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  19/12/2004 - 17h57
Santos conquista Brasileiro com trama de roteiro quase perfeito

Bruno Freitas e Gabriel Fortes
Enviados Especiais do UOL
Em São José do Rio Preto (SP)

São José do Rio Preto viu o final apoteótico que todo santista sonhava na tarde deste domingo no estádio Benedito Teixeira. Com alguma sobra, o Santos passou pelo Vasco por 2 a 1 e conquistou o Campeonato Brasileiro de 2004.

Ayrton Vignola/Folha imagem 
Jogadores do Santos comemoram o gol de Elano, que garantiu o título nacional
Na festa do bicampeonato, a equipe de Wanderley Luxemburgo contou com a participação de um convidado bem comportado, que até chegou a ameaçar a superioridade santista, mas jamais a vitória.

Ao redigir a história do bicampeonato, para a perfeição faltou apenas um gol do astro Robinho. Mas, como a vida nem sempre se parece com ficção, apesar das aparências, o torcedor santista comemora a conquista, do jeito que foi, sem pensar em reclamações.

O carnaval em preto-e-branco no Teixeirão também não teve espaço para influências vindas de Curitiba. A facilidade do triunfo na última rodada do Brasileiro deixou o resultado do Atlético-PR, rival pelo título, apenas como uma nota de rodapé em todo o contexto.

No começo do jogo, todas as atenções estavam voltadas para os primeiros passos em campo de Robinho, que voltava ao Santos justamente na última partida do campeonato depois de superar um delicado drama familiar, no que parecia um roteiro escrito por um novelista.

Aos 2min de jogo, o astro santista, sozinho na pequena área, perdeu a chance abrir o placar e aproximar assim o Santos do bicampeonato nacional. Ewerton fez defesa milagrosa, e o Teixeirão quase veio abaixo.

Era uma prenúncio da vantagem santista no placar. Pouco depois, aos 5min, Ricardinho cobrou falta com perfeição, encaixando a bola no ângulo esquerdo alto do Vasco. Estava iniciada a festa alvinegra no interior de São Paulo. Daí para frente poucos se interessariam pelo desempenho do rival Atlético-PR na Arena da Baixada, em Curitiba.

A equipe do técnico Wanderley Luxemburgo aproveitou o furor que vinha das arquibancadas e continuou a apertar o Vasco em seu campo de defesa. Aos 16min, Léo desviou de cabeça um arremate de Deivid e quase ampliou.

Depois de um momento de desconcentração, em que o Vasco dominou ligeiramente a posse de bola, o Santos nocauteou o adversário aos 30min. Preto Casagrande desceu pela direita e serviu Elano, que desviou de cabeça para as redes. Neste momento, o largo favoritismo ganhava ares de certeza.

Na comemoração, provavelmente não passou pela cabeça de Elano que o seu gol fez o Santos bater o recorde ofensivo na história do Campeonato Brasileiro. A equipe de Luxemburgo chegava aos 103 gols, um a mais que o Cruzeiro campeão no ano passado, com o mesmo treinador.

No minuto final do primeiro tempo, Deivid recebeu livre na área e disparou forte, mas em cima do goleiro vascaíno. Assim, com o título virtualmente assegurado, o Santos se encaminhou para o intervalo.

Ayrton Vignola/Folha imagem 
A torcida do Santos lotou o estádio Teixeirão, em São José do Rio Preto
O que faltava para a festa santista ter fim de novela? Restava apenas um único gol de Robinho para levar o Teixeirão ao delírio. O grande ídolo santista da primeira década do novo século precisava marcar. A festa teria um leve gosto amargo sem esse capricho para a torcida.

Alijado de seis partidas do Santos na reta final do Brasileiro, justamente no auge da disputa com o Atlético-PR pelo título, Robinho era a vontade personificada no gramado do Teixeirão. O nítida falta de ritmo de jogo não foi suficiente para tirar do camisa 7 o papel de protagonista do espetáculo.

Aos 4min, o atacante recebeu em profundidade na esquerda e, de frente para o gol, deu um chute torto, sem direção. Dez minutos mais tarde, Robinho foi lançado por Deivid, driblou o goleiro e empurrou para as redes. Mas a arbitragem assinalou impedimento e frustrou o final feliz.

Para adicionar dramaticidade à decisão, o Vasco conseguiu diminuir a vantagem do Santos aos 15min, quando Marco Brito passou por dois marcadores e bateu rasteiro na saída do goleiro Mauro.

Aos 20min aconteceu a substituição previsível na equipe do Santos. A mais de 40 dias sem jogar, Robinho foi vencido pelo cansaço e acabou cedendo lugar a Basílio. A idealizada festa alvinegra perdia a cereja do bolo.

Os breves minutos de apreensão do torcedor santista acabaram em pouco tempo, quando o gol do Botafogo sobre o Atlético-PR em Curitiba ecoou no Teixeirão, propagando alegria pelas arquibancadas.

Já em festa, minutos depois, todo o estádio praticamente ignorou o empate do Atlético-PR, com Washington. O barulho das arquibancadas já era grande demais para permitir que algo de fora atrapalhasse a apoteose santista.

Nos minutos finais do jogo, o Santos quase não conseguia mais trocar passes e nem chegou a ameaçar o gol do Vasco. Mas não era preciso. A única preocupação era ver o relógio andar.

O desfecho, mesmo sem o gol que todos esperavam que Robinho fizesse, foi de êxtase. Com o apito final, o Santos conquistava assim o segundo título brasileiro em três anos, despontando como time mais vencedor do país na década.

SANTOS
Mauro; Paulo César, Ávalos, Leonardo e Léo; Fabinho, Preto Casagrande, Ricardinho e Elano (Marcinho); Robinho (Basílio) e Deivid (William)
Técnico: Wanderley Luxemburgo

VASCO
Everton; Henrique, Fabiano (Gomes) e Daniel; Claudemir, Ygor, Coutinho, Júnior (Rubens), Rodrigo Souto (Rafael) e Diego; Marco Brito
Técnico: Joel Santana

Local: estádio Benedito Teixeira, em São José do Rio Preto
Árbitro: Leonardo Garciba (RS)
Auxiliares: Sérgio Buttes Cordeiro Filho (RS) e Paulo Ricardo Silva Conceição (RS)
Gols: Ricardinho, aos 5min, e Elano, aos 30min do primeiro tempo; Marco Brito, aos 16min do segundo tempo

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