Tevez contestado, crise pós-final e título argentino perto: como o Boca chega para pegar o Palmeiras

Passados 17 anos desde a semifinal de 2001, Palmeiras e Boca Juniors voltarão a se encontrar em uma Libertadores nesta quarta-feira, às 21h45, no Allianz Parque. Como os xeneizes chegam para este confronto?

O time comandado por Guillermo Barros Schelotto, que era atacante do clube nos duelos do início do século, perdeu por 2 a 1 para o Defensa y Justicia no fim de semana, em casa, mas está perto de faturar o bicampeonato nacional. Na Libertadores, vem de empate sem gols com o Alianza Lima, no Peru, e vitória por 1 a 0 sobre o Junior Barranquilla, em Buenos Aires. Com quatro pontos, dois a menos que o Verdão, é vice-líder do Grupo 8.

- O Boca tem de validar o que fez em casa na semana passada, quando venceu o Junior Barranquilla. É uma grande oportunidade para que a equipe encaminhe a classificação e passe a focar diretamente no campeonato local, onde tem sete pontos de vantagem com 15 a serem disputados - diz o jornalista Tomás Nelson, apresentador do programa "MuyBoca Radio".

- Acredito que alguns torcedores do Boca recordarão de Borja por seu passado no Olimpo (ARG). Obviamente, estão todos esperando uma parada difícil, pela grandeza do Palmeiras e por tudo o que implica emocionalmente para o Boca ir jogar no Brasil depois de um ano sem disputar a Libertadores - emendou.

Tevez no banco após lesão polêmica

A presença de Carlitos Tevez é a maior novidade na lista de relacionados do Boca. O camisa 10, que iniciará entre os reservas, acaba de se recuperar de uma polêmica lesão na panturrilha direita: há um boato de que ele se machucou jogando uma pelada em uma prisão, em Córdoba, onde teria ido visitar um irmão na companhia do atacante Abila, ex-Cruzeiro.

- Estava fazendo um trabalho de potência na academia. Saí da maquina e senti uma dor. Fui ao campo aquecer para o treino, não estava incomodando tanto, e voltei a sentir. Se eu tivesse me lesionado fora do clube, não seria tão estúpido de dizer que foi na academia. Daria um pique e diria que foi no aquecimento - explicou o ex-corintiano, em uma entrevista à TyC Sports.

O Boca jogará com Rossi, Jara, Goltz, Magallán e Fabra; Barrios e Pablo Pérez; Reynoso, Cardona e Pavón; Abila. O ex-são-paulino Buffarini também estará no banco.

Tevez é o craque do time?

É mais correto dizer que este posto pertence ao jovem atacante Cristian Pavón, de 22 anos, autor de cinco gols no atual Campeonato Argentino e um na Libertadores, que garantiu a vitória por 1 a 0 sobre o Junior Barranquilla.

- Pavón, hoje, é o ponto mais alto na equipe de Guillermo. Ele fez grande partida contra o Junior, resolvendo com um gol magistral - opina Tomás Nelson.

Outro destaque é o volante colombiano Wilmar Barrios, que tem boas chances de defender a sua seleção na Copa do Mundo ao lado do companheiro Frank Fabra, um ofensivo lateral-esquerdo que é fã de Cafu e Ronaldo.

Tevez ainda não conseguiu deslanchar após retornar do Shangai Shenhua, da China, em janeiro. Antes de se lesionar, ele vinha recebendo críticas pelo desempenho como centroavante, posição à qual Schelotto está tentando adaptá-lo.

- Quero jogar como meia, mas faço o que o treinador pede e o que a equipe necessita. Mesmo que jogue mal, não vou dizer que não quero jogar de 9. Guillermo me explicou que quer que eu pegue a bola mais perto da área para causar mais danos ao adversário. O treinador estuda os rivais, então nós temos que fazer o que ele manda - disse Tevez à TyC Sports.

Tevez acumula três gols em nove jogos nesta passagem pelo Boca. Ele ficou fora das últimas quatro partidas.

Final contra o rival? O Boca também perdeu...

O Boca atravessou uma forte turbulência após perder a Supercopa Argentina para o River Plate, seu maior rival, em março. Definida em jogo único, a disputa reuniu o campeão do último torneio local (no caso, o Boca) e o campeão da Copa Argentina (River).

Alguns fatores aumentaram o peso da derrota por 2 a 0. O Boca já havia caído diante do River na semifinal da Sul-Americana de 2014 e nas oitavas de final da Libertadores de 2015, competições que terminaram com o rival campeão. Além disso, essa foi apenas a segunda vez que os dois maiores clubes do país se enfrentaram em uma final - a outra foi em 1976, com título do Boca no Campeonato Argentino.

A imprensa argentina noticiou que Daniel Angelici, presidente do clube, teve uma dura reunião com os jogadores no dia seguinte à derrota e exigiu o título da Libertadores. Nem Carlitos escapou: o dirigente disse em uma entrevista que só o nome não adianta. O meia Edwin Cardona, que cometeu o pênalti do primeiro gol do River e falhou no segundo, foi muito criticado por torcedores.

Cuidado com os minutos finais

Os dois jogos seguintes à queda diante do River amenizaram um pouco a crise. O empate por 1 a 1 com o Tucumán, fora de casa, veio com um gol de Walter Bou nos acréscimos do segundo tempo. O mesmo aconteceu na vitória por 2 a 1 com o então vice-líder Talleres, na Bombonera, em jogo que foi tratado como final pela imprensa local. Pablo Pérez foi quem garantiu a vitória em cima da hora, e a diferença entre as equipes passou a ser de nove pontos, com 18 em jogo.

A retomada se manteve na vitória sobre o Junior Barranquilla, pela Libertadores, mas foi interrompida no tropeço do último fim de semana diante do Defensa y Justicia. A diferença para o segundo colocado, que agora é o Godoy Cruz, caiu de nove para sete pontos.

O time que jogou no sábado tinha três diferenças em relação ao que atuará nesta quarta: Buffarini dará lugar a Jara na lateral-direita; Nández, ainda suspenso pela briga com palmeirenses quando defendia o Peñarol, será substituído por Pablo Pérez; e Walter Bou deixará a função de centroavante a cargo de Abila.

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