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  17/11/2004 - 20h56
Brasil se despede da invencibilidade na altitude do Equador

Daniel Tozzi
Enviado especial do UOL
Em Quito (Equador)

"Si, se puede" (Sim, se pode), gritaram colombianos, peruanos, chilenos e venezuelanos. Mas esses ficaram só na vontade. Foram os equatorianos que fizeram valer o canto característico dos torcedores da América espanhola antes, durante e após o partida na qual a seleção do país se tornou a primeira equipe a vencer o Brasil nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2006.

A altitude de Quito (2.850 m acima do nível do mar) foi palco praticamente de uma reedição do duelo pelo qualificatório anterior, quando o Equador, em busca de sua primeira participação num Mundial, não se intimidou com um Brasil com desempenho similar ao do time de Carlos Alberto Parreira e obteve sua então primeira vitória contra o bicho-papão. Nesta quarta-feira, o placar de 1 a 0, gol de Mendez, aos 31min do segundo tempo, valeu o segundo êxito contra a seleção brasileira e o 16 ponto na tabela de classificação.

EFE 
Ronaldinho Gaúcho enfrenta a marcação do equatoriano Marlon Ayoví; veja fotos
Como todo bom "remake", o revés em Quito coloca de vez o time pentacampeão em conflito com o drama das últimas eliminatórias, quando a classificação para a Copa veio apenas na última rodada. Até a vitória contra a Venezuela no final de 2001, a ameaça de ficar fora do Mundial pela primeira vez rondava a equipe desde a derrota para o Equador, repetida hoje e que na época deflagrou uma série de mais resultados.

A semelhança também se repete no aproveitamento. Assim como na disputa pela vaga em 2002, a seleção brasileira entra na 12ª rodada das eliminatórias com 20 pontos, mas não mais na liderança. A Argentina aproveitou mais um tropeço dos pentacampeões, derrotou a Venezuela por 3 a 2 e chegou a 22 pontos, voltando à ponta após cinco rodadas.

Em 11 rodadas, o Brasil de Parreira empatou nada menos que cinco vezes. Tem o mesmo número de vitórias, uma a menos que no caos vivido há três anos. De série de empates, a artilharia pesada formada por Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano não conseguiram evitar o 0 a 0 por duas oportunidades. Desde que Parreira reassumiu a seleção, no começo de 2003, foram 29 jogos, com 13 empates, sendo seis deles sem gols.

Como se não bastasse, a nova derrota em Quito pode custar ao Brasil a liderança das eliminatórias, cujo significado, segundo o próprio Parreira, é simbólico, mas se faz sempre bem-vinda pela posição defendida pelos brasileiros no cenário internacional.

E o "simbolismo" pode passar para o colo da Argentina, que recebe ainda nesta quarta-feira a Venezuela. Com 19 pontos, basta aos hermanos confirmarem o favoritismo para abrirem dois pontos de vantagem sobre a seleção brasileira, que volta a disputar o qualificatório em 26 de março, contra o Peru.

O jogo
No princípio do jogo, a seleção brasileira acabou acuada territorialmente em seu campo de defesa. Mesmo evitando que os equatorianos chegassem com a bola na área, os jogadores de trás do Brasil apresentavam dificuldade em levar o jogo até o ataque.

Mas, aos poucos, os brasileiros foram se soltando, ganhando confiança na troca de bolas no meio-campo. Aos 11min, a equipe de Parreira conseguiu a primeira boa chance de gol, quando Ronaldo foi lançado em profundidade e, já dentro da área, bateu cruzado para fora.

A resposta equatoriana aconteceu cinco minutos depois, quando Agustín Delgado ganhou da defesa brasileira no alto e desviou de cabeça para o gol. Dida, em dois tempos, livrou a seleção de sair atrás no placar.

Aos 19min por pouco Kaká não colocou o Brasil em vantagem. O jogador do Milan tabelou com Ronaldinho Gaúcho, mas acabou chutando à direita de Villafuerte. No último minuto do primeiro tempo, o meia voltou a desperdiçar boa chance, desviando para fora um cruzamento de Cafu.

O segundo tempo começou mais ou menos como a etapa inicial, com o Equador mantendo o jogo no campo de ataque. Mas, desta vez os donos da casa conseguiram fazer a bola cruzar a área brasileira, em perigosos cruzamentos pelo alto.

Aos 12min, a seleção brasileira conseguiu responder, com Ronaldinho Gaúcho. Após rebote da defesa equatoriana em cobrança de falta, o astro do Barcelona acertou um belo chute no travessão adversário.

Depois de alguns minutos de pressão, o Equador conseguiu o gol aos 31min, com Mendez. O volante recebeu uma bola atrasada na intermediária e bateu forte. A bola teve trajetória rasteira e entrou no canto direito de Dida, que não conseguiu parar o disparo.

EQUADOR
Villafuerte; de la Cruz, Ivan Hurtado, Espinoza e Urrutia (Salas); Tenorio, Marlon Ayovi, Mendez e Ambrosi; Kaviedes (Walter Ayovi) e Agustín Delgado (Reasco)
Técnico: Luiz Fernando Suarez

BRASIL
Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Renato, Kleberson (Ricardinho) e Juninho Pernambucano (Dudu Cearense); Kaká (Adriano); Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Local: estádio Olímpico Atahualpa, em Quito
Árbitro: Óscar Ruiz (Colômbia)
Auxiliares: Eduardo Botero e Dember Perdomo (Colômbia)
Gol: Mendez, aos 31min do segundo tempo

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