Bruno Henrique lista 5 motivos para boa fase e espera jogar ainda melhor

Não foram poucos os palmeirenses que torceram o nariz quando souberam que a entrada de Bruno Henrique seria a principal novidade da equipe no jogo seguinte à derrota por 2 a 0 para o Corinthians, contra o Junior Barranquilla (COL). Quem criticou queimou a língua: o camisa 19 marcou dois gols naquela noite, firmou-se como titular na vaga de Tchê Tchê e é um dos pilares da boa fase da equipe, que abre a semifinal do Paulistão às 19h deste sábado, contra o Santos, no Pacaembu só com torcida adversária.

Bruno Henrique sabe que não deixou uma boa impressão em seus primeiros meses de Palmeiras, e cita o longo período sem férias como o principal motivo para isso. Nesta entrevista ao LANCE!, ele listou cinco motivos para sua atual boa fase e mandou um recado para o torcedor:

- O torcedor pode esperar muito mais. Eu espero crescer muito no Palmeiras ainda, melhorar em todos os aspectos. Eu espero fazer um grande ano aqui.

1) Preparo físico

Desde o fim de 2015 até o fim de 2017, período que passou sem tirar férias, Bruno Henrique fez 90 partidas: 40 pelo Corinthians, 33 pelo Palermo (ITA) e 17 pelo Palmeiras. O descanso veio em boa hora.

- O Palmeiras tem todos os nossos dados de treinamentos, de jogos. Eu sei quais são meus números quando eu estou no meu melhor nível, e no ano passado eu sentia que não estava conseguindo mais. Mas eu não tinha o que fazer, porque a gente estava em competição, não tinha como descansar. No ano passado eu não estava mesmo no meu melhor. Essa pausa do fim do ano foi fundamental - disse.

Bruno é, neste momento, o atleta com maior sequência de jogos do elenco: ele soma seis partidas consecutivas como titular, sendo que ficou em campo por 90 minutos nas últimas quatro.

2) A experiência na Europa

Bruno Henrique admite que a passagem pelo Palermo ficou distante do esperado, mas valoriza o aprendizado que teve em uma temporada no futebol italiano. Lá, ele teve de lidar com um problema que parecia inimaginável longe do Brasil: a rotatividade insana de treinadores.

- Aqui no Brasil os clubes costumam trocar bastante de treinador, mas nunca vivi tanto isso quanto lá no Palermo. A gente teve cinco trocas em uma temporada lá, isso dificultou um pouco. É melhor quando você trabalha mais tempo com um treinador, conhece a característica. Eu não entendia muito bem essa rotatividade de treinador - conta.

- O presidente do clube estava diretamente ligado ao futebol. Às vezes o treinador fazia uma coisa que não agradava e ele mudava. Mas os treinadores italianos em si têm uma característica própria, de focar bastante na parte tática. Apesar que um deles é uruguaio, mas jogou a carreira toda na Itália e tinha praticamente a mesma característica. Para mim foi um aprendizado muito grande.

A turbulência do Palermo e o projeto palmeirense, somados, motivaram Bruno a retornar ao Brasil no meio do ano passado. Com dinheiro da Crefisa, o Palmeiras o comprou por cerca de R$ 14 milhões.

3) O posicionamento

Bruno Henrique soma três gols em 11 partidas nesta temporada, sendo que todos saíram na atual sequência de seis jogos como titular: dois contra o Junior Barranquilla, pela Libertadores, e um contra o Novorizontino. No ano passado, ele atuou 17 vezes e marcou só dois gols. A liberdade concedida por Roger agrada.

- Esse ano estou jogando de uma maneira diferente. No ano passado, a gente jogava praticamente com três ali no meio. Hoje, apesar de o Lucas vir buscar bastante a bola, estamos jogando praticamente com dois volantes, que somos eu e o Felipe, lado a lado, O Lucas fica um pouco mais adiantado. Esse tipo de sistema permite que você chegue mais na frente. Tanto eu quanto o Felipe. Claro que estou sempre revezando com ele, nunca subimos juntos, mas isso me ajuda bastante nessa característica - disse o camisa 19.

- Eu gosto de poder chegar, finalizar, dar um passe, construir jogadas que criam algum perigo. É uma característica minha. E o sistema de jogo que o Roger implementou permite que isso aconteça. Não sei qual foi a temporada em que mais fiz gols, não tenho os números, mas estamos no começo do ano e já tenho três gols, é muito bom. Estou tendo chances sempre, e fico muito feliz por poder ajudar a equipe.

Roger Machado diz que colocou Bruno Henrique na vaga de Tchê Tchê porque, com ele, consegue ter mais força na marcação sem perder chegada ao ataque. Os números da equipe nos seis jogos após essa mudança comprovam que deu certo: o Palmeiras marcou 16 gols, três deles marcados por Bruno, e sofreu só um, diante do São Caetano.

- Fico feliz pelo desempenho que a nossa equipe vem apresentando. Essa é uma característica minha também, fazer essa proteção à zaga. O Felipe e eu temos feito isso e, nos últimos jogos, estamos criando a característica de fazer uma marcação ainda mais forte, mais adiantada. Quanto mais jogamos, mais nos fortalecemos.

4) O fator Roger

Bruno não poupa elogios ao treinador do Palmeiras. Para ele, trata-se de um profissional completo:

- Acho o Roger um treinador muito inteligente. Ele é inteligente no sentido tático, nos treinos, e fora de campo também, trabalha muito bem o emocional dos jogadores, conversa bastante, fala muito bem. Acho que é um treinador completo - diz ele, antes de endossar o discurso do treinador de que é preciso evoluir sempre.

- A gente precisa melhorar muito ainda. O Roger vem batendo nessa tecla com a gente, de melhorar a cada jogo para atingir um nível muito alto no fim do ano. Fizemos bons jogos, mas esse não é o nosso ideal ainda.

5) A torcida do Palmeiras

Bruno Henrique vestiu a camisa do Corinthians de 2014 até 2016 e foi campeão brasileiro pelo maior rival do Palmeiras. Além disso, acabou sendo personagem da derrota por 2 a 0 no Dérbi do primeiro turno do Brasileirão do ano passado, disputado no Allianz Parque, já que cometeu um pênalti. Muitos torcedores, obviamente, o hostilizaram. Mas a quantidade de mensagens de incentivo chamou a atenção do meio-campista.

- Mesmo no ano passado, quando tinha bastante crítica, eu recebia bastante coisa positiva. Isso foi bem legal por parte da torcida do Palmeiras. Muitos torcedores falavam para não abaixar a cabeça, foi bacana - disse ele, que às vezes preferia nem olhar os comentários de suas publicações em redes sociais.

- O Palmeiras é um clube muito grande. Quando você não corresponde à expectativa, o torcedor te critica. Aí chegam coisas pesadas, melhor a gente nem olhar. Mas procurei absorver isso da melhor maneira possível. O torcedor é emoção e paixão o tempo todo. Eu sabia que não estava no meu ideal no ano passado. Esse ano estou trabalhando muito forte desde o começo do jogo para estar no meu nível mais alto.

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