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  27/03/2005 - 17h56
"Salva-Ronaldo" funciona às avessas e Brasil volta a vencer nas eliminatórias

João Henrique Medice
Enviado especial do UOL
Em Goiânia (GO)

A operação "salva-Ronaldo" da seleção brasileira funcionou, mas não como o time e o técnico Carlos Alberto Parreira esperavam. Neste domingo, em Goiânia, o Brasil superou o Peru e voltou a vencer nas eliminatórias, mas não com o esperado gol do atacante, vítima de profundo inferno astral no Real Madrid.

Após uma série de tentativas frustradas de corresponder à devoção dos seus companheiros, que o deixaram em condições de marcar ao menos em três oportunidades, o "Fenômeno" serviu Kaká aos 28min do segundo tempo no lance no qual o meia-atacante do Milan salvou o Brasil do que seria seu terceiro jogo seguido sem vitória no qualificatório para a Copa do
Mundo.

SALVA-RONALDO

Atacante foi procurado desde os primeiros minutos


"Furada" impediu gol no primeiro tempo


"Fenômeno" esbarra no goleiro Ibañez...


..e sai de cabeça baixa ao término da primeira etapa


Ibañez sai bem e evita drible de Ronaldo...


...mas, no fim, atacante tem participação no gol
Com o sucesso por 1 a 0 em Goiânia, o Brasil manteve apenas dois pontos de desvantagem para a líder das eliminatórias, a Argentina. Enquanto o time de Parreira é o vice-líder com 23 pontos, os "hermanos", que quebraram no sábado um jejum de 32 anos sem vitórias contra a Bolívia em La Paz, somam 25.

O resultado afasta também a possibilidade de uma marca negativa do time pentacampeão. Caso não vencesse neste domingo, o Brasil completaria três jogos sem vitória, com o adendo da ameaça também de completar três jogos sem marcar gols. Nos dois jogos anteriores, a equipe havia obtido um empate (0 a 0 contra a Colômbia) e uma derrota (1 a 0 contra o Equador).

Com o gol de Kaká, o Brasil também segue no caminho traçado pela comissão técnica para praticamente garantir ainda nesta semana a classificação para a Copa do Mundo de 2006. Na quarta-feira, no mítico estádio Centenário, em Montevidéu, o time de Parreira encara o Uruguai, que não perde para os brasileiros na sua casa desde 1976.

Se os esforços para auxiliar o astro do Real Madrid se revelaram capengas, o mesmo pode-se dizer da primeira experiência com o novo esquema tático implantado por Parreira.

O treinador abriu mão do 4-3-1-2, predominante em praticamente toda sua gestão, e passou a armar o time com dois volantes (Emerson e Zé Roberto), dois meias (Juninho e Kaká) e dois atacantes (Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo). Apesar da aparente mudança, os velhos problemas apresentados pelo time persistiram em Goiânia.

"Não tá difícil, é só ter paciência. Se jogar pela lateral fica mais fácil", sentenciou o lateral-esquerdo Roberto Carlos no intervalo.

"O time foi muito lento, não se compactou. Faltou alegria para jogar. Vamos ver se a gente abre mais o jogo, jogue com mais velocidade", avaliou Parreira ao fim da primeira etapa, quando decidiu colocar Robinho em campo na tentativa de dinamizar a operação "salva-Ronaldo".

O auxílio ao atacante começou logo a 1min30, quando Juninho armou jogada pela direita e tocou para Cafu. O capitão fez o cruzamento na direção de Ronaldo, que não conseguiu alcançar.

O plano teve seqüência aos sete minutos, quando Ronaldinho Gaúcho tocou para Kaká na entrada da área. O jogador do Milan tocou para trás e Zé Roberto chutou, com perigo, à direita do gol de Ibañez.

Aos 10min, Roberto Carlos roubou bola na intermediária do Peru e acionou Ronaldinho Gaúcho. O astro do Barcelona tentou lançamento para Ronaldo, mas o "Fenômeno" passou a bola e não conseguiu dominar. Dois minutos depois, o Brasil ensaiou uma "blitz" contra a área peruana.

Roberto Carlos cruzou na direção de Ronaldo, mas o atacante, mais uma vez, não alcançou. Kaká buscou a bola no lado direito e tocou para Juninho tentar novo cruzamento. A zaga rebateu e, no rebote, Roberto Carlos chutou para defesa parcial de Ibañez. Na seqüência, a zaga mandou a bola para escanteio.

KAKÁ SALVA

Ronaldo foi acionado desde o início do jogo...


...enquanto Lúcio e Juan tinham pouco trabalho


Mas o gol saiu apenas com Kaká, no 2º tempo


Jogador do Milan comemorou com Gaúcho...


...e, como de costume, agradeceu aos céus pelo gol

Nos minutos seguintes, o público do Serra Dourada viu um Peru arriscando um pouco mais no ataque, conforme "promessa" do seu técnico, o brasileiro Paulo Autuori. Em dois lances, um com Palacios, desarmado por Roberto Carlos, e numa falta cobrado por Solano, o visitante levou perigo a Dida.

Aos 20min, o Brasil do novo 4-2-2-2 mostrava os mesmos defeitos que o Brasil "velho", que usava o "1" no 4-3-1-2. A equipe, bem marcada, não conseguia chegar ao ataque por meio da troca de passes, algo bastante valorizado nos times dirigidos por Parreira.

Aos 21min, em outro "abafa", Cafu recuperou a bola na lateral direita e arriscou um chute rente à linha do gol peruano. Ronaldo, livre, viu a bola passar entre suas pernas, sem conseguir tocar para a meta do já batido Ibañez.

Cinco minutos depois, o Peru deu outro indício de preocupação para Dida. Pizarro recebeu longo lançamento nas costas da defesa e, já dentro da área, arriscou um chute sem pulo. A bola passou próximo à trave esquerda da meta brasileira.

Aos 31min, Juninho Pernambucano teve a chance a deixar o ser "cara que deve sair para o Robinho entrar", mas chutou falta à esquerda do gol do Peru. No minuto seguinte, o Brasil teve sua melhor chance, e justamente no esquema "salva-Ronaldo".

O atacante do Real Madrid tabelou com Roberto Carlos, companheiro de clube, a apareceu sozinho à frente de Ibañez. Porém, se atrapalhou no momento da conclusão e facilitou a defesa do goleiro peruano. A falha foi a deixa para o grito por Robinho se tornar generalizado no Serra Dourada.

Aos 41min, o Peru armou contra-ataque. Pizarro dominou na entrada da área e aguardou a passagem de Palacios pela direita. O armador recebeu a bola livre, mas, entre chutar e cruzar, não fez nenhum dos dois e facilitou a defesa de Dida.

Para o segundo tempo, Parreira fez a alteração prevista desde os treinamentos na Granja Comary. Irritado com a falta de velocidade, o treinador sacou Juninho e pôs Robinho em campo. Mas quem assustou primeiro na etapa final foi o Peru. Pizarro aproveitou falha da defesa e cabeceou por cima do gol de Dida.

O Brasil respondeu aos seis minutos. Lúcio centrou em cobrança de falta na direção de Ronaldo, mas o atacante, que chutou por cima, cometeu falta segundo a arbitragem. No minuto seguinte, Kaká lançou Ronaldo dentro da área. O atacante tentou, sem sucesso, driblar Ibañez, que cortou o lance.

Aos oito, o Brasil criou outra boa chance. Kaká tabelou com Cafu que, impedido, entrou na área e cruzou para o companheiro de Milan, que teve seu chute desviado justamente na direção das mãos de Ibañez.

Aos 13min, o árbitro Carlos Amarilla deixou de marcar pênalti claro para o Brasil. Ronaldinho Gaúcho tabelou com Robinho e, no momento no qual entrou na área, foi derrubado por Vilches. Amarilla ainda puniu o meia-atacante com cartão amarelo.

Aos 28min, o gol. Ronaldinho tocou para Ronaldo, e o "Fenômeno" lançou Kaká dentro da área. O jogador do Milan chutou na saída de Ibañez.

Após o gol, o Brasil seguiu desorganizado em campo, o que parecia não importar mais para a torcida, que gritava "olé" no embalo da despretensiosa troca de passes da equipe. Aos 46min, Ronaldo teve sua última chance de coroar o esforço coletivo para que balançasse as redes. Driblou um adversário já dentro de área, mas, no momento da conclusão, novamente chutou em cima de Ibañez.

BRASIL
Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Juninho Pernambucano (Robinho) e Kaká (Renato); Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo
Técnico: Carlos Alberto Parreira

PERU
Ibañez; Soto, Rebosio, Rodríguez (Guadalupe) e Vilches; Jayo, Zegarra, Palacios (Olcese) e Solano (Cominges); Farfán e Pizarro
Técnico: Paulo Autuori

Local: estádio Serra Dourada, em Goiânia (GO)
Público: 49.163 pessoas
Renda: R$ 2.183.544,00
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)

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