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  13/04/2006 - 10h46
Após um ano, Grafite prefere esquecer Desábato

Marcius Azevedo, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - Há um ano, o estádio do Morumbi era palco de um episódio bastante lamentável. Em campo, no dia 13 de abril de 2005, estavam São Paulo e Quilmes, em jogo pela Libertadores. Perto do final do primeiro tempo, Grafite se desentendeu com Arano e acabou expulso pelo árbitro Martín Vazquez. Era o início de uma grande confusão.

Antes de deixar o campo, o são-paulino foi ofendido por Leandro Desábato, que nem sequer estava participando da jogada. Nos vestiários, o atacante resolveu fazer um B.O. contra o argentino por ato racista.

Desábato foi preso ainda no gramado, após o jogo. Encaminhado à delegacia, o zagueiro, que teria dito "negrito de m...", ficou detido por 37 horas e só deixou o Brasil depois de pagar uma fiança de R$ 10 mil.

O caso ganhou uma repercussão mundial, já que nunca um jogador havia sido preso em campo por ofensas racistas. Muitos apoiaram Grafite e outros não. "Era uma luta não só minha, mas fiquei sozinho", afirmou o atacante ao Pelé.Net, que, em setembro, resolveu não dar andamento na acusação, e o caso foi arquivado.

Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, o atacante, que está no Le Mans, da França, desde o começo deste ano, relembrou o episódio que marcou sua carreira. "É uma coisa que eu quero esquecer. Procurei colocar uma pedra em cima disso", disse.

Pelé.Net - Hoje completa-se um ano do episódio Desábato... (interrompe)
Grafite -
Nem lembrava mais disso. Procurei botar uma pedra em cima desta história. Não sei nem sequer onde ele está, se ainda joga no Quilmes. Não me preocupo mais com isto.

Leandro Desábato continua no Quilmes. A reportagem do Pelé.Net tentou diversos contatos pelo telefone celular do argentino, mas ele não atendeu. A reportagem ainda tentou uma entrevista através do clube, mas também foi impossível conversar com o jogador argentino

Pelé.Net - Mas você se arrepende de alguma coisa?
Grafite -
Não me arrependo de nada. Foi feito e acabou. Ele já pagou pelo que fez. E até um assunto que não gosto mais de falar.

Pelé.Net - À época, algo te impressionou? Como ver o Desábato algemado...
Grafite -
Acho que a repercussão que o caso teve em assustou um pouco. Todos falando de mim. Mas hoje, como eu disse, prefiro não lembrar mais disso. Tanto que não sabia que iria completar um ano. Quero encerrar este assunto. Foi uma coisa que marcou negativamente minha carreira.

Pelé.Net - Se foi uma coisa que te marcou tanto, por que desistir da ação contra o Desábato?
Grafite -
Não valia a pena continuar sozinho. Era uma briga que não deveria ser apenas minha. Por isso, resolvi encerrar ali. Ele já havia pagado tudo o que fez.

Após o episódio do dia 13 de abril, Grafite tinha seis meses para dar andamento ao processo. Em setembro de 2005, porém, o jogador não entrou com a queixa-crime e, judicialmente, o assunto foi encerrado

Pelé.Net - Você acha que foi usado?
Grafite -
No Brasil é assim. Falam de você uma semana, duas... Aí esquecem. Não foi só o meu caso. Sempre acontece isto.

À época, Grafite virou uma bandeira contra o racismo. Foi até homenageado pelo Senado no dia 13 de maio, dia da abolição dos escravos.

Pelé.Net - Você gostaria de se encontrar com o Desábato?
Grafite -
Tanto faz. Se ele quiser falar comigo, eu vou apertar sua mão numa boa. Ele sabe que errou e deve estar arrependido. Não marcaria o encontro, esta iniciativa não pode ser minha, mas, se ele quiser, eu converso numa boa.

Pelé.Net - Da França, como você acompanhou o recente caso envolvendo Antônio Carlos e Jeovânio na partida entre Juventude e Grêmio, pelo Campeonato Gaúcho?
Grafite -
Vi o noticiário, mas procurei não saber muitos detalhes. É um assunto chato. É lamentável ver que, infelizmente, existem pessoas assim, que agem desta maneira.

Pelé.Net - Mas não é lamentável ver isto no Brasil?
Grafite -
Não é só no Brasil. Este problema existe no mundo todo e todos têm uma preocupação enorme. Você vê toda semana um caso novo de racismo na Espanha. É triste.

Pelé.Net - E aí na França?
Grafite -
Aqui parece ser mais tranqüilo. Eu mesmo nunca vi. Tem muito africano jogando aqui. Por isso, acho que é mais tranqüilo.


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