Contra 1ª vítima, CR7 é controlado pelo mestre, erra e até leva cartão

O mestre segurou o pupilo nesta quarta-feira, em Saransk, e gerou a pior atuação de Cristiano Ronaldo nesta Copa do Mundo. O técnico Carlos Queiroz, português que comanda o Irã, acompanhou o crescimento do astro de perto na década passada, no Manchester United. Hoje, como adversário, conseguiu conter aquele que ajudou a transformar em melhor do mundo, enervando-o em jogo no qual perdeu pênalti e quase foi expulso, acusado de agressão.

Queiroz não conversa com o craque desde 2010, quando comandou Portugal na Copa do Mundo na África do Sul e caiu nas oitavas de final. Mas o treinador do Irã diz que seus treinos e diálogos particulares com o craque enquanto foi auxiliar de Alex Ferguson no Manchester United moldaram o capitão. Uma de suas principais orientações era para que o ainda jovem e veloz atacante se aproximasse da área. E o antídoto foi tirá-lo de lá.

Queiroz armou um paredão na linha da grande área. Sabia quanto o camisa 7 se incomodou por ficar atrás do inglês Harry Kane, isolado na artilharia do Mundial com seis gols, um à frente de Cristiano Ronaldo. Neste cenário, forçou o astro a sair da área para chutar de longe, nem ajudando tanto na troca de passes, arma mais eficiente diante de uma retranca.

Cristiano Ronaldo chutou de onde podia. Mas a única chance clara veio em pênalti que ele sofreu, e informado pelo árbitro de vídeo, no começo do segundo tempo. Ricardo Quaresma, seu amigo mais próximo desta seleção, já tinha feito, aos 45 minutos do primeiro tempo. Era o cenário perfeito para, como já tinha feito diante do Marrocos, na quarta-feira, aproveitar sua única oportunidade. E diante de um rival em quem já fez gol em Mundiais.

Foi contra o Irã, em 17 de junho de 2006, que Cristiano Ronaldo fez o seu primeiro gol em Copas do Mundo, convertendo pênalti para fechar a vitória por 2 a 0 em Frankfurt, na fase de grupos do torneio na Alemanha. Nesta quarta-feira, em Saransk, o cenário era exatamente o mesmo: penalidade para os lusos, e o craque na bola. Mas o goleiro Beiranvand pegou, aos oitos minutos do segundo tempo, e o lance simbolizou uma noite atípica na Rússia, em que o astro quase atrapalhou Portugal.

O único gol luso sobre o Irã foi de um dos mais próximos do capitão nessa seleção. Da mesma geração de CR7 (é apenas um ano mais velho) e seu parceiro no Sporting Lisboa no começo do século, Ricardo Quaresma quebrou a dependência do time em relação ao amigo, autor de todos os gols lusos na Rússia até então, e mandou uma linda trivela para balançar as redes do rival do Oriente Médio - não à toa, acabou eleito o melhor da partida em votação popular da Fifa.

Quando Quaresma fez o gol, Cristiano Ronaldo foi o primeiro a correr para abraçá-lo. É por uma brincadeira com ele que o atual melhor do mundo decidiu deixar uma barbicha - embora negue, uma clara provocação ao ensaio fotográfico do argentino Lionel Messi para a revista norte-americana Paper com bodes, já que o animal, em inglês, se escreve goat, que é também a abreviação de Greatest Of All Time, ou "o melhor de todos os tempos", em português.

A barba segue no queixo de CR7, já que ele estreou no Mundial fazendo três gols sobre a Espanha e ainda marcou outro diante de Marrocos. Mas, nesta segunda-feira, a única sorte que pode ter trazido foi ter evitado uma expulsão. Em uma arrancada ao ataque, o craque usou seu poderio físico para tirar o zagueiro Pouraliganji do caminho. Os iranianos acusaram agressão, mas, após análise de vídeo, o árbitro lhe aplicou só o amarelo, aos 38 minutos do segundo tempo - exatos dez minutos antes de o Irã empatar. Concluindo uma atuação que, certamente, o astro não quer em suas recordações desta Copa do Mundo.

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