Fan zone de Novogorod: senegaleses sonham e sofrem com derrota

Nijni Novgorod definitivamente não é uma cidade muito ligada no futebol. E nesta Copa, exceto nos lugares focados no Mundial (Fan Zone, aeroporto, estádio e ruas próximas) a impressão é de que nada está rolando. A exceção é uma ou outra camisa de torcedores de outros países que acabaram fazendo da lindíssima NN, como muitos a chamam, a sua base (nada prática, pois ela tem poucos voos diretos e trens para outras cidades e fica a quase 500km de Moscou). Nada comparado, por exemplo a Saransk, onde parecia que cada adolescente na cidade era um voluntário e muitos usavam roupas em alusão à Copa, além de um cartaz em cada esquina.

Exemplo desse desinteresse estava na Fan Zone durante o jogo entre Senegal e Colômbia. Cerca de apenas mil pessoas num local com capacidade para 20 mil. Pelo menos 300 eram latinos e a maioria torcia pela Colômbia.

Mas até em NN e numa Fan Zone quase às moscas, a emoção do futebol se fazia presente. E de forma dramática, envolvendo a minoria da minoria: cinco amigos torcedores de Senegal, todos estudantes em Novgorod: Ibrahima Dabo, que se forma este ano em relações internacionais, ao lado do amigo Kouté; Sadori Sow, estudante de biologia juntamente com o seu colega Karu Sow (não são parentes) e Baha, como ele disse que gosta de ser chamado e estudante de psicologia. Kouté e Baha estavam com a bandeira de seu país e este último usava a camisa da seleção. Depois de um bom primeiro tempo, sem sustos e vendo James Rodríguez sair machucado, Ibrahima e Sadori sorriam.

- Nossa seleção mostrará que é a melhor da África. Será a única que vai para as oitavas. E eu tinha certeza disso. Estava no jogo contra a Polônia e comprei ingressos para as oitavas - disse Ibrahima.

Sadori não estava tão animado.

- Sou um torcedor tranquilo. Mas quero esperar o segundo tempo.

A tal tranquilidade de Sadori foi ralo abaixo quando Mina fez o gol da Colômbia e fez os mais de 100 colombianos (e os outros latinos, peruanos, panamenhos e costa-riquenhos) pularem muito, pois o 1 a 0 colocava a Colômbia em primeiro (o Japão já perdia para a Polônia) e eliminava Senegal.

- Temos de nos classificar.

E ele se remexia, roía a unha, fazia o gesto de arrancar o cabelo. E a cada chance perdida ou bola errada, saía do grupo, dava dois passos atrás. Três de seus amigos não piscavam os olhos, incrédulos com o resultado e as chances perdidas na etapa final .A exceção era Baha, que aplaudia o time, como se os jogadores e o treinador Aliou Cisse pudessem ver, festejou cada uma das substituições e se ajoelhou com as mãos na cabeça enquanto Sadori socava o chão quando Mané escorregou numa cobrança de falta que todos acreditavam que daria em gol.

- Era para ser gol, Sadou (Mané) - gritavam.

Uma vez ou outra perguntava se o Japão tinha levado mais um gol (o Japão perdia por 1 a 0, se levasse o segundo, Senegal entraria). Mas não deu, o jogo acabou e Senegal foi eliminado. Sadori estava desconsolado e murmurava em francês. "É loucura a vaga era nossa", Já o quase psicólogo Baha fez questão de cumprimentar os colombianos, como bom esportista, posar para fotos e até trocar de camisa com um panamenho, deu a sua do Senegal e ganhou a oficial do Panamá.

- É futebol. Agora vou torcer para a Rússia, que nos acolheu,,e para o Brasil, como todos os africanos sempre fazem - disse Baha, a caminho de casa, lamentando a eliminação de Senegal, o último país do continente ainda vivo no Mundial, e deixando a gritaria na blasé Fan Zone de Novgorod para o lado dos latinos.

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