'Assalto', 'esquema', 'pressão': como a imprensa narrou a última visita do Palmeiras a Bombonera

Dia 7 de junho de 2001. A noite da partida de ida da semifinal da Copa Libertadores daquele ano foi a última do Palmeiras no estádio La Bombonera, casa do Boca Juniors (ARG), considerada um dos templos do futebol mundial, palco que o Verdão voltará a visitar nesta quarta-feira, às 21h45, pela quarta rodada da fase de grupos da principal competição sul-americana. Foi o dia em que o Palmeiras ficou duas vezes à frente no placar e o Boca precisou, além de sua fanática torcida e de um forte time, da arbitragem do paraguaio Ubaldo Aquino para conseguir o empate em 2 a 2, em Buenos Aires.

Não à toa o apelido do árbitro entre os torcedores brasileiros virou "Robaldo" Aquino após aquela partida. O paraguaio foi um dos protagonistas do jogo que também teve o meia Alex inspirado. Foi dele o gol que abriu o placar para o Palmeiras logo aos 18 minutos de jogo. Um chute certeiro, de dentro da área.

Com nomes que estão na história do Boca, como Córdoba, Ibarra, Riquelme e Schelotto, a equipe xeneize do começo do século buscava o bicampeonato da Libertadores um ano depois de bater justamente o Palmeiras na final, em 2000. Decisão que acabou nos pênaltis, no Morumbi, após empate sem gols seguido de outro, em 2 a 2, na Bombonera. O enredo seria parecido em 2001...

Mas ao contrário do jogo de ida da final, quando teve de buscar o empate duas vezes, no reencontro, na semi, foi o Palmeiras quem ficou sempre à frente. "Apesar da violência, principalmente de Serna (volante), o Palmeiras dominava o jogo, tocava a bola, só não acertava o chute. Até que Alex tentou... Não tinha para a Bombonera, não tinha para o Boca. Mas tinha o árbitro paraguaio Ubaldo Aquino", diz o texto do repórter da TV Globo, César Augusto, na época.

Um pênalti inexistente do zagueiro Alexandre em Barijho foi marcado aos 42 minutos da primeira etapa. Galvão Bueno, na transmissão da partida, narrou ao ver a jogada: "ele se jogou na área e o juiz deu pênalti". A opinião foi endossada pelo comentarista Arnaldo Cezar Coelho. "O jogador do Boca colocou o corpo na frente, e se joga. É a pressão da torcida", comentou.

"Não foi nada, o jogador argentino caiu. É vergonhoso, o juiz está arrumando o esquema dele, está com medo", disse, na transmissão da TV Bandeirantes, o então comentarista Rivellino. Não adiantou chorar. Guillermo Schelotto, que hoje é treinador do Boca, converteu o pênalti e empatou a partida em 1 a 1.

A resposta do Palmeiras veio logo na volta do intervalo, com Fábio Júnior. O atacante recebeu de Magrão e tocou na saída do goleiro Córdoba.

O Palmeiras não teve muito tempo para comemorar a nova vantagem. Dois minutos depois da saída de bola, o Boca Juniors voltou a igualar o placar, em linda jogada do craque Riquelme. O lance terminou no gol de Barijho, que deveria ter sido expulso na primeira etapa por um pisão na mão do palmeirense Marcos, em disputa de bola dentro da área.

Mas os erros do apito não tinham terminado. "Ubaldo Aquino voltou a ajudar o Boca. Não marcou pênalti em Fernando", registou a matéria da TV Globo. Na Bandeirantes, o jornalista Fernando Vanucci foi ainda mais duro no texto que contou os fatos da partida. "O árbitro conseguiu estragar o jogo e deixou um gosto amargo na boca dos visitantes. Em futebolês claro, foi um dos maiores assaltos da história".

Fernando, o volante, tentou driblar Córdoba, na área, e foi derrubado pelo goleiro. A narração de Luciano Do Valle, na hora do lance, chamou para a penalidade. "Olha o Palmeiras, é pênalti! Penalidade máxima!", seguida de um susto. "Ele não deu?". O comentarista Rivelino respondeu "não" e completou: "é brincadeira o que esse homem (Aquino) está fazendo. Ainda deu cartão amarelo para o Fernando", afirmou. Sim, Fernando foi advertido por "simulação". "Você perde até a vontade. Não dá para entender", comentou Do Valle na transmissão.

Fernando ainda acabou expulso, assim como Barijho, em desentendimento dos jogadores no fim da partida. O Palmeiras teve de se contentar com o empate. Na volta, no Palestra Itália, Riquelme teve atuação espetacular e conduziu o Boca a um placar de 2 a 0 logo no início. O Verdão buscou o empate e a decisão, assim como em 2000, foi para os pênaltis. E assim como no ano anterior, Córdoba brilhou e os argentinos venceram a disputa. O Boca conquistou outra vez a Libertadores na final, contra o Cruz Azul (MEX).

Em 2018, após o empate em 1 a 1 há duas semanas, no Allianz Parque, o que está em jogo na Bombonera nesta quarta é a liderança do Grupo 8. O Palmeiras hoje está na ponta, com sete pontos, seguido do Boca, com cinco. O empate mantém o Alviverde na primeira colocação, a duas rodadas do fim (a equipe ainda terá pela frente Alianza Lima, fora, e Júnior Barranquilla, em casa). A arbitragem nesta quarta será comandada pelo chileno Roberto Tobar.

O Palmeiras nunca venceu na Bombonera. Foram quatro empates e uma derrota (fase de grupos da Libertadores de 1994, por 2 a 1) em cinco duelos entre Verdão e argentinos no tradicional bairro de La Boca.

FICHA TÉCNICA

BOCA JUNIORS 2X2 PALMEIRAS

Data: 7 de junho de 2001

Local: La Bombonera, Buenos Aires (ARG)

Árbitro: Ubaldo Aquino (PAR)

Cartões amarelos: Traverso, Schelotto e Riquelme (Boca) e Marcos, Arce, Galeano e Basílio (Palmeiras)

Cartões vermelhos: Barijho (Boca) e Fernando (Palmeiras)

Gols: Alex (18'/1ºT - 0x1), Schelotto (42'/2ºT - 1x1), Fábio Júnior (7'/2ºT - 1x2) e Barijho (9'/2ºT - 2x2)

BOCA: Córdoba; Ibarra, Bermúdez, Burdisso e Matelllán; Traverso, Villarreal (Gaitán), Serna e Riquelme; Schelotto (Gimenéz) e Barijho. Técnico: Carlos Bianchi.

PALMEIRAS: Marcos; Arce, Alexandre, Leonardo de Paula e Felipe (Taddei); Galeano, Magrão, Fernando, Lopes (Basílio) e Alex; Fábio Júnior. Técnico: Celso Roth.

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