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  30/06/2005 - 23h52
Com empate, Atlético-PR garante final inédita

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Em São Paulo

A Copa Libertadores terá, pela primeira vez em seus 45 anos de história, uma decisão entre duas equipes do mesmo país. No caso, duas equipes brasileiras. Com empate por 2 a 2 com o mexicano Chivas nesta quinta-feira, em Guadalajara, o Atlético-PR alcançou a final pela primeira vez e será o adversário do São Paulo, que havia eliminado o River Plate na quarta.

AFP 
Lima e Alan Bahia comemoram segundo gol do Atlético-PR em decisão no México
As duas partidas da decisão estão marcadas para os dias 6 e 13 de julho. O São Paulo, por ter feito melhor campanha na fase de classificação, receberá o segundo jogo no estádio do Morumbi. Resta saber, agora, onde será o outro confronto. A Arena da Baixada, estádio do Atlético-PR, tem capacidade para apenas 24 mil torcedores e precisaria de 40 mil lugares para receber a final, de acordo com o regulamento da Conmebol.

A indefinição quanto ao palco da decisão, contudo, não muda o significado histórico destas partidas para o time paranaense. Afinal, a equipe dirigida por Antônio Lopes nunca havia passado sequer das oitavas-de-final da Libertadores, competição mais importante da América do Sul.

"Minha vontade é jogar na Arena. Isso é o que eu quero, mas deixo a decisão para a diretoria. Seja o que for, o importante é que estamos na final e vamos brigar pelo título da mesma maneira em qualquer estádio", prometeu o técnico Antônio Lopes.

Antônio Lopes, aliás, está muito perto de fazer história. Campeão da Libertadores em 1998, quando dirigia o Vasco, o treinador pode entrar para um seleto grupo de brasileiros que venceram o torneio duas vezes (ao lado de Lula, Telê Santana e Luiz Felipe Scolari).

O curioso é que o adversário de Antônio Lopes na decisão, Paulo Autuori, também briga para entrar para este grupo. Ele venceu a Libertadores em 1997, quando comandava o Cruzeiro.

Se Lopes pode se tornar um dos técnicos brasileiros com mais títulos da Libertadores, um dos jogadores do Atlético-PR já garantiu a presença de seu nome na história do clube. Lima marcou os dois gols do time brasileiro nesta quinta-feira, chegou a seis e se consolidou como artilheiro da equipe rubro-negra no torneio sul-americano.

DUAS VEZES LIBERTADORES
TécnicoTimeAno
LulaSantos1962
LulaSantos1963
Telê SantanaSão Paulo1992
Telê SantanaSão Paulo1993
Luiz Felipe ScolariGrêmio1995
Luiz Felipe ScolariPalmeiras1999
De quebra, Lima ultrapassou o lateral-direito Luizinho Netto, autor de quatro gols em 2000, e se tornou o maior artilheiro do Atlético-PR em uma única edição da Libertadores. O camisa 25 ainda empatou com o próprio Luizinho Netto na condição de maior goleador da equipe paranaense no torneio (Netto marcou dois gols na edição 2002 da Libertadores).

Embalado pela conquista da vaga histórica, o Atlético-PR volta a campo no próximo domingo, às 18h10. O time dirigido por Antônio Lopes viaja para o Distrito Federal e encara o Brasiliense na Boca do Jacaré em busca da primeira vitória no Campeonato Brasileiro (até aqui, a equipe paranaense somou apenas três pontos em nove partidas e ocupa a lanterna do torneio).

O jogo
Com relação ao time que venceu o Chivas por 3 a 0 na primeira partida, em Curitiba, o técnico Antônio Lopes promoveu uma novidade na escalação do Atlético-PR. Ele trocou o meio-campista André Rocha, com características mais ofensivas, pelo volante marcador Alan Bahia.

E o time mexicano, com o reforço dos cinco atletas que estavam com a seleção na disputa da Copa das Conderações (os goleiros Sánchez e Corona, o zagueiro Salcido, o meia Ramón Morales e o atacante Alberto Medina), ganhou uma característica mais ofensiva do que havia apresentado em Curitiba.

Com isso, o time brasileiro ofereceu espaço para o Chivas atacar e apostou nos contra-golpes. Em um deles, o Atlético-PR quase marcou. Fabrício cobrou falta da meia direita aos 9min e colocou a bola no travessão mexicano.

GOLS DE LIMA
14/04 - Atlético-PR 2 x 1 América (1 gol)
19/05 - Atlético 2 x 1 Cerro Porteño (1 gol)
26/05 - Cerro Porteño 2 x 1 Atlético-PR (1 gol)
01/06 - Atlético-PR 3 x 2 Santos (1 gol)
30/06 - Chivas 2 x 2 Atlético-PR (2 gols)
Aos 23min, o time brasileiro teve outra oportunidade para inaugurar o marcador em um contra-ataque. Aloísio recebeu entre os zagueiros, invadiu a área com a bola dominada e driblou o goleiro Sánchez para a esquerda. O camisa 1 desviou e o rebote ficou com Lima. Dentro da área, o jogador brasileiro concluiu de pé direito e acertou a marcação.

A falta de eficiência ofensiva do time brasileiro foi castigada no minuto seguinte. Morales recebeu lançamento rasteiro na direita, aproveitando o espaço deixado às costas de Marcão, e cruzou para trás. Palencia bateu de primeira, de pé direito, e venceu o goleiro Diego.

O gol desmontou o time brasileiro. O meio-campo do Atlético-PR se perdeu e o Chivas assumiu completamente o controle do jogo. Só que os donos da casa, em vez de procurar espaços na defesa visitante, preferiram arriscar chutes de longa distância.

Antes do intervalo, o Chivas teve outra oportunidade para ampliar. Sol recebeu lançamento nas costas da defesa do Atlético-PR, que falhou na tentativa de deixar o meia impedido. O camisa 15 mexicano driblou Diego para a esquerda, mas perdeu o ângulo. Por isso, cruzou para trás e encontrou Bravo na pequena área. Ele concluiu de primeira, mas Danilo deu um carrinho e impediu o gol.

"Marcamos muito mal no primeiro tempo. Não conseguimos produzir o que havíamos combinado e demos espaços para o Chivas jogar. Eles poderiam ter construído até uma vantagem maior", disparou o treinador Antônio Lopes, insatisfeito com o rendimento da equipe brasileira.

Lopes recua
Preocupado com o domínio do Chivas no primeiro tempo, o técnico Antônio Lopes resolveu alterar o Atlético-PR. No intervalo, ele tirou o meia Fernandinho e colocou André Rocha em campo para fortalecer a marcação.

Além de mais um volante em campo, Lopes também promoveu uma mudança tática. Cocito, que atuou no meio durante o primeiro tempo, foi recuado para a defesa ao lado dos zagueiros Danilo e Durval.

As alterações aumentaram a força física do Atlético-PR, que acabou com a superioridade do Chivas no meio-campo e ainda passou a utilizar mais os laterais nos lances ofensivos.

E foi exatamente em uma destas laterais que surgiu o gol de empate do time brasileiro. Marcão arrancou com a bola em um contra-ataque aos 22min e cruzou rasteiro. Lima apareceu dentro da área e tocou de primeira, de pé direito, para fazer o primeiro gol do Atlético-PR.

O gol deixou o Chivas desesperado. Precisando marcar cinco vezes para se classificar, o time mexicano acabou com qualquer padrão tático e se lançou ao ataque sem nenhuma organização.

Neste momento, o Atlético-PR aproveitou mais um contra-golpe e virou o jogo. Lima recebeu dentro da área aos 35min, driblou García para a direita e chutou cruzado para vencer o goleiro Sánchez.

Apesar disso, o time mexicano não desistiu do jogo. O Chivas seguiu atacando e conseguiu novo empate aos 40min. Palencia aproveitou penalidade cometida por Cocito e chutou forte, no canto direito de Diego. A bola ainda tocou na trave antes de entrar e determinar o placar final em Guadalajara.

CHIVAS GUADALAJARA
Sánchez; Rafael Medina, Rodríguez, García e Salcido; Morales (Vela), Sol, Alfaro (Peralta) e Alberto Medina (Magallón); Palencia e Bravo
Técnico: Benjamin Galindo

ATLÉTICO-PR
Diego; Jancarlos, Danilo, Durval e Marcão; Cocito (Tiago Vieira), Alan Bahia, Fabrício e Fernandinho (André Rocha); Lima (Ticão) e Aloísio
Técnico: Antônio Lopes

Local: estádio Jalisco, em Guadalajara (México)
Árbitro: Carlos Torres (Paraguai)
Auxiliares: Nelson Cano e Nelson Servian (ambos do Paraguai)
Cartões amarelos: Marcão (A), Danilo (A), Alfaro (C), André Rocha (A), Sol (C), Alfaro (C), Ticão (A)
Gols: Palencia, aos 24min do primeiro tempo; Lima, aos 22min e aos 35min, e Palencia, de pênalti, aos 40min do segundo tempo

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