não participou da negociação. Do lado de Peres, há o entendimento de que o próprio vice não quis negociar.

Comitê de Gestão

Dentre as reclamações dos opositores de Peres na política santista, acredita-se que dois dos membros do Comitê de Gestão, Pedro Doria e Andrés Rueda, têm mais autonomia política dentro do clube do que o próprio vice-presidente, sendo que sequer fizeram parte da campanha. Embora o colegiado seja composto por sete membros, além de presidente e vice, Rueda e Doria foram os únicos indicados por Peres, em contrato obtido pela reportagem, para tratarem da compra de um terreno em São Vicente. Também estiveram sozinhos com o dirigente em reunião com diretores do Barcelona, em São Paulo. Porém, há o entendimento de que o Comitê, do qual Rollo faz parte, toma todas as decisões importantes em conjunto.

Embora tenha concorrido à presidência em dezembro do ano passado ao lado de José Renato Quaresma, Rueda aceitou o convite feito por Peres para integrar o Comitê de Gestão sem consultá-lo previamente, algo que gerou descontentamento dentro do próprio grupo político e minou a boa relação entre ambos. Na última semana, Rueda organizou uma reunião com "amigos políticos" na qual "prestou contas" do que vem sendo feito no Comitê. Quaresma não foi convidado.

Terreno

E justamente a compra de um terreno para a construção do um novo centro de treinamento é mais uma das divergências políticas no clube. Há quem considere uma loucura investir milhões na construção de um CT diante do pouco dinheiro em caixa. Em contrapartida, há a necessidade de melhorar e expandir o local de trabalho das categorias de base do clube (sub-11, 13, 15, 17 e 20), além do sub-23 e das Serias da Vila, que se dividem entre o CT Meninos da Vila e parte do Rei Pelé.

A primeira proposta enviada por Peres à Associação de Funcionários da Cosipa por uma área de 280 mil metros quadrados em São Vicente foi de R$ 43 milhões. Atualmente, o negócio está travado e tem poucas chances de se concretizar.

Frigobar negado

?Presidente do Conselho Deliberativo do Santos após ser eleito com apenas dois votos a mais do que Otávio Alves Adegas, candidato da situação, Marcelo Teixeira também tem mantido certo distanciamento de Peres. Publicamente, alega que a relação com o dirigente "não é nem boa, nem ruim, é normal". Quando assumiu a presidência do Conselho, teria até mesmo tido um pedido de compra de um frigobar para sua sala na Vila Belmiro negado por Peres por "falta de recursos". As centenas de demissões feitas pelo presidente do clube também não foram bem digeridas pelo nome forte do Conselho.

Caos nas redes e reunião do Conselho

Nas redes sociais, polêmicas tomaram conta dos grupos que envolvem os conselheiros dos Santos. Além de troca de farpas e discussões mais ríspidas Rollo e Peres, algo considerado até certo ponto normal aos que cercam ambos, alguns membros do Conselho têm usado redes como Facebook e Twitter para expor os problemas. Para a turma de Peres, o "caos" nas redes é combustível para fofocas e intrigas gratuitas. Para os de Rollo e outra dissidências da oposição, uma maneira de pressionar o presidente. A próxima reunião do Conselho Deliberativo acontece em 26 de março.

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