! Portuguesa estraga a festa do São Paulo - 31/03/2005 - UOL Esporte - Futebol

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  31/03/2005 - 22h19
Portuguesa estraga a festa do São Paulo

Marcius Azevedo
Em São Paulo

A festa estava armada. O São Paulo precisava de uma vitória para conquistar o título do Campeonato Paulista e a torcida lotou o Pacaembu na noite desta quinta-feira. No entanto, a Portuguesa tratou de estragar a comemoração da equipe do Morumbi e venceu por 2 a 1.

CAMINHO ATÉ O TÍTULO
AdversárioDataLocal
Santos03/04fora
Ponte Preta09/04casa
Mogi Mirim17/04fora
"Fomos surpreendidos. Estava falando com o pessoal e isso está claro para nós: se a Portuguesa tivesse jogado assim durante o Paulista inteiro, estaria lá em cima na tabela", analisou o meia Souza, do São Paulo.

Esta foi a primeira derrota do São Paulo na temporada 2005. O time comandado por Emerson Leão não perdia desde o dia 19 de dezembro do ano passado, na última rodada do Campeonato Brasileiro, quando foi superado pelo Goiás por 2 a 0 no Serra Dourada.

Com o resultado desta quinta-feira, o São Paulo acumula a primeira grande frustração da temporada. Agora, o time do Morumbi não tem mais chance de ser campeão invicto e romper o tabu que dura desde 1972 (quando o Palmeiras faturou a taça).

Para o São Paulo, o tabu é ainda maior. O time do Morumbi não fatura um título sem perder desde 1946.

Apesar de não ter mais chances de ser campeão invicto, o São Paulo segue como favorito absoluto ao título. O time de Emerson Leão estaciona nos 41 pontos, mas precisa apenas de um empate no próximo domingo para ficar com a taça.

O São Paulo ainda pode ser alcançado em número de pontos por Santos e Corinthians, que têm 32 e ainda disputarão três jogos. No entanto, só o time do Parque São Jorge pode alcançar a equipe de Emerson Leão no número de vitórias (primeiro critério de desempates).

Para perder o título, além de perder as três partidas que tem pela frente e ainda ver três vitórias do Corinthians, o São Paulo ainda precisaria perder uma vantagem incrível que tem no saldo de gols (28 contra 15).

A Portuguesa ainda tem muito o que comemorar. A vitória desta quinta-feira fez com que a equipe do Canindé deixasse a zona de rebaixamento do Campeonato Paulista. Agora, o time dirigido por Giba soma 17 pontos e salta para a 16ª colocação.

O destaque ofensivo da Portuguesa foi o centroavante Washington, autor dos dois gols. Ele já balançou as redes seis vezes neste Campeonato Paulista e é o artilheiro do clube do Canindé.

Aliás, em todas as partidas que disputou nesta temporada, a Portuguesa só não marcou gols na décima rodada do Campeonato Paulista, quando empatou com o União São João por 0 a 0.

Entretanto, o grande nome da Portuguesa nesta quinta-feira foi o goleiro Gléguer. Com defesas incríveis, o camisa 1 impediu que o São Paulo saísse do Pacaembu com o título do Campeonato Paulista.

Na próxima rodada do Campeonato Paulista, as duas equipes entram a campo às 16h de domingo. O São Paulo vai a Mogi Mirim para fazer o clássico contra o Santos e precisa de um empate para se sagrar campeão. A Portuguesa recebe o Mogi Mirim no Canindé.

O jogo
FESTA ADIADA

Confiante, torcida tricolor lotou o Pacaembu...


...mas foi surpreendida pela garra da Lusa


Rogério fez boas defesas, mas não marcou desta vez


Cabeceio preciso de Washington deu vitória à Lusa...


...garantida também pelas defesas do goleiro Gléguer...


...que selaram a perplexidade na face do torcedor tricolor


...e nos gestos dos jogadores do time do Morumbi
O São Paulo precisava apenas de uma vitória para garantir o título do Campeonato Paulista. Portanto, o técnico Emerson Leão escalou apostou em uma formação ofensiva e mandou seus atletas marcarem a saída de bola da Portuguesa.

No entanto, o técnico Giba utilizou uma alternativa interessante para escapar da pressão do São Paulo. Escalou a Portuguesa com três zagueiros e montou uma eficiente linha de impedimento.

Além disso, ainda adiantou o meio-campo até conseguir limitar o São Paulo à zona intermediária do gramado do Pacaembu.

Quando teve espaço para avançar, o São Paulo abusou de lançamentos e não conseguiu encontrar erros na linha de impedimento da Portuguesa. Foi assim aos 2min, quando Grafite fez lindo lançamento para Danilo e encontrou o camisa 10 à frente da defesa.

Aos 8min, a jogada se repetiu. Desta vez, porém, o lançamento foi de Danilo e encontrou Grafite, que estava impedido.

A articulação de jogadas dos meias do São Paulo era limitada a lançamentos longos. A equipe do Morumbi só não usou este artifício quando a bola não caiu nos pés de jogadores criativos. Aos 10min, o volante Renan teve espaços e preferiu arriscar de longa distância. O chute passou à direita de Gléguer, muito perto da trave.

Com a demora para inaugurar o marcador, o São Paulo começou a ficar nervoso. Assim, os jogadores de defesa da equipe do Morumbi avançaram demais e deram espaços para os contra-golpes.

O técnico Giba colocou o lateral-esquerdo Leonardo para ocupar o espaço deixado às costas de Cicinho. E o camisa 6 se tornou a principal arma ofensiva da Portuguesa.

Aos 14min, Leonardo levou a bola à linha de fundo e conquistou um escanteio. Cléber cobrou no primeiro pau e Washington tocou de cabeça para acertar o travessão de Rogério Ceni.

O São Paulo respondeu também em uma bola parada. Aos 16min, contrariando um pedido do técnico Emerson Leão, o goleiro Rogério Ceni foi ao ataque para cobrar uma falta. O camisa 1 bateu com categoria e acertou o travessão de Gléguer.

Os chutes de fora da área eram realmente a principal arma do São Paulo. Foi assim que o time de Leão chegou aos 20min. Danilo dominou na direita, driblou Alexandre para o meio e arriscou de pé esquerdo. Gléguer espalmou e impediu o gol.

A resposta da Portuguesa, contudo, foi pesada. Aos 22min, Washington recebeu lançamento e desviou de cabeça para Leonardo. O lateral-esquerdo disputou a bola com Cicinho e conseguiu devolver para Washington, que invadiu a área e chutou de pé esquerdo para inaugurar o marcador.

Era tudo que o São Paulo não queria. Atordoado, o time do Morumbi mostrou que a desenvoltura apresentada pela Portuguesa foi completamente surpreendente.

Depois do gol, contudo, a Portugesa se retraiu demais. E com isso, deu espaços para o São Paulo criar. Tanto que o time do Morumbi começou a utilizar melhor os alas Cicinho e Júnior.

Aos 40min, Cicinho recebeu na direita, driblou Leonardo e foi agarrado pelo camisa 6. Rogério Ceni apareceu para a cobrança, mas foi Júnior quem tocou de pé esquerdo para acertar o ângulo esquerdo do goleiro Gléguer.

O lateral-esquerdo vibrou muito com o gol de falta, mas isso não foi suficiente para acordar o São Paulo. Durante os últimos minutos, quando a Portuguesa esteve desarrumada, o time de Emerson Leão não soube aproveitar.

Por conta disso, o técnico Emerson Leão resolveu modificar o São Paulo. No intervalo, trocou o meia Marco Antônio, que pouco produziu, por Souza.

Mais ousado que Leão, Giba colocou a Portuguesa no ataque. Para isso, tirou o meia Silas e deu uma oportunidade ao atacante Oliveira, revelado nas categorias de base do São Paulo.

Assim, a Portuguesa voltou melhor para o período complementar. Com Oliveira e Washington abertos pelas pontas, o time do Canindé impediu os avanços dos laterais do São Paulo.

Isso restringiu o time de Emerson Leão a Danilo e Souza, que mostraram total falta de criatividade. Com isso, o São Paulo se limitou novamente a chutes de fora da área.

Prova disso é que a primeira oportunidade do São Paulo na etapa final aconteceu aos 7min. Grafite recebeu passe de Cicinho na direita e tentou cruzar de primeira. A bola pegou efeito e quase surpreendeu Gléguer, que desviou para a linha de fundo.

Mais insinuante, a Portuguesa quase marcou aos 12min. Wilton Goiano recebeu na direita, driblou o goleiro Rogério Ceni e ficou sem ângulo para bater. Mesmo assim, tentou a conclusão e acertou Edcarlos, que afastou o perigo.

Na seqüência do lance, Rai pegou a sobra na direita e levantou para a área. Renan não saiu do chão e Washington teve liberdade total para cabecear com estilo, no ângulo esquerdo de Rogério Ceni.

Novamente em vantagem, a Portuguesa assumiu o controle do jogo. E poderia ter ampliado a diferença aos 17min, quando Oliveira recebeu lindo lançamento na área e chutou de primeira, de pé esquerdo. A bola passou muito perto do travessão.

Aos 23min, Oliveira voltou a levar perigo. Wilton Goiano cruzou da direita e a bola passou por toda a extensão da área. Washington ajeitou de cabeça no segundo pau e a bola sobrou dentro da pequena área para Oliveira, que chutou de pé esquerdo e obrigou Rogério Ceni a praticar difícil defesa.

Depois disso, o jogo se resumiu a um duelo do São Paulo contra Gléguer. O goleiro foi a principal figura da Portuguesa e impediu o gol do time do Morumbi com intervenções incríveis.

Na melhor seqüência de defesas, aos 36min, Gléguer espalmou uma cabeçada de Souza, defendeu a complementação de Cicinho e, no rebote, Diego Tardelli bateu por cima do travessão.

Aos 43min, Grafite ainda desperdiçou uma chance incrível para empatar. O jogador recebeu um cruzamento dentro da pequena área e deu uma furada incrível.

Muito nervoso, o São Paulo não conseguiu criar mais lances de ataque. Para frustração geral dos 35 mil torcedores presentes no Pacaembu, a vitória da Portuguesa estava definida.

PORTUGUESA
Gléguer; Pereira, Altair e Sílvio Criciúma; Wilton Goiano, Alexandre, Rai, Silas (Oliveira) Leonardo; Cléber (Almir) e Washington
Técnico: Giba

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Cicinho, Fabão, Edcarlos e Júnior; Mineiro (Josué), Renan, Marco Antônio (Souza) e Danilo; Grafite e Diego Tardelli
Técnico: Emerson Leão

Local: estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Árbitro: Anselmo da Costa (SP)
Auxiliares: Ana Paula de Oliveira e Maria Eliza Barbosa (ambas de SP)
Cartões amarelos: Cléber (P), Altair (P), Júnior (S), Washington (P), Sílvio Criciúma (P), Oliveira (P), Souza (S), Cicinho (S), Renan (S), Grafite (S)
Gols: Washington, aos 22min, Júnior, aos 40min do primeiro tempo; Washington, aos 13min do segundo tempo

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