Mentor e polêmica em Portugal: veja a relação do técnico do Irã com CR7

- Vamos chegar a um acordo. Você nasceu para ser o melhor jogador do mundo. Se estiver disposto a trabalhar e caminhar para ser o melhor do mundo, estou disposto a trabalhar com você. Há um preço a pagar na vida quando se quer ter sucesso. Vá para casa, pensa e amanhã conversamos e começamos um novo dia de trabalho. Você já é um ótimo jogador, mas tornar-se o melhor é outra coisa.

A declaração acima foi endereçada a Cristiano Ronaldo em 2004, depois de um treino do Manchester United. Quem a disse, e a revelou em recente entrevista ao jornal espanhol El País, foi o português Carlos Queiroz, então auxiliar do time inglês e, hoje, técnico do Irã, adversário de Portugal na segunda-feira e que pode tirar o país do atual melhor jogador do planeta logo na primeira fase da Copa do Mundo se vencer.

O trecho evidencia uma relação próxima e, hoje, estremecida entre Queiroz e Cristiano Ronaldo. O treinador costuma dizer que já o admirava desde o começo da década passada, enquanto ainda defendia o Sporting Lisboa. Mas a sua passagem comandando a seleção portuguesa, entre 2008 e 2010, gerou um racha aparentemente ainda não resolvido. Tanto que, nos dois últimos anos, Queiroz teve de se explicar por ter votado em Messi como melhor do mundo, alegando que é um consenso entre treinadores de clubes do Irã.

Há dez anos, Queiroz foi escolhido para substituir Luiz Felipe Scolari, tendo como um dos trunfos a sua proximidade com o astro, eleito o melhor do mundo pela primeira vez exatamente naquele ano. Mas o relacionamento foi ruindo, com rompimento evidenciado logo depois da eliminação de Portugal na Copa do Mundo de 2010, para a Espanha, nas oitavas de final. Capitão, CR7 foi questionado após o jogo sobre os problemas do time e limitou-se a dizer "perguntem a Carlos Queiroz". E o treinador acabou deixando o cargo.

Queiroz diz não carregar mágoas, mas que não falou mais com o astro desde então. Hoje, sempre que questionado, prefere apontar seu dedo na formação de quem foi eleito o melhor do mundo cinco vezes. Afirma que seu estilo de treinamento fez Cristiano Ronaldo evoluir para chegar ao nível atual, inclusive atuando ativamente, como na conversa que revelou que teve em Manchester, há 14 anos.

Carlos Queiroz era auxiliar do técnico Alex Ferguson no Manchester United no início da década passada e deixou o cargo para assumir o Real Madrid em 2003, exatamente quando o clube inglês contratou CR7 do Sporting. Queiroz diz que já estava de olho no atacante e Ferguson, o conhecendo, resolveu levá-lo antes que o português o pedisse na equipe de Madri.

Queiroz ficou apenas uma temporada no Real Madrid. Não deu certo e voltou a ser auxiliar de Ferguson no Manchester United, acompanhando Cristiano Ronaldo de perto até assumir a seleção portuguesa, em 2008, e iniciar a trajetória que o afastou do craque. Mas sem nunca deixar de ser fã, como evidenciou ao El País em entrevista divulgada no começo deste mês.

- Uma das coisas em que começamos a trabalhar foi para chegar à área. Eu dizia: 'Cristiano, você tem um gol, mas não pode só marcar gols de fora da área, sendo um jogador de assistência, entregando a bola para os outros. É na área que você pode fazer a diferença, ter um impacto maior e mostrar por que você vai se tornar o melhor do mundo' - contou Queiroz, apontando outra evolução.

- Jogadores como Cristiano e Figo querem a bola no pé, mas os jogadores se afirmam com e sem a bola. Essa foi a transição do Cristiano. Ele não pode estar sempre no piano, no violão, no violino e na bateria porque, no final, o professor tem que liderar o coletivo fazendo um impacto, por exemplo, fazendo os gols. No final, a equipe trabalha funcionalmente ao seu redor. Isso não está disponível para todos, só está ao alcance daqueles que são do futebol. Como Cristiano, Messi, Eusébio, Pelé...

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