'Treina o jogo, joga o treino': Verdão leva conceitos de Roger para o campo

"Treinar o jogo para jogar o treino", costuma repetir o técnico Roger Machado. O Palmeiras colocou isso em prática na avassaladora vitória por 5 a 0 sobre o Novorizontino, no Allianz Parque, e não só porque o jogo de volta das quartas de final do Paulistão acabou virando um treino de luxo.

O time exibiu em campo, mais uma vez, muitos elementos trabalhados por seu treinador. Primeiro deles: o "círculo". Na semana passada, o LANCE! publicou uma entrevista em que Roger explica como gosta de ver sua equipe posicionada:

- Eu costumo dizer que o jogo é um bobinho gigante e móvel. Se tu conseguir preservar a figura do círculo, com sete jogadores pela periferia e três jogadores por dentro, alternando as posições e mantendo a figura de círculo, tu leva vantagem. O círculo não deve ser tão grande a ponto de as conexões ficarem muito longas e nem tão apertado a ponto de quem está dentro da roda roubar a bola. Esse é o jeito que eu vejo futebol. Se tu bater uma foto de cima, tu vai ver que nos melhores momentos do meu time tem seis jogadores do adversário dentro do círculo e que os quatro jogadores de defesa deles estão fora.

Olhando com atenção, foi possível perceber esta figura em diversos momentos da goleada sobre o Novorizontino.

Outro conceito: os atacantes precisam se converter rapidamente em defensores quando o time perde a bola. É assim que o Palmeiras começa a desmontar o jogo de seus adversários. Apesar da vitória por 3 a 0, faltou muito disso no jogo de ida.

Willian, escalado como centroavante porque Borja está com a seleção colombiana, foi perfeito neste quesito no jogo de volta. O placar já apontava 4 a 0 e ele seguia incomodando os zagueiros na saída de bola, uma prova do alto nível de concentração.

- O Miguel participou pouco da fase defensiva no último jogo, em muitos momentos me ouviram chamar a atenção dele na beira do campo. Mas ele tem feito isso com bastante disposição. O importante nesse momento é estar muito concentrado. Qualquer jogador que não esteja concentrado na troca de momento do jogo, da fase ofensiva para a defensiva, vai estar uma faísca atrasado e vai permitir que o adversário consiga romper a primeira barreira de defesa do time, que são os quatro jogadores de frente - explicou Roger.

Mais um fator muito citado pelo treinador: o preenchimento de espaços, algo que se faz muito mais necessário quando a referência é Willian, que não fica fixo na posição de centroavante. Dudu, Keno, Lucas Lima, Bruno Henrique... Vários atletas souberam aproveitar as lacunas deixadas pelos deslocamentos do camisa 29.

- Para mim, o que ficou de relevante foi a engrenagem funcionando bem. Quando você tem um jogador que flutua, é importante que no momento em que ele se ausente da posição de centroavante outros tenham esse desejo de estar perto do gol. O Keno tem esse desejo, o Dudu também tem essa capacidade. Isso me deixou bastante satisfeito - disse Roger.

O Palmeiras foi bem melhor do que o do fim de semana. Foi um Palmeiras bastante parecido com aquele que venceu o São Paulo por 2 a 0, no jogo que virou exemplo de bom funcionamento desta equipe. Foi parecido também com o Palmeiras que venceu o Ituano por 3 a 0, com reservas, no duelo seguinte ao clássico. O desafio é manter este padrão para as decisões cada vez mais difíceis que se aproximam.

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