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  22/03/2007 - 11h07
Sem 'Caixa d'água', Americano vê maior queda nos últimos seis anos

Anderson Gomes, especial para o Pelé.Net

RIO DE JANEIRO - Após seis anos 'incomodando' os grandes clubes do Rio de Janeiro, o Americano passa a enxergar a tabela do Estadual pela parte inferior. Curiosamente, a queda de rendimento da equipe de Campos coincide com o primeiro ano sem Eduardo Viana à frente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj). Torcedor declarado do clube, o dirigente morreu em 2006.

BOTA E AMÉRICA SE CALAM
Adversários políticos de Eduardo Viana, os presidentes Bebeto de Freitas, do Botafogo, e Reginaldo Mathias, do América, preferiram não criticar o dirigente morto no ano passado e nem citar sua possível influência favorável ao Americano.

O dirigente alvinegro, por exemplo, ressaltou o respeito à memória do ex-mandatário da Ferj, que não teria como se defender de quaisquer acusações.

"Não vou falar de quem já faleceu. Temos respeitar isso", resumiu. Já Mathias justificou o silêncio afirmando que não participava do dia-a-dia da entidade.

"Nunca fui de freqüentar a Federação e continuo não freqüentando", disse.
Desde 2001, a equipe do interior conseguia a classificação para as semifinais de pelo menos um dos dois turnos do Estadual. Atualmente, o time ocupa a penúltima posição na competição - à frente apenas do Nova Iguaçu -, e se vê seriamente ameaçado pelo rebaixamento, já que o lanterna na soma final das duas fases disputará a Série B em 2008.

A ligação entre o clube e o dirigente é inevitável. Apelidado de 'Caixa D'água' na infância, Eduardo Viana era tão conhecido pelas polêmicas que acumulou durante os 21 anos em que presidiu a Ferj quanto pelos feitos administrativos. Nesse período, ele foi acusado de corrupção, manipulação de resultados e improbidade administrativa, sem nunca ter sido condenado.

Pouco antes de sua morte, Eduardo Viana chegou a ser afastado judicialmente algumas vezes do comando da entidade, voltando sempre beneficiado por liminares.

Arbitragem na berlinda
Entretanto, a principal acusação de seus opositores era a de beneficiar seu clube de coração, indicando e coagindo árbitros que apitassem as partidas do Americano, principalmente em Campos.

"O Eduardo [Viana] era a alma do Americano, por mais que o presidente do clube diga que ele fazia mal ao clube. Agora está acontecendo o que todos nós sabíamos. O padrinho morreu e o clube está indo pelo mesmo caminho", afirmou Elias Duba, presidente do Madureira.

"Eles estavam acostumados a jogar com 14 [incluindo árbitros e assistentes]. Aí fica difícil para todos. O presidente do clube sempre esnobou o Eduardo [Viana], mas agora as coisas mudaram", continuou Duba.

Avesso às acusações de favorecimento durante a gestão de Eduardo Viana, o presidente do Americano, César Gama, citou os triunfos diante das grandes forças do futebol fluminense para fundamentar sua tese.

AMERICANO X PEQUENOS
1995
Americano 1 x 2 Volta Redonda - 12/03/1995 (última derrota)
Americano 0 x 0 Friburguense

1996
Americano 1 x 0 Madureira
Americano 1 x 1 America
Americano 1 x 0 Olaria
Americano 1 x 0 Itaperuna
Americano 1 x 1 America
Americano 2 x 2 Barreira

1997
Americano 3 x 0 Barreira
Americano 1 x 0 Bangu
Americano 1 x 0 Madureira
Americano 1 x 0 Volta Redonda
Americano 1 x 1 Volta Redonda
Americano 2 x 1 Bangu

1998
Americano 1 x 1 Friburguense
Americano 2 x 1 Bangu
Americano 1 x 0 Madureira

1999
Americano 1 x 0 Friburguense
Americano 1 x 1 Madureira
Americano 2 x 2 Bangu
Americano 3 x 1 Olaria
Americano 4 x 1 Itaperuna

2000
Americano 3 x 2 Bangu
Americano 1 x 1 América
Americano 3 x 1 Friburguense
Americano 2 x 1 Bangu
Americano 3 x 1 Cabo Frio
Americano 1 x 1 Madureira
Americano 3 x 0 Olaria
Americano 3 x 0 Volta Redonda
Americano 3 x 0 Cabofriense
Americano 1 x 0 Friburguense
Americano 1 x 0 Serrano

2001
Americano 2 x 0 Olaria
Americano 2 x 1 Volta Redonda
Americano 2 x 0 Cabofriense
Americano 3 x 1 Madureira
Americano 1 x 0 Bangu
Americano 2 x 0 Volta Redonda

2002
Americano 3 x 0 América
Americano 2 x 0 Madureira
Americano 1 x 1 Friburguense
Americano 3 x 2 Entrerriense
Americano 4 x 0 Bangu
Americano 3 x 0 Olaria
Americano 2 x 1 Volta Redonda

2003
Americano 0 x 0 Friburguense
Americano 3 x 0 Cabofriense
Americano 3 x 1 Bangu
Americano 1 x 0 Volta Redonda

2004
Americano 1 x 0 Friburguense
Americano 3 x 2 América
Americano 1 x 0 Portuguesa
Americano 1 x 0 Bangu

2005
Americano 2 x 0 Friburguense
Americano 3 x 1 América
Americano 2 x 1 Olaria
Americano 2 x 1 Cabofriense

2006
Americano 2 x 1 Volta Redonda
Americano 2 x 1 Madureira
Americano 3 x 2 Nova Iguaçu
Americano 3 x 2 Cabofriense

2007
Americano 0 x 1 América (10/03/07)
"Nós nunca fomos beneficiados. Como vão prejudicar os times grandes? Nesse período [de sucesso], nós ganhamos da maior parte dos grandes dentro do Maracanã. O Americano ganhava porque tinha méritos", ressaltou.

Apesar disso, o mandatário do Americano admitiu que os juízes escalados para apitar em Campos sentiam-se coagidos com a influência de Eduardo Viana, mesmo negando ter obtido qualquer tipo de vantagem dentro das quatro linhas.

"Aqui é tudo pressão. Os caras [árbitros] sempre vieram com pressão e continuam vindo. Mas acho que isso diminuiu um pouco e nunca houve favorecimento por causa do Eduardo Viana", garantiu Gama.

O dirigente atribuiu a campanha pífia na edição deste ano do Estadual ao acaso: "Esse ano fizemos uma preparação superior, mas não estamos dando sorte. Contra o América, por exemplo, jogamos muito melhor, mas os atletas não tiveram felicidade e a bola não quis entrar. Essa queda de rendimento acontece com qualquer time".

Aliás, a derrota para o time alvirrubro pode ser considerada um dos principais sinais da derrocada do time de Campos. O Americano não perdia em casa para o rival havia 21 anos.

"Apesar de não termos como provar nada, é muito provável que as arbitragens ajudassem o Americano. Atualmente, deve acontecer a mesma coisa. É tudo muito obscuro", afirmou Reginaldo Mathias, presidente do América.

"Não existe nenhum tipo de prejuízo a nenhuma equipe. Alguns dirigentes só lembram daquilo que querem lembrar", rebateu Jorge Rabello, atual presidente da comissão de arbitragem da Ferj.

Para Mathias, a saída do ex-árbitro Carlos Elias Pimentel da presidência da comissão de arbitragem foi prejudicial ao futebol do Rio de Janeiro. "A comissão que o Carlos Elias comandava tinha era dezenas de vezes superior à atual", avaliou.

Pimentel não foi encontrado pela reportagem do Pelé.Net para comentar o caso. Mesmo sem fazer queixas sobre a arbitragem no Rio de Janeiro, César Gama, presidente do Americano, reclamou da definição dos mandos de campo para o Estadual 2007.

"Antes, jogávamos três vezes em casa e duas fora. Esse ano, jogamos quatro fora e uma em casa", disse, lembrando da tabela da Taça Guanabara. Essa diferença nos números foi indiretamente causada pelo Corpo de Bombeiros, que interditou o estádio Godofredo Cruz para a partida contra o Flamengo - o jogo aconteceu em Volta Redonda.

Outro clube que 'sofreu' com o sucesso do time de Campos nos últimos anos foi o Botafogo. Entre 2001 e 2005, o Alvinegro só conseguiu vaga nas semifinais da Taça Guanabara do último ano, sendo superado na grande maioria das vezes pelo Americano.

Os 'problemas' com a equipe do interior motivaram os dirigentes do time de General Severiano a declarar em uma ocasião que não fariam parte do grupo do Americano enquanto Eduardo Viana presidisse a Ferj.

"O arbitral é quem decide os grupos. A Federação é dirigida para muitos interesses, menos o Botafogo", afirmou o presidente do Botafogo Bebeto de Freitas.

PRESSÃO DIMINUI
A pressão que Eduardo Viana exercia sobre os árbitros por ser torcedor declarado do Americano fez com que a morte do dirigente fosse motivo de "alívio" para algumas pessoas.

"Já ouvi muitos comentários. Havia uma raiva muito grande de algumas pessoas contra o Eduardo Viana. Já até ouvi falarem ainda bem que esse desgraçado morreu", contou César Gama, presidente do Americano.
Aliado da Ferj, Madureira afasta 'benefícios'
A queda de rendimento do Americano não é o único fato curioso nesta edição do Estadual do Rio. Nas duas últimas temporadas, o Madureira 'assumiu' a posição do rival como o melhor entre as equipes de menor investimento.

Em 2006, o clube conquistou a Taça Rio e qualificou-se para a decisão do Estadual, quando foi derrotado pelo Botafogo. Este ano, a equipe voltou a decidir um turno, mas perdeu a Taça Guanabara para o Flamengo.

O presidente Elias Duba é amigo particular e um dos principais aliados políticos de Rubens Lopes, que substituiu Caixa D'água no comando da entidade e atualmente enfrenta batalha jurídica para permanecer no poder. Apesar das estreitas ligações entre eles, o mandatário afastou qualquer tipo de 'ajuda' ao time suburbano.

"Não tem a ver uma coisa com a outra. Sou grande amigo de Rubens e do Eurico [Miranda, presidente do Vasco] e tenho orgulho disso, mas nem por isso sou beneficiado", frisou o dirigente.

"Pelo contrário, fui muito prejudicado pelas arbitragens. Me tiraram o título da Taça Guanabara deste ano. Até hoje discuto aquela situação do árbitro ter sido assaltado no dia da final", continuou Duba.

Quando saíam de sua casa, em Itaboraí, o árbitro Marcelo de Lima Henrique e sua família foram rendidos por dois homens armados e levados para um terreno baldio, onde ficaram por cerca de 20 minutos na mira dos revólveres. Os meliantes levaram o carro e os pertences do juiz e de sua esposa.

DUBA AFASTA FEDERAÇÃO
O bom relacionamento entre Elias Duba e Rubens Lopes logo remete a uma possível sucessão na presidência da Federação do Rio.

Entretanto, o mandatário do Madureira afastou a possibilidade de assumir o futebol fluminense quando terminar o período de seu amigo à frente da Ferj.

"Não almejo isso. Não está dentro dos meus interesses. Depois que eu terminar a minha passagem peo clube, desejo ir pra Cabo Frio passar o resto da minha vida", explicou Duba.

Aliás, o dirigente sequer cogita permanecer no Madureira por mais tempo. "Já estou terminando o meu mandato e não pretendo continuar", afirmou.
Na partida realizada à noite, o Flamengo, que precisava vencer por dois gols de diferença, marcou 4 a 1 e saiu com o título. Duba não parou por aí nas acusações. "O Flamengo tentou coagir meus jogadores ligando para eles e oferecendo contrato no dia da final", disse, sem querer citar nomes.

O vice-presidente de futebol rubro-negro, Kleber Leite, ressaltou o anonimato para desmentir as declarações. "O Madureira passou, não vou mais falar de passado. Depois, pode perguntar a ele qual foi o dirigente que ligou. Qualquer um pode dizer que é dirigente do Flamengo", defendeu-se.

Surpreendentemente, César Gama avaliou como normal um possível favorecimento ao time do subúrbio carioca. Para o dirigente do Americano, uma 'troca de favores' entre clube e Ferj é justa.

"Eles [Rubens Lopes e Elias Duba] são amicíssimos. Se a Federação estiver ajudando o clube de alguma forma, é merecido. Quando ele [Rubens Lopes] precisou, o Madureira se ofereceu", encerrou.

Procurada pela reportagem do Pelé.Net, a Ferj não se manifestou sobre possíveis favorecimentos a Americano e Madureira e a influência de Eduardo Viana e Rubens Lopes para os bons momentos dos dois clubes.

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