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  24/07/2006 - 18h07
Escolha de Dunga fortalece tendência de seleções com novatos

Da Redação*
Em São Paulo

A surpreendente escolha de Dunga, 42 anos, como novo técnico do Brasil reforça uma tendência recente do futebol mundial de promover ex-jogadores famosos ao comando de seleções importantes, mesmo a despeito da falta de experiência prévia na função.

TÉCNICOS NOVATOS
Mesmo sem experiência anterior, comandou a Alemanha na Copa de 2002
Alemanha repetiu a alternativa com outro ex-atacante, que no 1º torneio como técnico obteve um 3º lugar
Novato estreou com boa campanha nas eliminatórias, mas não foi bem com a Holanda na Copa passada
Ex-volante estreou como técnico na seleção depois do fracasso brasileiro na Copa de 1990. Durou só um ano
Dunga, que abandonou o futebol em 2000 jogando pelo Internacional, repete na seleção brasileira alternativas adotadas recentemente por Alemanha e Holanda, que foram à última Copa do Mundo sob o comando dos novatos Jürgen Klinsmann e Marco van Basten, respectivamente.

A Holanda de Van Basten, depois de registrar a melhor campanha das eliminatórias européias, não conseguiu um bom rendimento na Copa, caindo nas oitavas-de-final. A Alemanha, por sua vez, venceu o pessimismo nas mãos do "motivador" Klinsmann e terminou o Mundial nos braços da torcida, com a terceira colocação.

Os alemães, que conseguiram resultados modestos na fase de preparação, embalaram durante a Copa com um futebol ofensivo para os padrões locais. A campanha do time anfitrião do Mundial, que teve Klinsmann como herói, acabou aclamada pela torcida do país.

Mas, a despeito do sucesso, Klinsmann resolveu deixar o cargo ao final da Copa, entregando o comando a seu assistente-técnico Joachim Lowe.

Em 2002, a seleção alemã já havia apostado em um ex-jogador sem experiência como treinador. Com o ex-atacante Rudi Vöeller, os alemães conseguiram o vice-campeonato no Mundial de Japão e Coréia do Sul.

"A escolha dele foi uma surpresa para todos nós. Não é comum no futebol brasileiro escolher para treinador um ex-jogador que nunca dirigiu uma equipe. Vão surgir críticas daqui para a frente, mas essa é uma realidade do futebol mundial. Barcelona, Alemanha e Holanda apostaram em ex-jogadores", comentou Jorginho, companheiro de Dunga nas Copas de 1990 e 1994.

A alternativa de apostar num ídolo de Copas não é inédita no futebol brasileiro. Em 1990, logo em seguida à decepção da Copa da Itália, com o 13º lugar e eliminação nas oitavas-de-final, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) resolveu investir em Paulo Roberto Falcão, que jamais havia comandado uma equipe anteriormente.

Falcão ficou à frente da seleção brasileira por pouco mais de um ano. Antes de deixar o cargo, após o segundo lugar na Copa América de 1991, o treinador chegou a promover as estréias na equipe de Cafu e Mauro Silva, que seriam campeões mundiais em 1994.

A experiência durou poucos meses, e Falcão acabou sendo sucedido por Carlos Alberto Parreira. Em seguida, o ex-jogador do Internacional deu continuidade a sua carreira no futebol mexicano e japonês. Mas, sem resultados expressivos, acabou trocando o banco de reservas pela função de comentarista de televisão.

"Após Copa do Mundo sempre tem a mudança. Nunca depois da Copa o treinador fica. Não sei se isso é uma medida tampão, ele nunca foi treinador. É um ex-jogador. Não tenho nada contra ele, mas não sei o que a CBF pensa. Nos outros anos aconteceu isso de um treinador meio tampão, a gente precisa pensar bem. Ele nunca treinou time nenhum", ponderou Candinho, assistente de Vanderlei Luxemburgo na seleção entre 1998 e 2000.

*com Reuters


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