Modric, candidato a craque da Copa, essencial para a Croácia e polêmico

Nome praticamente certo no Top3 dos melhores do Mundial da Rússia e muito cotado para receber a Bola de Ouro da Fifa, o meia Modric é uma unanimidade entre os jogadores e a comissão técnica da Croácia. Sua importância vem sendo exaltada a cada partida que o selecionado supera nesta Copa do Mundo. E, como não poderia ser diferente, o 10 e capitão é o cara no qual todos confiam que guiará a equipe neste domingo, na decisão contra a França, quando os croatas buscam de um título inédito para este país que integrava a ex-Iugoslávia, tornou-se independente nos anos 90 e, desde então, acumula presença constante em torneios de alto nível - ficou em terceiro na Copa-98 e em 2016 já assegurou, na pior das hipóteses, o vice-campeonato.

- Modric vive seu grande momento. Há anos é um dos melhores do mundo, ganhou tudo pelo Real e, agora, pode coroar sua carreira vencendo também com a seleção neste que deve ser seu último Mundial. Isso tudo na melhor fase de sua carreira - disse o treinador Zlatko Dalic, fã de carteirinha do meia do Real Madrid e que, após a classificação croata para a final, nesta quarta-feira, quando o time fez 2 a 1 na Inglaterra, fez questão de ir para a coletiva de imprensa usando a camisa 10, do craque.

- Modric sabe o valor que tem e se doa pela seleção como poucos de seu nível fazem. Ele ser capaz de dar uma esticada para ganhar a bola no fim de uma prorrogação, mostra seu caráter e desejo. Luka Modric dá o exemplo, embora não seja apenas ele que fz isso na Croácia. E é por isso que chagamos até aqui - concluiu Dalic.

Seus companheiros já estão até acostumados: quem é escalado para a entrevista coletiva, em algum momento terá de falar sobre o craque do grupo. Foi assim com o atacante Mandzukic, na antevéspera do jogo com a Inglaterra:

- Já respondi algumas vezes nesta Copa que Modric é nosso líder e se ele ganhar a Bola de Ouro vai ser totalmente merecido, por tudo o que faz em campo e representa para todos.

Modric faz excelente Copa. Das seis partidas feitas pela sua seleção na competição , ele foi o melhor em campo em três (Nigéria, Argentina e Rússia) e só não levou a votação da Fifa nas quartas contra a Inglaterra porque, mesmo tendo sido o mais regular em campo nos 120 minutos, viu seu companheiro Perisic ser mais decisivo (empatou o jogo, chutou uma na trave e deu o passe para o segundo gol, na prorrogação).

Mas ele também teve seus momentos de baixa. Contra a Dinamarca, esteve apagado o jogo quase todo, recuperando-se apenas na prorrogação, quando começou a acertar lançamentos espetaculares. Mas aí veio um pênalti (passe cinematográfico dele para Rebic sofrer a falta) no fim da prorrogação e o 10 desperdiçou. Poderia ter dado a vitória para a sua seleção antes da série de penalidades. Além disso, as suas cobranças de penais na séries que fizeram o time avançar contra a própria Dinamarca e a Rússia, entraram, mas foram pessimamente feitas, o que mostra que bater pênalti não é com ele neste Mundial.

- Perdi contra a Croácia, perdi na Euro-2008 quando nosso time foi eliminado. Mas eu tenho de mostrar caráter, ir lá e bater. É o que esperam de mim, disse Modric, que também vê nessa final a possibilidade de voltar a ter o carinho de todo o povo Croácia, já que muitos torcem o nariz para o craque por ele estar envolvido diretamente a negócios nebulosos de um certo Zdravko Mamic (desconhecido por aqui, mas que foi o homem mais influente do futebol croata por décadas e que hoje está com a prisão decretada). Modric até corre risco de pegar uma cadeia por isso (leia mais no fim desta matéria).

E pelo visto o torcedor croata também espera neste domingo, contra a França, mais uma exibição de gala de seu jogador mais importante. Afinal, isso pode levar a Croácia a um título que nem o mais otimista deles esperava, mas que, por tudo o que a seleção vem fazendo nesta Copa, não seria injusto.

Como Modric joga

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Ele é um volante de muita qualidade técnica e física e que sai para o ataque com muita eficácia. Com ele em campo, a Croácia se defende no4-2-3-1, com Modric fazendo a dupla de volantes com Rakitic. E ataca no 4-1-3-2, com o craque ora partindo para criar no ataque, ora ficando mais preso e deixando Rakitic subir. Esta última, aliás é a sua função mais cerebral, pois ele, que é um dos jogadores mais habilidosos do mundo, passa a ditar o posicionamento do time e, como é o cara da primeira bola na criação, direciona por onde a Croácia vai atacar.

Para o leitor à moda antiga, Modric seria um camisa 8 que se torna um camisa 5 perfeito ou o ponta de lança camisa 10 tradicional, dependendo da situação do jogo. Como nenhum jogador atualmente faz tão bem estar três funções (curiosamente quem chega mais perto é exatamente o seu companheiro de Croácia, Rakitic, que defende o Barcelona) é daí que vem o diferencial do jogador do Real Madrid.

Como Dalic vem escalando Modric

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Chova ou faça sol, a Croácia tem nove titulares imutáveis: o goleiro Subasic; os zagueiros Vida e Lovren; os laterais Vralsjko e Strinic; os apoiadores Modric , Rakitic e Perisic, exatamente as três joias da coroa; e Mandzukic no ataque.

Aí sobram duas vagas no 11 inicial e elas são disputadas por três jogadores: Kramaric, Brozovic e Rebic. E sabendo qual dos dois estará em campo, é que está a chave do posicionamento de Modric.

No que sair a escalação da Croácia e Brozovic estiver jogando, o leitor pode cravar sem medo de errar: Modric estará atuando como meia, pois Brozovic passa a ser o volante mais recuado e Rakitic é o volante que sai mais para o jogo. Se o outro escalado for Rebic, Modrid fará a função central, o camisa 10 antigo, estilo Zico. Caso Dalic entre com Brozovic e Kramaric, Modric jogaria como o meia caindo mais pela direita e trocando muitas bolas com o lateral Vrsaljko.

Agora, caso Brozovic comece no banco e entre Kramaric e Rebic, a aposta é numa formação ofensiva ao extremo. Modric e Rakitic seriam volantes e muito provavelmente Modric atuaria na frente da linha dos seus zagueiros, ditando o ritmo. Contra a França esta seria a situação menos provável, ou somente usada se a Croácia estiver no desespero, sendo derrotada e na reta final da partida.

A acusação que pode levar Modric até para a prisão

Paralelamente a todo o sucesso em campo, Modric vem travando uma batalha jurídica na Croácia. Isso ocorre por causa de negócios seus com o ex-presidente do Dínamo Zagreb, Zdravo Mamic. Este último, segundo investigações, fazia também o papel de intermediário nas negociações dos jogadores do time que comandava (um dos gigantes do país).

Modric defendia o Dínamo quando Mamic fechou negócio com o Tottenham (JNG), em 2008. O time inglês pagou R$ 75 milhões pelo jogador. Parte do total teria sido entregue de forma ilícita a Modric, que repassou o dinheiro a Mamic, como uma "comissão". Anos depois, as negociatas de Mamic fora à tona, ele passou a ser investigado, perdeu o cargo, foi punido com seis anos de prisão (mas não a cumpre porque fugiu do país e está na Bósnia) e tornou-se a pessoa mais odiada do futebol croata, pois embolsou grana não declarada em várias negociações de jogadores, inclusive da seleção (Modric, Kramaric, Vrsaljo, Lovren e até o ex-brasileiro naturalizado Eduardo da Silva que defendeu a Croácia na Copa-2014).

Modric foi chamado para depor sobre o seu caso específico e mentiu no julgamento, numa tentativa de ajudar o ex-dirigente e amigo. Conseguiu duas coisas: passar a ser investigado por perjúrio (já foi acionado para depor novamente), o que pode dar cadeia de cinco anos, e passou a ser criticado e odiado por muitos croatas, principalmente aqueles que não torcem pelo Dínamo, como é o caso dos adeptos do Hadjuk Split. As investigações seguem em curso (leia mais nas matérias abaixo, em anexo)

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