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OPINIÃO: 'Tite arrisca pouco... e muito na Seleção Brasileira!'

21/05/2019 08h35

Em entrevista ao "Sportv" em dezembro de 2018, Tite foi taxativo ao falar sobre a disputa da Copa América deste ano: "se vier a ganhar, ótimo, mas se perder, corro o risco de ser demitido, sim". Na convocação que fez para o torneio na última sexta-feira, o treinador da Seleção Brasileira indicou que colocará em jogo muito mais do que seu cargo.

A presença de Neymar entre os 23 convocados não fez Tite apenas jogar para o alto a coerência quanto aos seus critérios sobre indisciplina de atletas. O técnico também deixou nítido que a equipe canarinho continua a depender de forma excessiva de Neymar e, por isto, passará por cima de seus conceitos para que o atacante lhe ajude a ganhar o título.

A prometida conversa de Tite "olho no olho" com o atacante servirá para que? A agressão de Neymar a um torcedor na final da Copa da França e os atritos nos quais o camisa 10 se envolveu no Paris Saint-Germain já não são suficientes para tirar a braçadeira de capitão dele?

Outra situação preocupante é a lentidão com a qual Tite projeta a Copa do Mundo de 2022. Por mais que seja compreensível seu desejo em contar com "homens de confiança", custava ao treinador dar mais espaço para renovação?

É bem verdade que o comandante abriu espaço para o que chama de "surpresas agradáveis", como Allan, Richarlison e Lucas Paquetá. No entanto, foi no mínimo discutível preterir jogadores em ascensão, como Fabinho e Lucas Moura, em detrimento de quem esteve bem abaixo na temporada e de jogadores que já estão com idade avançada.

Ironicamente, ao não se arriscar demais na convocação da Seleção Brasileira, Tite apostou bem alto (jogando por terra até seus valores). Caso vença a Copa América em território nacional, poderá seguir sua marcha até a Copa de 2022. Já um revés tende a ganhar proporções ainda maiores, em especial pelo rumo que deu à equipe canarinho.

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