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24/07/2007 - 21h24

Atacante Dodô, do Botafogo, recebe pena de 120 dias por doping

Guilherme Toscano
No Rio de Janeiro
O atacante Dodô, do Botafogo, foi punido pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), nesta terça-feira, por uso de femproporex. Incurso no artigo 244 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), foi condenado por unanimidade a 120 dias de suspensão. O jogador deixou o plenário após o voto do segundo auditor do caso, acompanhado de sua esposa, Tatiana Lucas, e do vice-presidente de futebol do clube, Carlos Augusto Montenegro.
ENTENDA O CASO
Depois da partida contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro, vencida pela equipe de General Severiano por 4 a 0 (com dois gols do avante), no dia 14 de junho, o exame antidoping do atleta acusou a presença da referida substância proibida, o que foi confirmado com o resultado da contraprova, divulgado no dia 9 de julho, causando a sua suspensão preventiva por 30 dias.

O femproporex é geralmente encontrado em moderadores de apetite e, desde o primeiro momento, o jogador alegou inocência, afirmando somente utilizar medicamentos e produtos que lhe são receitados pelo departamento médico do clube; por sua vez, o Botafogo colocou não ver outra hipótese para o ocorrido que não fosse algum tipo de contaminação.

A esposa de Dodô, Tatiana Lucas, em entrevista à Rádio Globo, pôs em xeque os suplementos alimentares administrados aos atletas; a diretoria botafoguense enviou amostras do que fornecia a seus profissionais à USP (Universidade de São Paulo) e um laudo da entidade indicou que havia femproporex em cápsulas de cafeína dadas aos alvinegros antes das partidas.

Este produto era fornecido ao clube por uma farmácia de manipulação, o que, para os dirigentes do Botafogo e os advogados de Dodô, que contratou Carlos Portinho - que atuou no caso de doping do zagueiro Renato Silva, atualmente companheiro de time do atacante, no início deste ano - para fazer sua defesa em conjunto com os representantes do clube, Vantuil Gonçalves e Aníbal Segundo, atenuava a denúncia sobre ele e permitia a sua absolvição.
"Não tivemos sorte hoje [terça], mas amanhã [quarta] já vou recorrer e espero que aconteça logo na quinta-feira da semana que vem um novo julgamento e espero que a decisão seja diferente", disse o advogado de Dodô, Carlos Portinho.

"Se eu não conseguir reverter essa decisão, pelo menos vou tentar a redução da pena em 60 dias", completou Carlos Portinho.

Durante o anúncio do voto de cada um dos cinco auditores do caso, era possível ouvir dentro da sala em que foi realizado o julgamento os torcedores do Botafogo, cantando em apoio ao atacante botafoguense. Houve uma mobilização da torcida do time carioca, o que já tinha provocado o atraso da sessão, pois se solicitou reforço policial no local. No fim, cerca de dez alvinegros, exaltados, avisavam que iriam "pegar" os auditores.

Em um auditório lotado, o julgamento começou às 17h42 e durou quase quatro horas. Assim que chegou ao tribunal, Dodô, que passou praticamente todo o julgamento abraçado à mulher, aparentava nervosismo com a ameaça de ser suspenso por até 360 dias - pena máxima. A defesa do jogador pediu a absolvição ao alegar que ele não tinha a intenção de se dopar, chegando a dizer que Dodô foi envenenado.

Já a procuradoria, por meio de Marcelo Jucá, sustentou que, independente da intenção do atacante, o atleta é responsável por aquilo que ingere, e, citando o Regulamento de Dopagem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), colocou que tanto o profissional, quanto o clube, não deveriam confiar em produtos fornecidos por uma farmácia de manipulação.

Por conseqüência, pediu a condenação do jogador por ter atuado com femproporex em seu organismo. O procurador teve êxito e conseguiu convencer os cinco auditores, que votaram pela pena mínima de 120 dias.

"Tenho certeza de que o Dodô é inocente, mas eles [auditores] inventaram um novo termo, a 'responsabilidade objetiva', em que um inocente é culpado. Tenho fé na justiça e vamos recorrer", reclamou Carlos Augusto Montenegro, vice de futebol do Botafogo.

Como o centroavante está afastado desde o dia 9 de julho - data em que foi confirmado o doping -, Dodô já cumpriu 15 dias da pena. Se o advogado do clube não conseguir a redução, o jogador só poderá voltar aos gramados no mês de novembro.

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