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  14/04/2005 - 11h19
Argentino continua preso, e advogados tentam "habeas corpus"

MBPress
Em São Paulo

Folha Imagem/Fernando Santos 
Desábato segue preso em São Paulo, enquanto advogados tentam libertação
O jogador argentino Leandro Desábato, do Quilmes, continua preso no 34º Distrito Policial, no bairro do Morumbi, em São Paulo. Dois advogados estiveram na delegacia na manhã desta quinta-feira e colheram a assinatura do atleta para darem entrada no pedido de "habeas corpus".

Os dois profissionais que trabalham na defesa de Desábato foram designados pelo cônsul argentino Norberto Vidal. O inquérito policial aberto contra o atleta do Quilmes já foi finalizado e deixou o 34º DP para ser avaliado pela Justiça.

Como a pena prevista para o crime de racismo no Brasil varia de um a três anos de reclusão, só um juiz pode decidir se o jogador deve ou não permanecer preso ou ser liberado mediante pagamento de fiança, estipulada pelo mesmo.

É inadmissível que um atleta estrangeiro venha aqui e cometa um ato como esse
Dr Nico, delegado responsável pela prisão

Leandro Desábato recebeu voz de prisão ainda no gramado do Morumbi, na noite desta quarta-feira, por ter proferido palavras racistas ao atacante Grafite, do São Paulo.

"É inadmissível que um atleta estrangeiro venha aqui e cometa um ato como esse", disse o delegado Osvaldo Gonçalves, conhecido como Nico, que prendeu o argentino logo que o jogo terminou.

Para ele, a atitude será um marco contra crimes semelhantes. "Atualmente existem muitos brasileiros atuando no exterior. E nesses países, os nossos jogadores respeitam as leis vigentes em cada local. Portanto, nós temos que tomar medidas caso um estrangeiro venha ao Brasil e desrespeite as nossas leis".

O lance ocorreu no segundo tempo. Após uma ríspida dividida de bola entre Arano e Grafite, Desábato aproximou-se do brasileiro e disse palavras ao seu ouvido. Grafite revidou empurrando a cara do argentino. O árbitro do jogo expulsou só o jogador são-paulino e Arano. Desábato continuou em campo.

Na partida de ida entre os dois clubes, na Argentina, os jogadores do São Paulo já haviam reclamado de terem sido ofendidos com xingamentos racistas. A direção do Quilmes chegou a enviar um pedido formal de desculpas ao time brasileiro.

QUEM É O ARGENTINO

Nascimento: 24/01/1979
Local: Cafferatta (ARG)
Altura: 1,86 m
Peso: 82 kg
Posição: Zagueiro
Clubes: Quilmes, Estudiantes de La Plata e Olimpo
Prazo para conclusão: dezembro de 2006
"Pode se preparar que isso vai ser uma notícia mundial, porque isso [racismo] não é para acontecer em nenhum lugar, nem aqui nem na Europa", disse o zagueiro Fabão após tomar conhecimento do episódio.

O zagueiro estava certo. Nesta quinta-feira, jornais da Europa, Estados Unidos, Ásia e até da Argentina relataram o assunto, que repete uma tendência em gramados europeus.

O lateral-esquerdo Roberto Carlos, que joga no Real Madrid, da Espanha, é vítima constante dos xingos vindos das arquibancadas das torcidas adversárias, que o chamam de "macaco" ou, quando ele pega na bola, emitem sons parecidos com o que esta espécie de animal produz.

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
A prisão de Desábato ganhou repercussão internacional, sendo veiculada pela mídia européia, norte-americana, e até asiática. Leia mais
Ainda na Espanha, o atacante camaronês que atua no Barcelona, Samuel Eto'o, também é alvo de palavras racistas. Em um jogo do Campeonato Espanhol, o árbitro da partida teve que interromper e pedir para que o a direção do clube da casa interferisse, pedindo para os torcedores parassem.

Ações contra o racismo
A crescente onda de racismo contra os jogadores de futebol deu início a um movimento que tem como objetivo lutar pelo fim das manifestações contrárias aos atletas, principalmente os brasileiros que atuam na Europa.

No último dia 21 de abril, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), fundado pelo ex-sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou uma campanha nacional intitulada "Mande um cartão vermelho para o racismo no futebol" (www.racismonofutebol.com.br).

A campanha tem como objetivo que cidadãos brasileiros se sensibilizem e enviem mensagens para Federação Internacional de Futebol (FIFA), Federação Européia de Futebol (UEFA) e Federação Espanhola de Futebol, exigindo atitudes mais eficazes no combate ao racismo.

Nos casos em que houve punição, as penas estabelecidas foram consideradas brandas pelos veículos de imprensa e formadores de opinião.

Em fevereiro, por exemplo, a UEFA multou o La Coruña em 600 Euros (cerca de R$ 2.160), por manifestações racistas feitas pela torcida do clube ao jogador brasileiro Roberto Carlos, do Real Madrid.

Em outra partida na Europa, os brasileiros Juan e Roque Júnior, que atuam no Bayern de Munique (Alemanha), foram vítimas de manifestações da torcida quando entraram em campo para enfrentar o Real Madrid.

Porém, o árbitro da partida sequer relatou o fato na súmula do jogo, e os xingos vindos das arquibancadas não geraram nenhuma reação por parte do presidente da UEFA, Lennart Johansson, presente no estádio.

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