Líder de passes certos e xodó de Abel: Jadson reencontra bom futebol no Flu

  • Thiago Ribeiro/AGIF

Primeiro reforço do Fluminense nesta temporada, ao lado de Gilberto, o volante Jadson não tardou para assumir a titularidade e cair nas graças da torcida. Líder de passes certos do Campeonato Carioca, com 595 (Igor Rabello, do Botafogo, aparece em segundo, com 583), o camisa 16 se tornou um dos pilares do meio de campo montado pelo técnico Abel Braga e se destaca por sua versatilidade. Na final da Taça Rio, por exemplo, chegou a atuar mais avançado, após a saída de Sornoza, marcando o terceiro gol da partida.

"Se o Abel precisar, procuro ser útil. Independentemente da posição, procuro dar o melhor, gosto de ser versátil. Foi o meu primeiro gol com a camisa do Fluminense. Em termos de números (líder de passes certos), é algo novo, mas é algo que sempre venho buscando. Atingir nesse ano é um exemplo de que estou no caminho certo e estou evoluindo", disse Jadson, em entrevista ao LANCE!.

O volante revelou que o esquema com três zagueiros - o Fluminense tem atuado no 3-5-2 - também tem contribuído para os bons números até o momento. A movimentação e entrosamento com o lado direito da equipe, onde atuam Renato Chaves, Gilberto e Marcos Júnior, é um dos fatores que colabora para a boa fase do atleta.

"Acho que tem ajudado mais na movimentação, a forma como a gente se comporta em campo. Acho que o 3-5-2 também é um fato para isso. É fácil encaixar com jogadores que compreendem o jogo e se movimentam bastante, são inteligentes. Então, acho que essa maneira de se comportar em campo, compreender o jogo, que o treinador está pedindo, ajuda muito", afirma.

Mas não só de alegrias e bons resultados vive a temporada de Jadson. Na última quinta-feira, o Fluminense se despediu do Campeonato Carioca após ser derrotado por 3 a 2 para o Vasco, com gol sofrido no último minuto da partida. O volante citou a desatenção da equipe na semifinal, mas prefere tirar como lição para o restante da temporada.

"Acredito que o aprendizado da semifinal é que a gente têm que estar concentrado até o juiz apitar o final do jogo, não pode desligar nem um minuto da partida. Desligamos um pouco nos últimos minutos e acabamos levando dois gols (Paulinho, aos 25, e Fabrício, aos 50)", lamentou o jogador.

Apesar da eliminação, o volante celebra a sequência de bons resultados conquistados pelo Fluminense até o momento e lembra que isso é importante para que o torcedor, que começou o ano recheado de desconfianças em relação ao time, volte a acreditar na equipe.

"É importante para mostrar que estamos no caminho certo, que acreditamos no trabalho, que estamos nos dedicando bastante para que os resultados aconteçam e que, consequentemente, a gente possa levar mais torcedor ao estádio. É bom que o torcedor volte a confiar no elenco, no clube. Então, isso é importante para mostrar que estamos trabalhando sério", finalizou.

Foco na Sul-Americana

O Fluminense volta a campo apenas no dia 11 de abril, quando enfrenta o Nacional de Potosí, pela Copa Sul-Americana. Assim como no ano passado, o torneio é tratado como uma das prioridades da equipe para a temporada. Jadson mantém o foco e quer usar a competição para dar alegrias à torcida.

"Temos que trabalhar para conseguir uma sequência boa na Sul-Americana e no Brasileiro. Temos a consciência que o trabalho está sendo bem feito e temos que continuar nos dedicando. Infelizmente não conseguimos classificar para a final (Campeonato Carioca), mas ainda temos o resto do ano pela frente para fazer alguma coisa boa e dar alegria para a torcida", declarou.

Sem medo da concorrência

Quando precisou atuar com uma equipe alternativa (diante da Cabofriense, na Taça Rio), Abel Braga escalou a dupla de volantes com Airton e Douglas, e se mostrou satisfeito com o rendimento de ambos. A concorrência, porém, não assusta Jadson, que salienta a necessidade de uma boa disputa interna para o crescimento do elenco.

"É bom ter disputa até para crescer. Se não, acaba ficando um pouco acomodado e deixando cair o ritmo. Isso é natural do ser humano. Quando se tem alguém que está ali, no mesmo nível que você, se dedicando, trabalhando e te impulsionando a crescer isso é muito bom e é o que está acontecendo aqui", comentou.

Reencontro com Autuori e xodó de Abel

Ao chegar no Fluminense, Jadson reencontrou com Paulo Autori, com quem havia trabalhado no Atlético-PR, entre 2015 e 2016, quando ele era então treinador do Furacão. Atualmente, ocupa a posição de diretor de futebol do Tricolor. O jogador elogiou o profissional e mostrou confiança em seu trabalho.

"Quando você trabalha com um profissional, independentemente de qual seja, quando volta a trabalhar com ele, já está acostumado à metodologia que ele prega. Então, é diferente de quando vai trabalhar pela primeira vez. Confio bastante no trabalho que ele fez, que ele já vinha fazendo antes no Atlético. Então, sou um cara que me adapto bastante à filosofia dele. Pesa bastante ter ele aqui", afirma.

Esta, porém, é a primeira que ele está ao lado de Abel Braga, mas garante que a experiência está sendo muito positiva. O volante virou o xodó do treinador, sendo constantemente elogiado durante coletivas e entrevistas, além de ser visto como peça importante nas mudanças de esquemas que o treinador impõe durante as partidas.

"Nunca tinha trabalhado com ele, mas é parecido com o Paulo. É um cara mais experiente, vencedor, que tem ideias que tenta implantar e são boas, não só para o futebol, mas como para o Brasil. É um cara que preza o ser-humano antes do jogador. Isso é importante e acredito que vai dar muito certo", comemorou.

Elogios a Wendel

Jadson chegou ao Fluminense com a difícil missão de ocupar a vaga no time deixada por Wendel, cria das categorias de base do clube e que foi vendido para o Sporting, de Portugal. Abel, inclusive, já fez comparações entre eles, afirmando que ambos têm características parecidas. O camisa 16, porém, prefere afirmar que tem o seu próprio estilo em campo e ressalta que vai continuar lutando para conquistar seu espaço.

"O Wendel é um grande jogador, apesar de ser jovem, fez grandes jogos, teve grandes números ano passado. Ele tem uma característica dele. Cada jogador tem uma característica, às vezes, tem jogadores com característica parecida, mas não igual. Eu procuro fazer meu trabalho. O que o Wendel fez aqui ninguém vai apagar, é uma prata da casa, mas eu procuro fazer meu trabalho, seguir meu caminho e conquistar meu espaço",.

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