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Daniel Alves revê a Bahia e lembra contrato no ônibus e R$ 60 por mês

2019-06-17T08:00:00

17/06/2019 08h00

Daniel Alves sente uma sensação diferente todas as vezes que visita a Bahia para defender a Seleção Brasileira, como acontecerá a partir das 21h30 de terça-feira, na Fonte Nova, contra a Venezuela. Hoje aos 36 anos, consagrado na Europa e capitão da equipe de Tite, o baiano de Juazeiro lembra das dificuldades do início da carreira.

- Eu era um pequeno sonhador, sem muita expectativa na vida, e o futebol abriu um horizonte de possibilidades. É uma história muito engraçada, porque eles (do Bahia) foram contratar outro jogador e eu vim no pacote. E eu não tinha contrato profissional no Juazeiro, assinei no ônibus indo para a Federação me registrar, senão não poderia ganhar ajuda de custo no Bahia. A partir daí pude ganhar meus R$ 60 no Bahia. Hoje parece que é nada, mas naquele instante ajudou muito minha família - lembrou Daniel, em entrevista coletiva concedida no domingo.

Ele conta que, no Bahia, as dificuldades passaram pelo pouco conhecimento que o técnico Evaristo de Macedo tinha sobre seu futebol. A primeira oportunidade na equipe profissional apareceu em 2001, em um jogo contra o Paraná, mas não foi nada fácil conquistar esse espaço.

- Eu mudei até de nome. O Evaristo me chamava de Samuel, de tanto que sabia quem eu era. Eu estava indo para a Copa do Nordeste sub-20 e fui avisado que teria que me apresentar na equipe principal. No treino, ele testou volante, atacante... Até que meu treinador no sub-20 avisou que ele poderia confiar em mim. Eu acabei sendo o melhor do jogo, sofri pênalti, dei assistência... Ganhei até um prêmio, que foi uma caixa de cerveja. Meus amigos é que ficaram felizes, porque eu não bebia. Agora eu bebo (risos).

Do Bahia, Dani partiu para a Europa, onde defendeu Sevilla (ESP), Barcelona (ESP), Juventus (ITA) e Paris Saint-Germain (FRA), clube com o qual tem contrato somente até o fim do mês. Ele é, hoje, o atleta com mais títulos oficiais da história do futebol. São 42 taças conquistadas, e o desejo por mais uma: a da Copa América de 2019. Essa seria especial porque foram 14 meses longe da Seleção Brasileira, primeiro pela lesão no joelho que o tirou da Copa do Mundo da Rússia e depois por uma outra que o tirou dos amistosos de março, os últimos antes da convocação final.

- Nossa profissão é de risco, a gente não pode prever certas coisas. O que podemos fazer é nos entregar ao máximo, e que a vida se encarregue de quais situações vamos ter que superar. Não posso fazer um treino mais leve para não me machucar. Não dá, o nível é tão alto que se você não der o seu melhor vai acabar ficando fora. A gente se entrega 100%, vem sempre compromissado com a causa. Se acontece (a lesão), é porque tinha que ser e você tem que estar preparado. Eu falei que se soubesse que teria uma lesão a cada 20 anos, assinaria em qualquer lugar. O risco é muito alto e tive uma lesão séria depois de 20 anos de carreira. Está no pacote - disse Daniel, praticamente o dono do palco do jogo de terça:

- Você tem ingresso para me dar? Preciso de mais 50 (risos). É muita demanda quando venho jogar aqui, mas é muito prazeroso. É onde tudo começou, então sinto um axé diferente, um alívio por ter feito o que sonhei fazer. Quando volto, é para comemorar. Um filho da terra que foi, fez e está aqui de volta.

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