De ânimo renovado, Dagoberto se firma no Londrina e briga por artilharia na Série B

A sensação de fôlego renovado marca Dagoberto. Após ter chegado a repensar sobre sua trajetória, o jogador de 35 anos viu a opção por ir para o Londrina render novos frutos. Além de ser o destaque da reação do Tubarão na Série B, ele hoje briga pela artilharia da competição.

- Vivo um momento especial, mas confesso que também é muito surpreendente. Eu já visava outros projetos, embora ainda não chegasse a ter uma ideia clara de parar... Só que veio a proposta do Londrina e tudo tem fluído muito bem. Tenho conseguido trabalhar como há muito tempo não conseguia - declara o atacante, ao LANCE!.

O bom momento ajudou a despertar seu faro de artilheiro. Ao abrir o placar na vitória por 2 a 0 sobre o Figueirense, na última terça-feira, o atacante chegou a 12 gols marcados em 12 partidas pelo Londrina. A média de um gol por jogo fez com que ele se tornasse forte candidato a outra disputa: pela artilharia da Série B (atualmente está no topo, ao lado de Lucão, do Goiás).

- É algo meio novo. Nunca tinha vivido esta situação. Estou curtindo este momento, vem sendo muito bom não só ter esta sequência de gols, como ajudar o Londrina.

O atacante destacou qual fator é crucial para sua boa fase no Tubarão:

- Sem dúvida, é o fato de eu me sentir saudável. Em alguns clubes nos quais joguei anteriormente, passei por muitas lesões. Aquilo não me deixava feliz. Só sei ser feliz dentro do futebol e, agora, voltei a me sentir assim.

Técnico da equipe paranaense, Roberto Fonseca ratifica que Dagol está em um momento de mais leveza:

- Ele está em um momento muito importante e com muita alegria, por fazer o que gosta, que é jogar futebol e marcar gols. Dagoberto conseguiu dosar muito bem a maturidade dele com essa leveza do dia a dia no Londrina.

CHEGADA APÓS REVER CONCEITOS POR UMA NOVA HISTÓRIA

A luta para convencer Dagoberto de que teria novas histórias para contar no gramado marcou sua negociação com o Londrina. O gestor do clube, Sérgio Malucelli, contou detalhes de como foi a conversa:

- Olha, não foi fácil não, né? Ele realmente acenou com a vontade de parar, mas conversamos e ele "comprou" nossa ideia.

Dagoberto revelou como estava na época em que foi procurado pelo cartola:

- Disse a ele (Sérgio Malucelli) que já estava um pouco fatigado. Estou desde os 17 anos jogando futebol profissional. Ele foi passando o ponto de vista dele, uma coisa que pesou para mim, inclusive, foi o fato de voltar a jogar em Londrina, onde dei meus primeiros passos no futebol (atuando na base do PSTC, clube da cidade).

Técnico do Tubarão na época em que o jogador de 35 anos desembarcou no Estádio do Café, Marquinhos Santos relembrou como foi este processo:

- Eu fiz parte deste processo diretamente, agradeço muito ao Dagoberto pela confiança que teve no meu trabalho. Ele é um jogador muito maduro, experiente, que cheira a gol. Agora, está comprovando o quanto pode ajudar o Londrina a fazer uma boa campanha na Série B.

DO 'BAQUE' NA ESTREIA À AFIRMAÇÃO COMO 'FALSO 9'

O início de ciclo no Londrina foi desafiador para Dagoberto. Lançado no decorrer da partida contra o Boa Esporte, o atacante marcou o gol da vitória por 1 a 0. Porém, depois de 14 minutos em campo, teve de sair devido a uma lesão na coxa esquerda.

- Ali, foi um momento muito difícil, no qual repensei muitas coisas com a minha família. Não estar saudável atrapalha muito. Eu já tinha passado por isso há pouco tempo, inclusive. Tanto que fiz contrato por produtividade no Londrina. Mas vejo que Deus é muito perfeito. Encontrei o Kleber (Barbão, fisioterapeuta), o Sérgio Malucelli me deu liberdade e permitiu que fizesse fisioterapia lá na Clinisports, em Maringá (PR). Aí, pude me recuperar.

Gestor do Tubarão, Sérgio Malucelli detalhou como foi este período:

- A gente deu o máximo de apoio a ele. Ele pôde levar a família toda para ficar perto, ajudá-lo. Porque nós queremos contar ao máximo com o Dagoberto. É um cara com qualidade, tem cinco títulos brasileiros, toque de bola refinado.

De volta aos gramados após cerca de três meses, Dagol chegou a marcar, mas se deparou com um Londrina em situação delicada. Agora sob o comando de Roberto Fonseca, a equipe tentava se afastar da zona de rebaixamento e ainda tinha uma carência ofensiva. Foi quando o atacante recebeu nova missão:

- O técnico pediu para que eu jogasse mais como "falso 9", porque a gente não tem centroavante no time. Falei que não me importava. É uma função muito boa, na qual você fica mais próximo da área e não precisa correr atrás de marcadores. Acho que isto me ajudou também neste bom momento.

Aos poucos, o Tubarão foi reagindo e, atualmente, está em oitavo lugar, com 39 pontos em 28 partidas. Fonseca atribui boa parcela da ascensão do clube paranaense ao rendimento e ao faro de gol do atacante:

- Ele é o artilheiro da equipe, uma referência para nós. Conseguimos uma forma de pôr ele na equipe de forma a usar sua inteligência, sua capacidade. Os atletas compreenderam também, ele acabou inserido muito bem na equipe.

VETERANO EM MEIO A JOVENS DO LONDRINA

A confiança em um Dagoberto com novo ânimo também é vista no dia a dia do Londrina. Segundo Sérgio Malucelli, o atacante é um exemplo, em especial, para os jovens do elenco:

- O Dagoberto contribui muito, não só com os conselhos, mas por sua conduta. Mesmo com 35 anos, ele mantém a rotina de jogar e treinar com empenho. Isto é fundamental.

Roberto Fonseca crê que há uma reciprocidade no dia a dia do Tubarão:

- Ele passa a experiência dele aos jovens e, ao mesmo tempo, os garotos passam a ele muita alegria.

O jogador também não esconde a leveza com sua rotina no clube:

- O Londrina tem alguns jogadores "cascudos" e uma molecada jovem e com muito talento, Paulinho (Moccelin), Higor (Leite)... Então, me veem como "tiozão", né? Eu procuro passar o que eu vivenciei no futebol para eles. Nossa rotina é muito boa.

Do alto de quem vivencia muita coisa em campo, Dagoberto mantém suas críticas em relação ao planejamento do futebol brasileiro (demonstradas quando atuou no San Francisco Deltas-EUA):

- Nosso futebol é carente, ultrapassado em muita coisa. Nosso calendário é muito maçante. A gente percebe isto ainda mais na Série B, pelas distâncias em território nacional. Já aconteceu de termos de jogar em um dia em Caxias do Sul e, três dias depois, jogar lá em Goiânia. Como é que vai acontecer espetáculo de alto nível assim? Você vê uma Premier League, é outra história, bem organizada.

Em meio à rotina intensa de jogos na Série B, Dagol mantém sua expectativa de que possa ajudar o Londrina a evoluir na competição:

- Nosso projeto é levar o Londrina cada vez mais alto para, quem sabe, buscar uma vaga no G4 (e garantir, via Série B, o acesso à elite). Fizemos um primeiro turno muito ruim, estamos nos recuperando. Mas, claro, temos de manter o pezinho no chão, estamos ainda há alguns pontos da zona de rebaixamento. Temos de manter o foco.

Com cinco títulos brasileiros (um pelo Atlético-PR, dois pelo São Paulo e dois pelo Cruzeiro) no currículo, o atacante crê que está escrevendo um novo capítulo na sua carreira:

- Tudo que conquistei nos clubes pelos quais passei foi muito marcante. Creio que vou deixar para os meus filhos a certeza de que tive uma história linda e com muitos gols.

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