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  31/05/2006 - 23h48
Liderança do São Paulo é 'presente de despedida' de Mineiro

Da Redação
Em São Paulo

A liderança do Campeonato Brasileiro foi o presente de despedida do volante Mineiro para o São Paulo. Convocado nesta quarta-feira para defender a seleção brasileira na próxima Copa do Mundo, o jogador viu sua equipe "roubar" do Fluminense o primeiro posto da tabela. O clube paulista fez sua parte e venceu o rival carioca por 1 a 0 no Morumbi, em duelo válido pela nona rodada da competição nacional. Além disso, contou com uma combinação de resultados extremamente favorável para alcançar o topo pela primeira vez nesta temporada.

A NOITE DE MINEIRO

Mineiro acenou à torcida


Jogou normalmente


E viu Souza marcar o gol que deu liderança ao São Paulo

Até esta quarta-feira, o São Paulo aparecia na quinta colocação do Campeonato Brasileiro. No entanto, nenhuma das equipes que estavam acima do time tricolor na tabela conseguiu vencer (Cruzeiro e Internacional empataram, respectivamente, com Atlético-PR e São Caetano; Santos e Fluminense perderam para Grêmio e o próprio São Paulo). Assim, o triunfo do clube do Morumbi fez com que os mandantes ascendessem, de uma só vez, para a liderança da competição nacional.

"Sabemos que isso é importante demais, mas não chegamos à liderança hoje [quarta-feira]. Conseguimos isso porque o nosso desempenho em todo o campeonato foi positivo, e por isso nós precisamos dar seqüência ao trabalho", avisou, bastante contido, o lateral-esquerdo Júnior, do São Paulo.

A campanha do São Paulo até o primeiro lugar da tabela, aliás, foi impulsionada pelo rendimento da equipe como mandante. O êxito diante do Fluminense manteve o time dirigido por Muricy Ramalho com 100% de aproveitamento em seus domínios, agora com cinco vitórias em cinco partidas no Campeonato Brasileiro.

Assim, o São Paulo igualou o número de pontos do Fluminense (19). As duas equipes têm campanhas similares (seis vitórias, um empate e duas derrotas) e os paulistas levam vantagem apenas por terem saldo de gols superior (nove contra seis). Com isso, os cariocas caíram para o segundo posto da tabela.

Nesta quarta-feira, porém, nem a liderança do Brasileiro rendeu comemoração tão efusiva quanto a participação de Mineiro. Conhecido por seu estilo acanhado e avesso à badalação, o camisa 7 ganhou a braçadeira de capitão do São Paulo, foi o centro das atenções em campo e viu a torcida gritar seu nome durante o intervalo (além de aplaudir em quase todas as participações dele na etapa inicial). Ele foi chamado para a seleção brasileira devido ao corte do volante Edmílson, que sofreu uma lesão no joelho direito.

Ofuscado pela festa de Mineiro, o Fluminense perdeu a liderança do Campeonato Brasileiro pela segunda vez (o time carioca havia ficado no topo da tabela na segunda rodada, mas foi superado pelo Santos devido a um empate por 1 a 1 com o Vasco). O time das Laranjeiras e o Grêmio, que ponteou a competição na rodada inicial, são as equipes que não conseguiram se manter na primeira colocação após alcançá-la (o Cruzeiro permaneceu no primeiro posto por duas rodadas, e o Santos por três).

PROTAGONISTA
O volante Mineiro nunca fez esforço algum para ser o centro das atenções. E assim, sem estardalhaço, o camisa 7 assumiu a condição de protagonista do São Paulo nesta quarta-feira, dia em que foi convocado para substituir o lesionado Edmílson na seleção brasileira e disputar a Copa do Mundo. Leia mais
A derrocada do Fluminense, contudo, pode ser justificada pelo número de desfalques que o time carioca teve nesta quarta-feira. O técnico Oswaldo de Oliveira, que foi xingado pela torcida do São Paulo durante o segundo tempo, não pôde contar com seis atletas e precisou escalar seis jogadores formados nas categorias de base da equipe carioca.

Na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, a última antes da paralisação do torneio em virtude da Copa do Mundo, o Fluminense terá pela frente outro rival que disputa as primeiras colocações. O time carioca receberá o Internacional-RS, às 16h do próximo sábado, no Maracanã. No dia seguinte, às 18h10, o São Paulo irá a Caxias do Sul para encarar o Juventude.

O jogo
Desfigurado pela ausência de seis titulares (Thiago Silva e Tuta cumpriram suspensão; Rogério foi acometido por uma virose; Thiago, Arouca e Petkovic estão machucados), o Fluminense apostou em jogadores formados em suas categorias de base (Fernando Henrique, Radamés, Ângelo, Romeu, Juliano, Marcelo e Lenny foram titulares nesta quarta). Por conta disso, o técnico Oswaldo de Oliveira adotou uma postura cautelosa para o confronto com o São Paulo. "Temos que fazer uma partida positiva do ponto de vista tático. Vamos encarar um grande adversário e temos muitos problemas. Por isso, um empate não pode ser considerado ruim", ponderou o comandante dos visitantes.

Diante de um adversário acuado, com três zagueiros e pouca atuação ofensiva dos alas, o São Paulo não soube aproveitar o espaço. A equipe da casa não pressionou a saída de bola dos cariocas e viu o Fluminense tocar mais a bola no início do confronto desta quarta. "Erramos demais na intermediária. Faltou um pouco de tranqüilidade", analisou o atacante Alex Dias, do time paulista.

A ineficiência ofensiva do São Paulo, que ainda foi amplificada por atuações apagadas de Danilo, Alex Dias e Ricardo Oliveira, ofereceu ao Fluminense a possibilidade de contra-golpear. Com lançamentos de Juliano para a velocidade de Lenny, que quase sempre levou vantagem sobre os defensores da equipe mandante, os cariocas foram superiores em grande parte da etapa inicial.

DEVER QUASE CUMPRIDO
Ao deixar o gramado do Morumbi, o time de Muricy Ramalho não tinha mais ninguém à sua frente na tabela, objetivo tricolor traçado para antes da paralisação do Brasileiro para a disputa da Copa do Mundo da Alemanha. Faltando apenas um jogo até a pausa, o São Paulo agora só depende dele para atingir esta meta. "A gente queria depender só da gente. Agora é manter", afirmou o lateral-esquerdo Júnior. Leia mais
Foi assim aos 27min, por exemplo, na melhor oportunidade da primeira etapa. Cláudio Pitbull foi lançado na direita e tocou no meio para Juliano. O meia invadiu a área e chutou forte, no meio do gol. Bosco soltou nos pés de Lenny, mas conseguiu abafar a conclusão do camisa 7, que bateu à esquerda da meta.

O equilíbrio do jogo só ruiu quando o São Paulo acertou seu jogo coletivo. A equipe trocou passes com qualidade pela primeira vez aos 45min e abriu o placar. Danilo recebeu na esquerda e tocou no meio para Júnior, que rolou para trás. Souza bateu de primeira, de chapa, e a bola ainda passou por baixo de Romeu antes de entrar no canto direito baixo de Fernando Henrique.

A vantagem que o São Paulo alcançou no fim da primeira etapa mudou ligeiramente o panorama tático da partida depois do intervalo. O Fluminense assumiu postura mais ofensiva, sobretudo depois da entrada do atacante Evando no lugar do volante Ângelo, e o confronto ficou mais aberto no Morumbi.

JEJUM MANTIDO
A vitória do São Paulo nesta quarta-feira manteve um jejum histórico. O time do Morumbi não perde em sua casa para o Fluminense há 22 anos, desde 1984 (ano em que os cariocas também venceram o Brasileiro).

Neste período, São Paulo e Fluminense jogaram 16 vezes no estádio do Morumbi. O time paulista saiu vitorioso 13 vezes e houve três empates.
Quando o Fluminense tinha mais domínio da bola, porém, o São Paulo criou uma oportunidade clara para aumentar sua vantagem. Thiago puxou contra-ataque pela esquerda aos 19min e virou o jogo para Alex Dias, que tocou de primeira para Danilo. O camisa 10, com liberdade e dentro da área, se esforçou para chegar na bola e concluiu de esquerda, à direita de Fernando Henrique.

Thiago voltou a levar perigo para o Fluminense aos 31min. O atacante recebeu bola dentro da área após cobrança de escanteio e chutou forte, de pé direito. Fernando Henrique não conseguiu segurar e Radamés salvou em cima da linha para evitar o segundo gol do São Paulo.

Enquanto o São Paulo chegou perto, o Fluminense balançou as redes. O time carioca aproveitou uma cobrança de falta da esquerda aos 38min, quando a defesa do São Paulo tentou fazer linha de impedimento, e Gabriel Santos tocou de cabeça para o gol. No entanto, o árbitro Evandro Rogério Roman apontou impedimento do jogador, invalidou o lance e gerou muita reclamação por parte dos visitantes. A equipe da casa havia garantido a vitória (e a liderança) do Brasileiro.

SÃO PAULO
Bosco; Alex, Fabão e André Dias; Souza, Josué, Mineiro, Danilo (Lenílson) e Júnior; Alex Dias (Leandro) e Ricardo Oliveira (Thiago)
Técnico: Muricy Ramalho

FLUMINENSE
Fernando Henrique; Gabriel Santos, Marcão e Roger; Radamés, Ângelo (Evando), Romeu (Jean), Juliano e Marcelo; Lenny (Alex) e Cláudio Pitbull
Técnico: Oswaldo de Oliveira

Local: estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Árbitro: Evandro Rogério Roman (PR)
Auxiliares: Roberto Braatz e Francisco Aurélio do Prado (ambos do PR)
Cartões amarelos: Marcão (F), Danilo (S), Radamés (F), Alex (S), Marcelo (F), Fabão (S)
Gol: Souza, aos 45min do primeiro tempo

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