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  26/07/2006 - 23h53
São Paulo se vinga com um gol histórico de Ceni

Marcius Azevedo
Enviado especial do UOL Esporte
Em Guadalajara

Em noite de recordes pessoais do goleiro Rogério Ceni, o São Paulo conquistou uma vingança coletiva. O time paulista conseguiu seu primeiro triunfo como visitante diante de equipes mexicanas na Copa Libertadores e fez 1 a 0 sobre o Chivas, nesta quarta-feira, em Guadalajara. Com isso, acabou com o estigma de "freguês" ante o rival, determinou o primeiro revés dos donos da casa contra estrangeiros na competição continental e abriu caminho para chegar à decisão do torneio pelo segundo ano consecutivo (foi campeão no ano passado, quando superou o Atlético-PR).

SÃO PAULO VENCE NO MÉXICO

Rogério Ceni cobra o pênalti e vence Oswaldo Sánchez


Goleiro comemora o gol da vitória são-paulina no México

Até a noite desta quarta-feira, o São Paulo ostentava histórico infeliz diante de equipes mexicanas, como visitante, na Copa Libertadores. O time tricolor havia atuado duas vezes no país da América do Norte e acumulou duas derrotas (uma para o Tigres, no ano passado, e outra para o próprio Chivas, nesta temporada). O Chivas, aliás, superou o time paulista também em casa em 2006 (os dois duelos foram válidos pela primeira fase), resultado que fez com que parte da imprensa do país alcunhasse os brasileiros como "fregueses".

Mais do que espantar o histórico negativo ante os mexicanos, porém, o São Paulo devolveu o fim de um tabu. Na primeira fase, quando venceu por 2 a 1 no Morumbi, o Chivas findou invencibilidade de 30 partidas que o time tricolor ostentava contra estrangeiros, em casa, pela Libertadores (desde 1987). Nesta quarta-feira, a história foi o inverso: a equipe dirigida por Muricy Ramalho demonstrou experiência e impôs o primeiro revés ao rival da América do Norte, atuando no estádio Jalisco, diante de rivais de outros países.

Nas 15 partidas que havia feito em seus domínios na Copa Libertadores, contra estrangeiros, antes do confronto com o São Paulo, o Chivas conseguiu dez vitórias e cinco empates. Nesta quarta-feira, o histórico ruiu diante do time paulista, que precisa apenas de uma igualdade na partida de volta, no Morumbi, para alcançar a decisão.

COM AVAL DO PRESIDENTE
A vitória do São Paulo nesta quarta-feira aproximou o time paulista da disputa da segunda final consecutiva na Copa Libertadores (a equipe tricolor faturou o título, no ano passado, quando superou o Atlético-PR). O valor do resultado foi tão grande que até o presidente do clube do Morumbi, Juvenal Juvênio, entrou no gramado do estádio Jalisco para cumprimentar um por um os jogadores.

"Não ganhamos nada ainda, mas demos um passo importante para conseguirmos nos classificar para a final. Essa vitória foi muito difícil, mas nós soubemos usar a experiência", enalteceu o atacante Leandro, um dos destaques do São Paulo diante do Chivas.
"Não tem essa de vingança. O que eu pedi para os jogadores é que encarassem o Chivas como uma grande equipe, mas que atuassem em busca de uma vitória. O São Paulo não podia ser covarde, até pela qualidade que o adversário tem", comemorou o treinador Muricy Ramalho.

O triunfo do São Paulo nesta quarta-feira foi definido apenas aos 39min do segundo tempo, em cobrança de pênalti de Rogério Ceni. Com isso, o camisa 1 chegou aos 62 gols na carreira (segundo a contagem oficial da Fifa, já que ele considera mais dois gols) e se igualou ao paraguaio Chilavert como o goleiro que mais vezes balançou as redes na história do futebol mundial.

De quebra, Rogério Ceni se igualou aos ex-jogadores Pedro Rocha, Müller e Palhinha na condição de maior artilheiro do São Paulo na história da Copa Libertadores (cada um deles anotou dez gols na competição sul-americana).

As duas equipes voltam a se encontrar na próxima quarta-feira, às 21h45, no Morumbi, numa partida que já tem 46.126 ingressos vendidos (70.057 entradas foram colocadas à disposição dos torcedores). Antes de se preocupar com a decisão de uma vaga na final da Libertadores, porém, o São Paulo se volta ao Campeonato Brasileiro. Atual líder da competição, o time tricolor receberá o Santos neste domingo, às 16h.

O jogo
Apesar de ter sido derrotado nos dois confrontos válidos pela primeira fase (ambos por 2 a 1 e de virada) e de atuar fora de casa, o São Paulo apresentou uma ousadia surpreendente nesta quarta-feira. Com marcação no campo de ataque do Chivas, desde a intermediária, a equipe visitante dificultou a saída de bola dos mexicanos e teve o domínio da partida.

SÃO PAULO CONTRA MEXICANOS
AdversárioPlacarData
Tigres (C)4 x 001/06/2005
Tigres (F)1 x 215/06/2005
Chivas (F)1 x 221/03/2006
Chivas (C)1 x 205/04/2006
Chivas (F)1 x 026/07/2006
Com superioridade territorial, porém, o São Paulo se ressentiu de falta de criatividade em seu meio-campo, principalmente pela atuação extremamente apagada do camisa 10 Danilo. Prova disso é que a equipe paulista só ameaçou o gol defendido por Sanchez em chutes de fora da área, sobretudo com Leandro (da direita, cruzado, aos 5min), Danilo (da esquerda, também cruzado, aos 6min) e Fabão (em cobrança de falta da intermediária, por cima, aos 17min).

Acuado e atônito diante do comportamento ousado do São Paulo, o Chivas demorou para se encontrar taticamente. Indeciso entre atacar os visitantes ou se concentrar nos contra-golpes, o time mexicano só conseguiu concatenar um lance perigoso em toda a primeira etapa, aos 8min, quando Omar Bravo arrancou com a bola pela direita e cruzou rasteiro para Bautista. O atacante dominou na marca de pênalti e chutou de direita, mas Edcarlos conseguiu travar e desviar para a linha de fundo.

E se foi perigoso nos chutes de longa distância, o São Paulo chegou a balançar as redes em uma bola parada. Júnior cobrou falta da direita para a área aos 18min e encontrou Ricardo Oliveira livre de marcação. O camisa 12 subiu com intenção de tocar de cabeça, mas desviou a bola com seu braço esquerdo e venceu o goleiro Sanchez. Após instantes de hesitação, avisado pelo auxiliar Walter Rial, o árbitro uruguaio Jorge Larrionda invalidou o gol e causou muita reclamação por parte do elenco tricolor.

"A bola bateu na minha mão, sim", admitiu o centroavante Ricardo Oliveira, que preferiu desvincular as reclamações pelo gol anulado de uma insatisfação do São Paulo com o primeiro tempo: "Nós fomos bem. Conseguimos marcar com qualidade e fomos até superiores a eles".

Só que a supremacia citada por Ricardo Oliveira se restringiu ao primeiro tempo. Depois do intervalo, o time mexicano voltou melhor e passou a dominar as ações do jogo. "A equipe deles tem muita qualidade e mostrou isso", elogiou o ala Souza. Realmente, com postura mais incisiva, o Chivas passou a ter mais posse de bola e arriscar seguidos cruzamentos para a área do São Paulo.

Em um desses cruzamentos, aos 29min, a defesa do São Paulo rechaçou mais e a sobra ficou fora da grande área com Esparza, que chutou de primeira e acertou o travessão de Rogério Ceni. O goleiro da equipe paulista, estático, sequer esboçou reação.

A bola no travessão, contudo, não ampliou o ânimo da equipe mandante. Ao contrário, foi o São Paulo que passou a trocar passes lateralmente e voltou a dominar a partida. Nesse momento, o centroavante Aloísio arrancou com a bola pela esquerda, ganhou de Javier Rodriguez na corrida e foi agarrado dentro da grande área. Na cobrança da penalidade, aos 39min, o camisa 1 colocou a bola no canto direito de Sanchez e deu a vitória aos atuais campeões de Libertadores.

CHIVAS
Sanchez; Javier Rodriguez, Reynoso e Magallon; Esparza, Morales (Medina), Pineda (Ávila), Araújo e Juan Rodriguez (Santana); Bautista e Omar Bravo
Técnico: Manuel de La Torre

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos; Souza, Mineiro, Josué, Danilo (Richarlyson) e Júnior; Ricardo Oliveira (Aloísio) e Leandro (Lenílson)
Técnico: Muricy Ramalho

Local: estádio Jalisco, em Guadalajara (México)
Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai)
Auxiliares: Walter Rial e Pablo Fandiño (ambos do Uruguai)
Cartões amarelos: Leandro (S), Ricardo Oliveira (S), Lugano (S), Javier Rodríguez (C)
Gol: Rogério Ceni, aos 39min do segundo tempo


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