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  10/07/2004 - 18h01
Ricardinho decide e Santos vence São Paulo no fim

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Em São Paulo

Santos x São Paulo teve todos os ingredientes de um clássico. Além de lutarem pela liderança do Campeonato Brasileiro, as duas equipes levaram a campo todo o clima hostil entre as diretorias. Por isso, a partida deste sábado, na Vila Belmiro, foi nervosa e emocionante: nos acréscimos, Ricardinho, um dos protagonistas do duelo, fez o gol que deu a vitória por 2 a 1 ao Santos.

Danilo fez o gol do time tricolor aos 24min do primeiro tempo. Ainda na primeira etapa, Deivid empatou para os donos da casa.

FolhaImagem 
Ricardinho cobrou a falta com perfeição e garantiu a vitória do Santos de virada
Com a vitória (a sexta consecutiva) e os resultados da rodada, o Santos está na terceira colocação, com 25 pontos. O São Paulo permanece com 24 pontos, em quarto lugar.

O nervosismo em campo foi a tradução do atual momento que vivem os dois clubes fora de campo, especialmente desde 2002, quando o Santos eliminou o rival do Campeonato Brasileiro e arrancou rumo ao inédito título. Disputa por dinheiro e jogadores, além de luta pelo poder dentro do Clube dos 13, fez com que o clássico ganhasse um tempero especial, com troca de acusações dos dois lados.

A contratação de Ricardinho pelo Santos foi o último ato nesta guerra. Pela primeira vez, o meia enfrentou o São Paulo, clube que defendeu por 16 meses e que saiu de maneira turbulenta. O time tricolor cobra R$ 2 milhões de Ricardinho na Justiça por quebra de contrato, já que na rescisão assinada havia uma cláusula que proibia o atleta de atuar por qualquer clube brasileiro até o fim de 2004.

O outro protagonista do clássico foi César Sampaio, contratado esta semana pelo São Paulo. O volante de 36 anos estreou contra seu ex-time, mas ainda desentrosado com os novos companheiros teve atuação discreta.

O Santos volta a campo na próxima terça-feira, às 21h45, para enfrentar o Flamengo na Vila Belmiro. No mesmo dia, mas às 20h30, o São Paulo jogará contra o São Caetano no estádio Anacleto Campanella.

O jogo

Logo que deu a saída, o Santos foi para cima do São Paulo e teve boa chance de marcar o primeiro gol. Fabão errou a saída, o jovem Alê se atrapalhou e a bola sobrou para Preto Casagrande arrematar. Porém, o volante do time alvinegro chutou por cima.

Era nítido, até pelos sete desfalques e pela escalação conservadora, que o São Paulo iria procurar se defender primeiro para depois, quem sabe, atacar. Por isso, o Santos teve maior volume de jogo nos primeiros minutos. Mas a equipe santista esbarrava na forte marcação do time comandado por Cuca.

Em sua primeira chance de gol, o São Paulo quase marcou. Aos 11min, Gabriel avançou pela direita e chutou cruzado. A zaga santista ficou parada e Vélber cabeceou, mas a bola foi para fora.

Novamente a zaga da equipe tricolor não se entendeu na saída de bola e o Santos teve uma grande oportunidade para marcar aos 14min. Robinho ficou cara a cara com Rogério Ceni, mas chutou errado e a bola saiu pela linha de fundo. Deivid reclamou bastante com o companheiro, pois o atacante tinha melhores condições para finalizar.

Os dois times começaram a se soltar mais, buscando as jogadas pelas laterais. O Santos tentava os passes para o meio; já o São Paulo apostava nos cruzamentos.

A equipe de Cuca parecia ter esquecido que atuava com sete desfalques e mostrava mais desenvoltura. E em uma jogada pelo alto, aos 24min, o time tricolor fez o primeiro gol. Vélber cruzou com precisão da direita, a zaga santista ficou estática e Danilo, sozinho, cabeceou para o chão, sem chances para Tapia.

O gol do adversário desnorteou o Santos, que perdido em campo, viu o São Paulo perder duas grandes chances para ampliar. Aos 26min, Gabriel levantou na área e Grafite cabeceou com força, porém a bola foi para fora. O atacante, um minuto depois, entrou livre pelo lado esquerdo e chutou cruzado. Tapia, bem colocado, espalmou para fora.

Sem criatividade no meio-campo, o técnico Wanderley Luxemburgo estava pronto para arriscar. Basílio já estava aquecido para substituir Preto Casagrande quando o Santos empatou.

Aos 32min, Elano fez grande lançamento para Robinho na direita. O atacante ganhou na velocidade de Alê e cruzou para o meio. Rogério Ceni preferiu sair para reclamar impedimento, que não existiu, ao invés de tentar a defesa. Livre, Deivid só teve o trabalho de tocar para o gol vazio. O gol de empate fez com que Basílio permanecesse mais um tempo no banco de reservas.

A partida continuou equilibrada, com chances dos dois lados. Fabão quase fez o segundo do São Paulo aos 35min, em cobrança de falta. Tapia se esticou todo para tirar a bola.

As faltas mais ríspidas começaram a surgir, deixando a partida nervosa. Luxemburgo reclamava bastante com os auxiliares, acusando os jogadores do São Paulo de promoverem um rodízio para parar as jogadas dos atacantes do Santos de maneira irregular.

Despretensiosamente, quase o Santos fez o segundo gol. No lado esquerdo do campo, Elano chutou para a área. Rogério Ceni estava mal colocado e a bola bateu na trave.

O último lance de perigo da primeira etapa ocorreu aos 44min. Deivid arrancou em direção ao gol e deu um drible da vaca em Lugano. De fora da área, o atacante chutou forte e rasteiro. Rogério Ceni rebateu e fez a defesa.

Na saída para o intervalo, os jogadores do Santos continuaram a reclamar das constantes faltas do adversário no jogo.

"O São Paulo não quer jogar. Eles estão batendo em nossos atacantes sem serem advertidos pelo árbitro", afirmou o lateral-esquerdo Léo.

O segundo tempo começou mais nervoso ainda. Muitas faltas e discussões marcaram os primeiros minutos. O árbitro Luis Marcelo Vicentin Cansian preferiu administrar a confusão apenas com o diálogo.

A equipe tricolor teve a primeira chance da etapa final aos 8min. Danilo avançou pela esquerda e cruzou para o meio da área. Vélber chutou de primeira, mas a bola foi para fora.

Aos 10min, Basilio substituiu Preto Casagrande e animou o time do Santos. Em sua primeira jogada, o veterano atacante passou a bola para Deivid, que chutou forte. Rogério Ceni tocou na bola e desviou para escanteio.

Um minuto depois, Basílio prendeu a bola na lateral do campo. Fabão, que acabara de levar um cartão amarelo, chutou o tornozelo do adversário e foi expulso. Os jogadores do São Paulo reclamaram com o árbitro e na confusão, um sinalizador foi atirado no gramado, atingindo de maneira superficial o lateral Gabriel.

Os jogadores continuaram a cometer muitas faltas, mas a partida ficou mais aberta. Os dois times atacavam de todas as maneiras, buscando o segundo gol. O treinador do Santos resolveu arriscar e tirou o único volante que permanecia em campo: Marcinho entrou no lugar de Bóvio e ajudou a sufocar o São Paulo em sua defesa.

A estratégia de Luxemburgo quase deu certo aos 26min. Elano cobrou falta com perigo, mas a bola foi para fora. Aos 34min, Léo cruzou da esquerda e Basílio cabeceou para o gol. A bola quase encobriu Rogério Ceni, que fez a defesa e tentou sair rapidamente com Gabriel. Mas o lateral-direito da equipe tricolor estava bem marcado por Léo, que novamente cruzou. A zaga do São Paulo afastou.

Para se redimir do erro anterior, Rogério Ceni salvou sua equipe. Marcinho recebeu a bola livre e chutou forte para o gol. O camisa 1 do São Paulo fez grande defesa.

Os minutos finais foram marcados pela pressão do Santos, que com um jogador a mais buscava o gol de desempate. E a equipe foi premiada. Ricardinho, aos 46min, cobrou falta com perfeição. Rogério Ceni não se moveu e a bola foi no ângulo, decretando a vitória santista.

"Merecemos vencer. Não podíamos sair daqui sem os três pontos, pois procuramos ganhar desde o início", afirmou o herói Ricardinho.

SANTOS
Tapia; Paulo César (Flávio), Domingos, André Luís e Léo; Bóvio (Marcinho), Preto Casagrande (Basílio), Ricardinho e Elano; Robinho e Deivid
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Gabriel, Fabão, Diego Lugano e Fábio Santos; Alê (Ramalho), Renan, César Sampaio e Danilo; Grafite (Márcio) e Vélber (Flávio)
Técnico: Cuca

Local: estádio da Vila Belmiro, em Santos (SP)
Árbitro: Luis Marcelo Vicentin Cansian (SP)
Assistentes: Marinaldo Silvério (SP) e Emerson Augusto Carvalho (SP)
Cartões amarelos: Grafite (SP), Lugano (SP), Bóvio (S), Fabão (SP), Robinho (S), Rogério Ceni (SP)
Cartão vermelho: Fabão (SP)
Gols: Danilo, aos 24min do primeiro tempo; Deivid, aos 32min do primeiro tempo e Ricardinho, aos 46min do segundo tempo.

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