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  12/02/2006 - 18h03
Botafogo vence América e leva Taça Guanabara

Da Redação
No Rio de Janeiro

O Botafogo espantou a "zebra" e, de virada, conquistou a Taça Guanabara. Neste domingo, a equipe alvinegra venceu o América por 3 a 1, no Maracanã, e manteve o rival no jejum de taças, que dura desde 1982.

Profotto/Divulgação
Scheidt ergue o troféu após o Botafogo ganhar a decisão da Taça Guanabara de 2006
O título garantiu o vencedor na decisão do Estadual do Rio, e a possibilidade de conquistar o troféu de forma direta caso vença o segundo turno. Assim como aconteceu na semifinal contra o Americano, o time de General Severiano saiu atrás no placar, mas reverteu o placar adverso com gols de Scheidt, Dodô e Zé Roberto.

Se depender do retrospecto histórico, a torcida alvinegra pode ficar otimista. Nas três vezes anteriores em que tinha vencido a Taça Guanabara (1967, 1968 e 1997), o Botafogo conquistou também o Estadual.

A conquista valoriza o trabalho de Carlos Roberto. Ele iniciou o ano sob a pecha de ser um treinador sem sucesso no futebol brasileiro e aos poucos reverteu o quadro. "O começo foi muito bom e lembra a minha trajetória como jogador", afirmou.

Outro símbolo da campanha botafoguense, o lateral Ruy sequer pôde dar a volta olímpica por causa de fortes dores no tornozelo esquerdo. Mas, aos prantos, ele vibrou: "Foi a conquista mais emocionante, mais sacrificante. Dizem que um jogador não deve entrar em campo sem estar 100%, mas desta vez valeu o sacrifício".

A nova vitória do Botafogo sobre o América repete o ano de 1967. Na última (e até então) única vez que decidiram a Taça Guanabara, o clube alvinegro venceu por 3 a 2.

Derrotado neste domingo, o time rubro perdeu a oportunidade de terminar com os quase 24 anos sem títulos. Mas o trabalho de Jorginho devolveu o clube às manchetes e a perspectiva para o restante do ano é positiva. Antes mesmo do desfecho deste jogo, o presidente do clube, Reginaldo Mathias, já afirmara que o objetivo principal do ano é a conquista da vaga na série C e a posterior promoção à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

O jogo
Talvez pelo nervosismo da decisão, o jogo começou com muitos erros de passe e poucas ações ofensivas. Os sistemas de marcação prevaleceram até os 15min, quando o América abriu o placar. Diguinho falhou e entregou a bola nos pés de Maciel. O lateral-esquerdo chutou, Max não segurou e Robert apenas completou para o gol vazio.

A equipe rubra só não teve uma chance incisiva para ampliar por causa de um erro grosseiro do árbitro William de Souza Nery. Max saiu equivocadamente e deu um carrinho em cima de Chris, dentro da área. Mas Nery ignorou a entrada e não marcou o pênalti.

"Foi pênalti. Estava no lance e o Max errou a bola e me acertou", analisou o atacante rubro.

Visivelmente atordoado, o Botafogo não conseguiu articular jogadas e aos 30min a torcida já pediu raça. O nervosismo foi evidenciado pelas entradas duras de Ruy, Lúcio Flávio e Marcelinho em jogadores americanos.

QUESTÃO RELIGIOSA
O meia Lúcio Flávio deu uma explicação curiosa para o triunfo do Botafogo na Taça Guanabara. Segundo ele, o fato de o mascote do América ser um Diabo já o faz ser derrotado.
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Diante da passividade do rival, o América jogou bonito aos 42min e Max defendeu o voleio de Julinho. O primeiro bom lance dos alvinegros ocorreu aos 47min. Ruy cruzou, mas a bola tomou a trajetória do gol e quase surpreendeu Everton.

"A equipe deu uma desequilibrada após o gol, mas depois melhoramos", avaliou o lateral-direito Ruy, no intervalo.

No intervalo, o goleiro reserva do América, Fábio Noronha, xingou o árbitro e recebeu um inusitado cartão vermelho.

O Botafogo voltou para o segundo tempo mais alerta e arriscando chutes de longa distância. A tática não surtiu efeito porque os arremates não acertaram a baliza de Everton.

Mas, aos 12min, Scheidt aproveitou-se de uma saída em falso do goleiro do América e subiu livre para empatar a partida.

O gol acordou a torcida e empolgou os jogadores alvinegros. Aos 16min, Reinaldo entrou livre na grande área, mas chutou à direita da trave. O mesmo Reinaldo arriscou aos 20min e Everton espalmou.

No lance seguinte, aos 21min, Scheidt tocou para Dodô, que matou no peito e chutou. A bola ainda desviou no zagueiro Santiago e entrou no ângulo esquerdo. O atacante teve a chance de praticamente definir o jogo aos 23min. Ele arrancou pela direita e chutou no lado de fora da rede.

Mal no segundo tempo, o América deu um suspiro aos 29min. Bruno Silva entrou em velocidade pela direita e bateu rasteiro. Atento, Max colocou a escanteio.

Mas o Botafogo definiu a partida pouco depois. Aos 33min, Zé Roberto recebeu passe de Lúcio Flávio e chutou fraco. Mesmo assim, Everton não segurou e deixou a bola entrar.

Um dos destaques da campanha alvinegra, o lateral Ruy deixou o campo aos 36min chorando copiosamente, um misto de dor por um problema no tornozelo e emoção pela conquista que se aproximava.

Aos 39min, Guerra cruzou da ponta direita, Flávio chutou dentro da pequena área e Max fez uma defesa brilhante. No último lance, Bruno Lazaroni foi expulso.

BOTAFOGO
Max; Ruy (Neném), Scheidt, Asprilla e Bill (Glauber); Thiago Xavier, Diguinho, Lúcio Flávio e Zé Roberto; Marcelinho (Reinaldo) e Dodô
Técnico: Carlos Roberto

AMÉRICA
Everton; Guerra, Santiago, André e Maciel; Válber, Argeu (Bruno Silva), Bruno Lazaroni, Robert (Leandro) e Julinho; Chris (Flávio)
Técnico: Jorginho

Local: estádio Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: William Marcelo de Souza Nery
Auxiliares: Marcelo Fonseca Duarte e Wágner de Almeida Santos
Cartões amarelos: Ruy (B), Marcelinho (B), Santiago (A), André (A), Lúcio Flávio (B), Bruno Silva (A)
Cartão vermelho: Bruno Lazaroni (A)
Gols: Robert, aos 15min do primeiro tempo; Scheidt, aos 13min, Dodô, aos 21min, Zé Roberto, aos 33min do segundo tempo

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