Richarlison explica choro contra o Chelsea e fala de interesse de grandes

  • Clive Rose/Getty Images

    Atacante diz que chorou porque se irritou com substituição: 'Treinador fez o certo'

    Atacante diz que chorou porque se irritou com substituição: 'Treinador fez o certo'

Contratado por 12,4 milhões de euros (R$ 50 milhões), Richarlison chegou ao Watford cercado de muita expectativa. Apesar de ter apenas 20 anos, o atacante, ex-América Mineiro e Fluminense, correspondeu cada centavo investido e já desperta interesse de gigantes do futebol inglês.

Em entrevista ao LANCE!, o jogador falou sobre o bom início no Watford, sua adaptação no futebol inglês, o jejum de gols que enfrenta na temporada e desabafo após a goleada sobre o Chelsea, quando saiu chorando após ser substituído.

Você chegou ao futebol europeu e parece não ter sentido o peso de jogar na Premier League. Como foi esse primeiro momento pelo Watford? O que mais sentiu dificuldade?

O começo aqui foi muito bom e a boa fase que nós tivemos no começo do campeonato me ajudou bastante nesse processo de adaptação. Tudo é mais fácil quando as coisas estão dando certo. Ainda dei sorte de encontrar pessoas muito bacanas aqui em Londres, como é o caso do Gomes, que foi um irmão mais velho pra mim por aqui.

Desde que você desembarcou na Inglaterra, recebeu muitos elogios pela forma como atuava pelo Watford. Um jornal até o colocou como uma das melhores contratações da temporada. Como vê esse início no clube? Foi além de suas expectativas?

O começo foi muito bom. O time tinha uma expectativa bem mais modesta no início da temporada e chegamos a ficar em quarto na tabela de classificação. Infelizmente, caímos um pouco, mas fizemos bons jogos, vencemos bem gigantes como o Arsenal e o Chelsea, fizemos ótimas partidas contra o Manchester United e o Liverpool no primeiro turno. Individualmente, acho que comecei bem também. Foi além das minhas expectativas porque achei que demoraria um pouco mais pra me acostumar, mas estou pegando o jeito com o passar dos jogos.

Como vem sendo a adaptação na Inglaterra? Está conseguindo lidar bem com o idioma?

Mudar de país é complicado, a vida é bem diferente do Brasil. Aqui faz muito frio no inverno, isso complica um pouco. Além disso, é estranho porque a gente quase não vê sol por aqui. E tem o idioma, que não tem nada a ver com o português. Estou me virando com o inglês. O bom é que no time quase todo mundo fala espanhol e eu já consigo entender alguma coisa de inglês também. Estou fazendo aulas quase todo dia, aos poucos vou aprendendo e melhorando a comunicação com os companheiros.

Logo quando chegou, aplicou uma 'caneta' e um 'lençol' em um mesmo zagueiro, no mesmo lance. Essa jogada foi um verdadeiro cartão de visitas na Premier League?

Foi um lance muito bonito e ficou marcado. Tiveram alguns outros lances bonitos também, mas aquele acho que o pessoal pegou como um cartão de visitas mesmo.

O Watford foi uma das sensações do início do Campeonato Inglês, mas caiu de produção. O que aconteceu com a equipe? O que faltou para manter aquela pegada, na qual o time parecia que disputaria um lugar nas competições europeias?

Olha, é complicado responder isso, até porque nós mesmos não temos certeza do que realmente aconteceu. Eu acho que ficamos mais visados depois do bom início. Mesmo com essa queda, acho que ainda estamos fazendo um campeonato bem digno e buscaremos subir um pouco mais na tabela de classificação para terminar em uma colocação que reflita bem o que fizemos durante essa temporada.

O técnico Marco Silva foi demitido por conta dos maus resultados. Qual foi a importância do treinador português para sua adaptação no Watford? A saída deles pegou vocês de surpresa?

Pegou de surpresa, sim. Me lembro que estava dormindo e o Gomes me ligou para contar da saída dele. O Marco foi muito importante para mim enquanto esteve aqui. Foi ele que me convenceu a me mudar para cá e também me deu muita confiança e moral. Além disso, é um cara que entende muito de futebol e tenho certeza que será um dos grandes treinadores da Europa.

Na goleada sobre o Chelsea por 4 a 1, você foi substituído e chegou no banco de reservas chorando. Como foi aquele momento para você? Foi um desabafo?

Foi um momento difícil, um desabafo comigo mesmo. Analisando depois, de cabeça fria, sei que nosso treinador fez o certo, pois eu já tinha cartão amarelo e o árbitro já tinha ameaçado me expulsar. Mas estava muito confiante de que o gol estava próximo de acontecer e aquilo foi uma mostra de frustração por ter saído durante um jogo que era tão importante para mim. Ao contrário do que alguns imaginaram, não foi nada contra nosso treinador, apenas um sentimento pessoal de que poderia ajudar mais meus companheiros e, quem sabe, fazer um golzinho também.

Você é cobrado no clube por não ter marcado sobre os grandes clubes do futebol inglês?

Eu mesmo me cobro muito, isso começa por mim. No clube não me cobram por fazer gols em grandes clubes, mas por ajudar o time a batê-los. Apesar disso, acho que joguei bem nos jogos contra Manchester, Arsenal, Liverpool e Chelsea, principalmente.

No momento, você vem passando por um grande jejum de gols, sem marcar desde novembro de 2017? Os adversários já estão conhecendo o seu futebol? Como tirar essa 'zica' e voltar a balançar a rede?

Acho que a única forma de quebrar isso é continuar trabalhando e ter a cabeça no lugar. Mesmo sem marcar, venho ajudando meus companheiros e conseguindo fazer bons jogos. Todo atacante vive de gols, comigo não é diferente, e vou buscar acabar com esse jejum. Não posso mentir e dizer que não incomoda, mas é hora de pensar no coletivo e em conseguir uma boa classificação para a equipe na Premier League.

Times como Arsenal, Tottenham e Chelsea já demonstraram interesse em seu futebol. O seu futuro está em Londres? Qual dos três você acredita que teria mais chances de atuar? Qual é sua preferência?

Meu futuro está pertinho de Londres, em Watford (risos). Complicado falar sobre isso, até porque são especulações. Prefiro me focar no trabalho no meu clube e, no dia que tiver de sair daqui, aí sim eu vou pensar em qual equipe me encaixaria melhor e tudo mais. Por agora, prefiro manter a concentração no clube onde eu estou e que me recebeu tão bem.

O técnico Tite deixou algumas vagas da Seleção Brasileira em aberto para a Copa do Mundo. Ainda sonha com um lugar no Mundial? Ou acredita que 2022 é mais viável para você?

Acho que depois dessa última convocação ficou um pouco mais difícil, mas eu não perco as esperanças. Enquanto tiver chance, vou brigar para ir a essa Copa. Mas, para isso, preciso estar jogando o meu melhor por aqui, já que a concorrência na Seleção é pesada para a minha posição. Farei de tudo para que continue em alto nível por aqui e possa chamar atenção do Tite e da comissão técnica. É um sonho vestir a camisa do Brasil. Já consegui no Sub-20, agora quero também integrar o time profissional. Mas tudo no seu tempo.

Tem acompanhado América-MG e Fluminense? O Tricolor sofreu uma grande reformulação no elenco, muitas saídas, polêmicas. Como viu isso? Qual sua expectativa para os dois clubes nesta temporada?

Acompanho os dois times sempre que posso. Tenho um carinho muito grande e deixei muitos amigos nos dois clubes. O Fluminense perdeu muitos jogadores, mas o Abel é um grande treinador e sabe como tirar o melhor de quem está lá. O time já está fazendo uma Taça Rio bem melhor do que foi a Taça Guanabara, e tem tudo para deslanchar. Já o América vem muito constante desde o início do ano no Mineiro e manteve uma base do time que subiu ano passado. Espero que os dois times possam fazer uma bom Brasileirão esse ano e brigar por posições na parte de cima da tabela.

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