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  10/06/2005 - 09h54
Com melhor temporada, Kuki conquista o Náutico

Thales Calipo, da MBPress, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - A relação do atacante Kuki, do Náutico, com o gol pode ser invejada por qualquer outro jogador da posição. Com regularidade destacável, este cearense de 34 anos coleciona importantes marcas e vive a melhor temporada de sua carreira. E até agora foram só cinco meses.

No Campeonato Pernambucano deste ano, o rival Santa Cruz ficou com o título, mas o artilheiro foi o jogador do Timbu, que balançou as redes 17 vezes, cinco a mais que o segundo colocado. Nesta Série B, Kuki segue como homem-gol e é o atual artilheiro da competição, com sete gols.

Graças a este desempenho, o atacante do Náutico é o segundo maior artilheiro do Brasil nesta temporada, com 27 gols - contando os jogadores que atuam na primeira e segunda divisão nacional. Kuki perde apenas para Fred, do Cruzeiro, que marcou 31 vezes.

Todos esses gols também deram a Kuki o status de terceiro maior goleador do clube pernambucano, com 146 gols em 247 jogos. Caso mantenha essa média de 0,59 gol por jogo, não irá demorar muito para alcançar Bita, o maior goleador no Náutico, que está 77 gols à sua frente.

"Eu particularmente fico feliz por fazer parte da história de um clube centenário e de tanta história como o Náutico. É gratificante para qualquer jogador e espero continuar ajudando este clube que amo tanto", comemorou Kuki.

Mas se engana quem pensa que o veterano atacante pensa em parar agora. Como a maioria dos jogadores, Kuki também tem o sonho de jogar no exterior. O destino, no entanto, não é muito comum: Arábia Saudita. "Eu tenho muita curiosidade por aquele país", explicou.

Nesta entrevista exclusiva ao Pelé.Net, o artilheiro do Timbu fala ainda de como foi começar a carreira com 22 anos, da sua breve experiência nos gramados coreanos e sobre a vontade de vestir a camisa da seleção brasileira.

Pelé.Net - Você começou a jogar tarde para os padrões do futebol. Quando você decidiu se tornar um jogador?
Kuki -
Eu comecei a trabalhar cedo, quando tinha 14 anos. Já passei por fábrica de calçados, de bolsas, e até curtumes. Mesmo assim, eu costumava disputar campeonatos amadores em Crateús [cidade natal]. Depois de ser artilheiro em um ano, um pessoal de Encantado [cidade vizinha] me convidou para jogar com eles.

Pelé.Net - E foi a partir daí que você engrenou no futebol?
Kuki -
Não. Em 1998 eu tive uma grande desilusão no futebol. Mesmo jogando e fazendo meus gols, o pessoal deixava de me pagar às vezes. Então arranjei um emprego no ramo da informática com o meu tio. Só voltei para o futebol em 2000, quando recebei uma boa proposta do Lages, de Santa Catarina.

Pelé.Net - Atualmente você é o segundo maior artilheiro do Brasil, atrás apenas do Fred, do Cruzeiro. Você acha que consegue ser o maior goleador do país nesta temporada?
Kuki -
É difícil. O Fred jogará muito mais que eu, já que a Série A tem returno. Mas eu já fico feliz em estar sempre entre os cinco maiores artilheiros do Brasil. Já fui, ao lado do Finazzi [na época no América-SP], o maior artilheiro dos campeonatos estaduais. Isso tudo serve de motivação para mim.

Pelé.Net - Além dessa boa fase, você atingiu a marca de terceiro maior goleador de todos os tempos do Náutico. Como é ficar marcado em um clube de tradição?
Kuki -
Eu particularmente fico feliz por fazer parte da história de um clube centenário e de tanta história como o Náutico. É gratificante para qualquer jogador e espero continuar ajudando este clube que amo tanto.

Pelé.Net - Com tantos gols, você não sonha em ganhar uma oportunidade na seleção brasileira, mesmo estando com 34 anos?
Kuki -
O Brasil é um celeiro de craques, revela muitos jogadores. Temos ainda grandes atacantes nas categorias de base. Se estivesse em um clube de São Paulo, por exemplo, estaria mais em evidência. Mas o profissional, independentemente da idade, precisa trabalhar e sempre querer conquistar algo a mais.

Pelé.Net - Então você trocaria o Náutico por algum outro clube brasileiro?
Kuki -
Eu gostaria. Todo jogador sonha em jogar no Sul, no eixo Rio-São Paulo. Tem mais destaque, fica em evidência. A gente trabalha procurando algo a mais. Se tivesse uma proposta, sentaria para conversar.

Pelé.Net - E trocar o Náutico por Santa Cruz ou Sport?
Kuki -
Só se fosse uma grande proposta, irrecusável. O pessoal pegaria no meu pé e eu até entendo. O torcedor no nordeste é muito apaixonado. Eles não imaginam o seu ídolo vestindo a camisa do adversário, mas tem que ser profissional.

Pelé.Net - E como foi a sua passagem pelo futebol da Coréia?
Kuki -
Permaneci na Coréia por cinco meses [de 27/12/2001 a 12/5/2002]. Eu não entendia o sistema. Ficava no banco de reservas e joguei apenas cinco partidas. Como não estava me sentindo útil, decidi voltar para o Náutico, onde tinha feito uma grande campanha no ano anterior.

Em 2001, Kuki foi artilheiro e eleito melhor jogador da Copa Nordeste. Além de ser o maior goleador e campeão do Campeonato Pernambucano daquele ano.

Pelé.Net - Você teve problemas de adaptação naquele país?
Kuki -
Nenhum. Eu gostava de lá. Me dedicava a aprender a língua. Todo dia eu chegava em casa e pegava o livro para estudar o idioma e os costumes locais. Como tenho facilidade no inglês, eu vinha aprendendo algumas coisas.

Pelé.Net - Então você não descartaria voltar para lá caso tenha oportunidade?
Kuki -
Eu voltaria tranqüilamente. É um país muito bom. Mas um lugar que eu sonho mesmo em jogar é na Arábia.

Pelé.Net - Mas a Arábia não é, exatamente, um lugar que normalmente um jogador sonha em atuar.
Kuki -
Eu sei. Mas eu tenho muita curiosidade por aquele país. Muitos jogadores que foram jogar lá elogiaram a cultura. Existe também o lado da estabilidade financeira. A carreira de jogador é curta e por isso tem que aproveitar. Eu tenho esse sonho e, quem sabe, um dia irei realizar.

Pelé.Net - Você disse que a carreira de jogador é curta. Você já planeja sua aposentadoria do futebol?
Kuki -
De jeito nenhum. Enquanto Deus permitir estarei jogando. Eu costumo dizer que tenho só cinco anos, pois comecei a encarar mesmo o futebol a partir de 2000. Tenho exemplos como o Valdo, que jogou até os 40 anos. O importante é você sempre se cuidar fora de campo.

Ficha Técnica:

Nome: Silvio Luis Borba da Silva
Data de Nascimento: 30/04/1971
Local de Nascimento: Crateús-CE
Posição: Atacante
Clubes: Esporte Clube Encantado-RS, Grêmio Taquariense-RS, Esporte Clube Palmeirense-RS, Veranópolis-RS, Grêmio Santanense-RS, Ypiranga-RS, Internacional de Lages-SC, Brusque-SC, Hyunday-COR e Náutico-PE
Principais títulos: bi-campeão pernambucano (2001 e 2004) e campeão da Segunda Divisão catarinense (2000)
Marcas pessoais: Bi-campeão do craque do Campeonato Pernambucano (2003 e 2004), três vezes artilheiro do Pernambucano (2001, 2003, 2005), artilheiro e melhor jogador da Copa Nordeste (2001), artilheiro da Segunda Divisão catarinense (2000)


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