! Com gol e do jeito que gosta, Romário tem despedida de 38min - 27/04/2005 - UOL Esporte - Futebol

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  27/04/2005 - 23h43
Com gol e do jeito que gosta, Romário tem despedida de 38min

Bruno Freitas e Daniel Tozzi
Em São Paulo

CENAS DA DESPEDIDA

Romário chora ao ouvir o hino


Em busca do gol, até cobrou falta -que nunca foi sua 'praia'


De cabeça, Romário marca e


É festejado pelos jogadores


Abraça Raí e é escoltado por amigos do tetra na saída


Dá volta olímpica sob
gritos de "tetracampeão"


Deixa o campo sob proteção
e vê torcida gritar seu nome
Foram apenas 38 minutos, quase nada, mas a despedida de Romário da seleção brasileira em São Paulo teve um pouco de tudo que marcou sua carreira dentro de campo, com todos os requintes de emoção. Gol impedido, cartão amarelo, passe perfeito, mensagem por baixo na camiseta e, claro, um gol legítimo.

E o gol foi com a cara de Romário, do jeito que cansou de marcar na carreira, seja pela seleção ou não. Aos 16min do primeiro tempo, o "Baixinho", completamente livre na área, desviou de cabeça um cruzamento de Ricardinho.

Foi o segundo gol na vitória brasileira por 3 a 0 sobre a Guatemala, placar que vale apenas como menção de rodapé no adeus do herói do título mundial de 1994.

Na comemoração do gol, Romário exibiu uma camiseta em homenagem a filha que acaba de nascer com um problema de saúde, Ivy. Ao contrário de slogans polêmicos da época de Flamengo, o "Baixinho" mandou a mensagem "Tenho uma filhinha down que é uma princesinha". Em seguida, recebeu cartão amarelo por retardar o reinício do jogo.

Aos 38min, Grafite se aquecia fora de campo e Romário, da "banheira", seu conhecido habitat como atacante goleador, sabia que o fim tinha chegado.

Neste momento, o veterano de 39 anos foi recebido por um comitê de companheiros campeões em 1994 (Dunga, Branco, Raí, Viola e Paulo Sérgio) e deixou o gramado do Pacaembu.

Mesmo longe do seu Rio de Janeiro, na noite gelada de São Paulo, Romário viveu momento tocante. Com o estádio paulista gritando seu nome sem parar, o atacante do Vasco deu uma volta olímpica, no ato que marcou a saudação final de um dos maiores ídolos da história da seleção.

"Infelizmente acabou. Na verdade, estou feliz por tudo o que consegui com essa camisa. Não foi no Rio (a despedida), mas a torcida aplaudiu muito. foi uma homenagem justa, e fico feliz", declarou Romário na saída do gramado.

Depois, com seu legado encerrado, Romário se dirigiu à tribuna de honra no meio da torcida, sentiu o calor da torcida de perto, mas sequer viu o segundo tempo - teve que sair às pressas do Pacaembu para embarcar ao México, onde volta a jogar "festivamente" nesta quinta-feira.

Em campo, novatos de seleção se esforçaram para impressionar Parreira, que ainda não fechou o grupo que pretende levar à Copa da Alemanha no próximo ano. Inserido nesta luta, Grafite, substituto do "Baixinho", deixou o seu gol, É o ciclo de renovação que não pára.

Jogo
Além da despedida de Romário, o amistoso-comemorativo serviu de base para Carlos Alberto Parreira observar novos jogadores. Ao longo da semana, o treinador repetiu diversas vezes que o grupo da seleção ainda não está fechado.

Robinho, atração ao lado do "Baixinho", não produziu o que a torcida esperava. Pedalou e arriscou jogadas individuais, mas não foi objetivo. No segundo tempo acabou substituído por Fred, artilheiro do Cruzeiro.

DESPEDIDA DE ROMÁRIO

3min: cobra falta para fora.
8min: recebe lançamento longo de Léo, e finaliza em cima do goleiro Klée.
9min: recebe passe de Robinho, mas perde o domínio da bola.
16min: faz gol, após lançamento preciso de Ricardinho.
17min: recebe cartão amarelo por retardar reinício do jogo.
18min: livre na área, chuta em cima do goleiro.
26min: completa para as redes, mas tem gol anulado por impedimento.
38min: é substituído e dá lugar a Grafite.
A fragilidade da Guatemala facilitou o trabalho da seleção, que abriu o placar logo aos 4min. Carlos Alberto cobrou escanteio curto para o são-paulino Cicinho, que cruzou no primeiro pau. Anderson, do Corinthians, se antecipou e marcou.

Parreira não pôde contar com Fernandinho (Atlético-PR), Gustavo Nery e Roger (ambos do Corinthians), cortados por motivo de contusão. E a equipe, desentrosada, trocava passes mas não incomodava a defesa adversária.

Enquanto o "Baixinho" permaneceu em campo, todas as atenções estavam voltadas para o artilheiro, que estreou na seleção em 1987, em amistoso disputado em Dublin. O Brasil perdeu para a Irlanda por 1 a 0, e Romário entrou no segundo tempo.

Léo serviu bem o Baixinho aos 9min, e Romário chutou para a defesa de Klée. No minuto seguinte, o santista o deixou em boa condição pela esquerda, mas o vascaíno se atrapalhou com a bola.

Aos 16min, o Pacaembu foi à loucura quando o centroavante aproveitou passe de Ricardinho e completou de cabeça. O Baixinho vibrou. Levantou a camisa, homenageou a recém-nascida filha, Ivy, que nasceu com síndrome de down, e foi abraçado por todos os jogadores brasileiros. Recebeu o cartão amarelo do árbitro Martin Vasquez, mas não ligou.

Foi o último gol pela seleção, o tento número 71. Apenas Pelé, com 95, foi mais implacável com a camisa amarelinha.

Empolgado e incentivado pelos torcedores, que comparecerem em bom número, Romário voltou a marcar aos 26min - Ricardinho chutou cruzado, após jogada de Léo, e o Baixinho apenas empurrou a bola. A arbitragem, porém, marcou impedimento.

Aos 33min, a primeira substituição da partida. Magrão se chocou violentamente com o marcador e não seguiu em campo. Marcinho, do São Caetano, entrou no seu lugar. O palmeirense deixou o Pacaembu na ambulância.

A trajetória de Romário na seleção brasileira terminou aos 38min. Grafite, do São Paulo, aguardava à beira do campo. O Baixinho, dessa vez sem chorar, acenou para a torcida que gritava o seu nome, abraçou os companheiros e saiu lentamente. Raí, Dunga, Paulo Sérgio, Branco e Viola, que participaram da campanha do tetracampeonato, nos Estados Unidos (1994), conduziram o astro.

Além de Fred, Parreira promoveu mais três mudanças para a etapa final: Rogério Ceni na vaga de Marcos, Gabriel no lugar de Cicinho e Fernandão no meio-campo - Carlos Alberto saiu.

O cruzeirense, aos 3min, arrancou pela direita e chutou forte. A bola explodiu no travessão. A Guatemala respondeu cinco minutos depois. Thompson dominou na direita e cruzou no primeiro pau para Martinez, que concluiu de voleio. Ceni caiu no canto esquerdo e defendeu.

O Brasil ampliou aos 20min. Grafite tabelou com Fernandão, se livrou da marcação e tocou na saída do goleiro Klée.

Diante da desvantagem, a Guatemala ensaiou uma reação, mas a falta de qualidade dos atacantes evitou calafrios na torcida. O Brasil, satisfeito com o resultado, procurava valorizar a posse de bola e arriscar jogadas esporádicas com Fernandão e Grafite.

O Brasil volta a atuar em junho pelas eliminatórias, contra Paraguai e Argentina. Na seqüência disputará a Copa das Confederações, na Alemanha.

BRASIL
Marcos (Rogério Ceni); Cicinho (Gabriel), Fabiano Eller (Gláuber), Ânderson e Léo; Mineiro, Magrão (Marcinho), Ricardinho e Carlos Alberto; Romário (Grafite) e Robinho (Fred)
Técnico: Carlos Alberto Parreira

GUATEMALA
Miguel Klée; Nestor Martinez, Pablo Melgar, Gustavo Cabrera e Denis Chen (Gomes); Julio Girón (Morales), Fredy Thompson, Angel Sanabria (Dávila)e Carlos Castillo; Gonzalo Romero e Hernán Sandoval
Técnico: Ramón Maradiaga

Local: estádio do Pacaembu, em São Paulo
Árbitro: Martin Vasquez (Uruguai)
Auxiliares: Walter José dos Reis e Ednilson Corona (Brasil)
Público: 36.235
Renda:R$ 375.897, 00
Cartões: Romário, Marcinho (B); Girón
Gols:Anderson, aos 4min, Romário, aos 16min do 1º tempo; Grafite, aos 20min do 2º tempo

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