! Palmeiras aposta em cesta de atletas como nova 'era Parmalat' - 09/05/2007 - UOL Esporte - Futebol
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09/05/2007 - 12h31

Palmeiras aposta em cesta de atletas como nova 'era Parmalat'

Carlos Padeiro
Enviado especial do UOL
Em Itu (São Paulo)
Assim como aconteceu na década de 90, quando o Palmeiras foi o primeiro clube brasileiro a firmar parceria com uma multinacional - a Parmalat - para a contratação e venda de jogadores, o clube alviverde pretende inovar novamente. Em junho, lança a cesta de atletas, um fundo de investimentos em que empresários adquirem cotas de jogadores para obter retorno no futuro.

SÓCIO REMIDO E ARENA
Outro projeto da atual gestão do Palmeiras para sanar a dívida do clube, que gira em torno de R$ 17 milhões, é o sócio remido. O clube pretende vender 1.200 títulos, pelos valores de R$ 8.700 (individual) e R$ 9.900 (familiar), a torcedores que queiram se tornar freqüentadores do clube para sempre.

"Este projeto é mais simples e de retorno imediato. Vamos vender os títulos vitalícios e o sócio terá vantagens, como uma placa com seu nome no estádio, e fará parte da Sociedade de Eternos Palestrinos", informou o diretor de planejamento do clube, Luis Gonzaga Belluzzo. "Já era pra ter começado, mas algumas coisas atrasaram".

O Palmeiras também planeja transformar o Parque Antarctica em uma arena multiuso. "Pretendemos iniciar esse projeto no segundo semestre, com a participação de grandes empresas e consultorias para determinar quais são os melhores serviços a serem oferecidos na arena. Não podemos estabelecer prazos de quando ficará pronto", disse o dirigente.

Segundo Belluzzo, o estádio não visa a Copa do Mundo de 2014, mas pode servir como sede para a competição. "Não é o objetivo primordial. Queremos transcender a Copa do Mundo, e a arena ficará disponível para a utilização em outros eventos", finalizou.
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O objetivo é criar um instrumento de financiamento do clube que seja duplamente benéfico: o Palmeiras antecipa receitas e fica mais tempo com os jogadores e os investidores lucram com a valorização das 'promessas'.

A iniciativa inédita no país partiu de um grupo liderado pelo economista e diretor de planejamento do clube, Luis Gonzaga Belluzzo. Questionado se o empreendimento é uma inovação como foi a parceria com a Parmalat, Belluzzo respondeu ao UOL Esporte. "Acho que é uma tentativa, espero que tenha o mesmo desempenho".

Embora acredite que a Palestra Investimentos - nome dado ao fundo - possa atingir o sucesso da co-gestão Parmalat, Belluzzo deixou claro que os dois empreendimentos são distintos. O principal motivo é que desta vez cabe ao Palmeiras a decisão de vender e o preço do atleta.

"O fundo combina duas coisas: o maior tempo do jogador no clube e a valorização para o investidor. Assim, podemos planejar a venda e a substituição dos jogadores", argumentou o dirigente palmeirense.

"A cesta de atletas vai depender muito da administração do clube, da aceitação no mercado. Vamos ver se funciona. Pela que vimos no início, já teve muita aceitação e, se der certo, pode ser generalizada para todo o futebol brasileiro", acrescentou.

Segundo o economista, uma primeira cesta será fechada com 14 atletas, entre eles Valdivia, David, Diego Cavalieri, Michael, William, Martinez, todos com contrato a longo prazo com o time de Parque Antarctica e com maior potencial de valorização.

"Nossa estimativa é arrecadar cerca de R$ 28 milhões com esta primeira cesta. Num primeiro momento, acredito que vamos obter R$ 4 ou 5 milhões", apontou Belluzzo. Os convidados a ingressar no investimento podem optar por cotas de R$ 50 mil a R$ 300 mil.

O diretor de planejamento aponta a Palestra Investimentos como o primeiro passo para transformar o clube em empresa com ações na bolsa, como acontece na Europa, além de diminuir a dependência em relação aos empresários de jogadores.

"Não quero tirar o emprego dos empresários, mas podemos criar um ambiente onde os clubes tenham maior poder de barganha e não prescindam tanto dos empresários. É um impulso para a reestruturação dos clubes brasileiros", definiu Belluzzo.

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