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  30/09/2006 - 17h58
Com empate sem gols, São Paulo perde chance de disparar

Da Redação
Em São Paulo

Dono da primeira colocação do Campeonato Brasileiro, o São Paulo tinha uma chance para conseguir uma folga recorde na competição deste ano. E encarou o Atlético-PR, embalado por uma série invicta e com condições de se aproximar muito da zona de classificação para a Libertadores de 2007. Num jogo com tantos fatores para as duas equipes se motivarem, contudo, ambas saíram frustradas com um empate sem gols neste sábado, na Arena da Baixada, em partida válida pela 17ª rodada do torneio nacional e que havia sido adiada.

JEJUM MANTIDO
O São Paulo enfrentou neste sábado um adversário que costuma preocupar mais do que qualquer outra equipe. Afinal, o empate sem gols apenas ratificou o histórico negativo dos paulistas em partidas disputadas na Arena da Baixada.

Nas oito vezes em que atuou na Arena da Baixada, o São Paulo acumulou seis derrotas e dois empates. Antes deste sábado, a última vez em que o time tricolor não havia saído de campo derrotado no estádio paranaense foi um empate por 1 a 1 com o Atlético-PR, no Brasileiro de 2002.

Além da ausência de resultados positivos, o ataque do São Paulo tem um aproveitamento pífio em jogos na Arena. O time tricolor marcou apenas nove vezes em oito partidas, com média de 1,12 bolas nas redes adversárias a cada 90 minutos.
A frustração do São Paulo acontece porque a equipe tricolor poderia ter aberto sete pontos de diferença para o Grêmio, que atualmente aparece na segunda colocação do Campeonato Brasileiro. E desde que a competição nacional passou a ser disputada no sistema de pontos corridos, em 2003, um time que conseguiu tamanha vantagem para os restantes nunca perdeu o título.

Em vez de se distanciar, contudo, o São Paulo expôs a fragilidade de seu ataque. Nem o estreante Edgar, contratado do Joinville recentemente, foi suficiente para a equipe ganhar mais potencial ofensivo. O último gol de um homem de frente do time paulista foi de Thiago, no dia 7 de setembro, na derrota por 2 a 1 para o Boca Juniors (válida pela Recopa Sul-Americana).

"Foi um jogo bom, mas nós podíamos ter ficado em uma situação mais confortável na tabela. É claro que saímos frustrados por tudo que aconteceu. Acho que faltou um pouco de calma na hora de finalizar", justificou o meia são-paulino Danilo, que teve atuação apagada.

Para o Atlético-PR, a frustração é somente porque o time rubro-negro não conseguiu manter o bom momento. A equipe dirigida por Vadão acumulou seu sexto jogo consecutivo sem sofrer um revés, mas perdeu a oportunidade de diminuir a diferença para a zona de classificação para a Libertadores de 2007 (o time rubro-negro chegou a 35 pontos e assumiu a nona colocação, a cinco pontos do Paraná - atualmente o último que se garantiria no torneio sul-americano).

Além disso, o sentimento de frustração acontece porque o Atlético-PR foi mais incisivo que o São Paulo neste sábado, sobretudo no segundo tempo, e criou as melhores oportunidades para vencer o duelo na Arena.

"É claro que empatar em casa nunca é bom. Podíamos ter nos aproximado da zona da Libertadores e até criamos oportunidades para isso. Mas enfrentamos uma grande equipe e somamos pontos, o que também é positivo", analisou o zagueiro atleticano João Leonardo.

Na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, Atlético-PR e São Paulo entrarão em campo na quarta-feira (dia 4 de outubro). O time de Curitiba enfrentará o Juventude no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, às 19h30. Mais tarde, às 22h, a equipe tricolor receberá o Vasco no Morumbi.

O jogo
Desde o início do confronto deste sábado, ficou clara uma diferença entre as características de Atlético-PR e São Paulo. O time paranaense, a despeito de atuar em casa, apostou em uma marcação retraída para usar a velocidade de seus homens ofensivos. Os paulistas, por sua vez, procuraram tocar a bola lateralmente e conduzir o confronto em um ritmo mais lento e cadenciado.

EQUILÍBRIO MANTIDO
O equilíbrio do placar do confronto entre Atlético-PR e São Paulo neste sábado, na Arena da Baixada, apenas ratificou a história dos duelos entre os dois times no Campeonato Brasileiro.

Até hoje, Atlético-PR e São Paulo se enfrentaram 26 vezes no Campeonato Brasileiro. Cada equipe venceu nove vezes e houve oito empates.
O problema é que, dentro de suas propostas, as duas equipes tiveram deficiências. O São Paulo teve mais posse de bola e até conseguiu criar espaços na defesa rubro-negra, mas não teve criatividade suficiente para aproveitar essas brechas e municiar os atacantes Leandro e Edgar. Mais incisivo, o Atlético-PR não teve tranqüilidade e nem eficiência nos contra-golpes que conseguiu armar.

"Foi um jogo aberto, mas nós não arriscamos muito quando chegamos na frente", analisou o zagueiro são-paulino Fabão. A maior prova das palavras do defensor é que as oportunidades mais claras que os visitantes criaram na etapa inicial surgiram em chutes de fora da área. Na primeira, aos 31min, Leandro recebeu lançamento na esquerda e, depois de ter usado o braço para dominar, concluiu no canto direito baixo de Cléber, que fez difícil defesa. Depois, aos 35min, Danilo finalizou da meia esquerda e mandou a bola muito perto da trave esquerda.

Apesar de ter apostado na velocidade e de ter atacado quase sempre em superioridade numérica (porque só saiu nos lances em que o São Paulo perdeu a bola no setor ofensivo), o Atlético-PR também precisou dos chutes de fora da área para assustar. Foi assim na chance mais clara do primeiro tempo, aos 14min: Cristian bateu de longe e Bosco não segurou em seu canto direito. Dênis Marques disputou a bola com o goleiro no rebote e a sobra ficou com Marcos Aurélio. Com o gol aberto, o camisa 11 finalizou de pé direito e mandou por cima do travessão.

E se no primeiro tempo as equipes ao menos arriscaram chutes de fora da área, o panorama foi substituído por morosidade depois do intervalo. Com muitos erros, sobretudo na intermediária, Atlético-PR e São Paulo diminuíram o ritmo do duelo e passaram a criar ainda menos. Prova disso é que o técnico Oswaldo Alvarez mudou os dois homens de criatividade da equipe mandante aos 16min, quando Cristian e Ferreira foram substituídos por William e Válber (respectivamente).

"Precisávamos procurar uma alternativa para tornar a equipe mais agressiva e tentar buscar o resultado. Os meias tinham espaço para jogar e tentamos usar isso para chegar mais", analisou o treinador atleticano, insatisfeito com o rendimento ofensivo de sua equipe.

As mudanças fizeram o Atlético-PR ganhar potencial ofensivo e adiantar sua marcação. E assim, o jogo deste sábado se tornou mais aberto e cheio de alternativas na Arena da Baixada. Tanto é que os visitantes quase abriram o placar aos 22min, em cruzamento da esquerda do atacante Leandro. Danilo desviou levemente no meio do caminho - o suficiente para tirar a bola da direção de Edgar e não o suficiente para colocá-la na direção do gol.

Depois de um espasmo de evolução, porém, o nível da partida caiu drasticamente. A falta de lances de perigo se intensificou quando o técnico são-paulino Muricy Ramalho tirou o meia Souza para colocar o volante Ramalho. Então, o Atlético-PR teve campo para atacar e tentou pressionar, mas mostrou muita desorganização e muita afobação.

ATLÉTICO-PR
Cléber; Jancarlos, Danilo, João Leonardo e Michel; Marcelo Silva, Erandir, Cristian (William) e Ferreira (Válber); Marcos Aurélio (Paulo Rink) e Dênis Marques
Técnico: Oswaldo Alvarez

SÃO PAULO
Bosco; Ilsinho, Fabão, Miranda e Júnior; Josué, Mineiro, Souza (Ramalho) e Danilo; Leandro (Lenílson) e Edgar (Thiago)
Técnico: Muricy Ramalho

Local: estádio Arena da Baixada, em Curitiba (PR)
Árbitro: Clever Assunção Gonçalves (MG)
Auxiliares: Marco Antônio Gomes (Fifa-MG) e José Carlos de Souza (MG)
Cartões amarelos: Mineiro (S), Leandro (S), Fabão (S)

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