Reforços, dívidas e muito mais: Peres abre o jogo com conselheiros do Peixe

O presidente José Carlos Peres passou boa parte da noite da última segunda-feira dando satisfações ao Conselho Deliberativo do Santos, em reunião que durou horas na Vila Belmiro. Estiveram presentes 226 conselheiros do clube, que encheram o mandatário de questionamentos. Dentre os assuntos mais importantes, o atual homem forte do clube alvinegro falou sobre a enorme dívida que encontrou quando assumiu a gestão, em janeiro deste ano e admitiu que será difícil a contratação de mais reforços. Peres ainda avisou que a auditoria "Lava-Peixe" já está sendo feita, em alusão à "Lava-Jato", conjunto de investigações realizadas pela Polícia Federal.

Confira as declarações:

Dívida do Santos

É absurdamente impagável (R$ 402 milhões). Alguém precisava assumir e mexer em pontos que até hoje causam reação na cidade. Entendo que o Santos abriga muita gente com emprego no clube. Nosso patrão está quebrado, sem dinheiro, e chega no dia do pagamento fazendo das tripas coração. Dinheiro do patrão não é meu e seu, é do patrão, o patrão Santos. Temos que dar as mãos e fazer o que estamos fazendo. Santos tem uma máquina enorme, três quatro vezes maior. Tem que enxugar doa a quem doer.

O Santos ainda vai contratar jogadores?

O Santos pode contratar? Claro que existem possibilidades. A janela está aberta, mas temos limitação de orçamento e dinheiro. É difícil contratar sem dinheiro no bolso.

E as contratações já feitas?

São outros tempos. A exigência hoje é grande. Buscamos Gabigol, Sasha e Dodô. Três titulares. Não erramos. E fizeram 170 e poucas contratações na última gestão de gente que nem estreou. Temos elenco com vários jogadores que não sabemos o que fazer. Existe contrato e lei é perversa. Se contrata por três anos e manda embora em seis meses, e pagamos por três anos. Pagamos Enderson Moreira, técnico do Santos há vários anos. Boca entrou na dívida zero. Temos que aumentar receitas e diminuir custos.

Terreno em São Vicente

Foi um trabalho feito por Andres Rueda e Pedro Doria. O Santos não colocaria um centavo. Fizemos proposta e colocamos um item que só valeria após a aprovação do Conselho. Não passamos por cima. Queríamos trazer prato pronto para aprovação. Já foi vendido por R$ 40 milhões à vista. A oferta era de R$ 20 milhões de sinal por uma empresa, com empreendimento lá, um shopping, e isso que aconteceu. E agora não terá negócio.

*Nota da redação: o LANCE! antecipou aqui os motivos que fizeram com que o negócio desse errado.

Novo gerente de marketing

Contratamos hoje (nesta segunda-feira). É um nome do mercado que vem para aumentar as receitas. Tem experiência no Maracanã e grandes estádios. Tem experiência em patrocínios

O que fazer durante a Copa do Mundo?

O Santos precisa internacionalizar. Real Madrid, Manchester, Barcelona... Todos ganham muito dinheiro assim. E estão investindo no Brasil também. Temos que agir. Temos um convite para o período da Copa do Mundo, nos EUA, e vai participar Toronto, Atlanta e o Santos. Estamos negociando valores. Santos merece mais. Negociamos com o México sobre amistosos. Brasil é o único pais com poucos jogadores no México. E lá são os mais ricos da América do Sul.

Pacaembu ou Vila Belmiro?

A Vila Belmiro é nossa meca, sou apaixonado. Tem que ser um "retro fit" na nossa Vila para sempre. Ninguém está levando o Santos para São Paulo. Sobem milhares e milhares de carros de pessoas de Santos trabalhando em São Paulo. Se sobem, não estão abandonando Santos. Nós arrecadamos dinheiro, ganhamos em aumento de torcida. Sem essa divisão de São Paulo e Santos. São 70 quilômetros e uma torcida só. Colocamos torcida em São Paulo. Torcida de outros times. Santos tem o maior potencial de crescimento no Pacaembu. Precisamos entender o motivo dos santistas não irem ao estádio. Banheiros e cadeiras não limpas? Falta de conforto? É hospitalidade e temos que entender. Conto com Santos para lotar e mostrar para São Paulo. Tenho um estudo desde 1965 e foi raro colocar mais de 10 mil na Vila. Colocamos final com 65 mil no Morumbi. Ninguém tem paixão pelo Pacaembu. Podemos lotar o Morumbi também se tiver uma final lá. Não sei a quem essa divisão interessa. Há uma paixão que nos une. Temos que dar as mãos.

Contratação de Gabriel

Ganho está aí. É artilheiro, está tendo boa performance. Veio da Europa com salário de Brasil. Isso é importante todos saberem. Foi uma oportunidade. Uma negociação dura. A Inter de Milão é cuidada por chineses. E é difícil tirar jogadores de lá. Eles alegavam a venda de R$ 60 e poucos milhões. E equivale a um contrato de cinco anos para eles. Foi difícil, conseguimos e era um desejo da torcida do Santos. Torcida reclama por reforços. E mesmo com a chegada do Gabigol, ainda há dúvida. Gabigol é ganho técnico, de imagem, meninos estão voltando a ver jogos. Juventude vai muito pelo videogame. Ou camisas de times da Europa. Então temos que mudar essa situação que não é boa para o clube.

Corte de ídolos

Ninguém corta de graça. Fomos obrigados a cortar ídolo porque custa dinheiro e às vezes não tem função. Época de contratações políticas acabaram. Abrimos lista de funcionários para quem quiser. A quem puder ajudar, minha porta está aberta. Não fui picado por mosquitinho. Posso atender cada um de vocês. Estamos há 90 dias só resolvendo problemas. Não perdemos jogadores e contratamos e pagamos em dia. Economizaremos R$ 29 milhões ao ano. Foram cortes que não agradaram a todos. É ruim. Eu não durmo em casa por ter cortado alguém. Cada um levamos o problema para casa. É que nem o médico com paciente morre.

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