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07/08/2007 - 12h54

Richarlyson levanta bandeira contra preconceito e promete brigar

Leandro Canônico
Em São Paulo
Richarlyson decretou guerra contra o preconceito nesta terça-feira. Ao saber que o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal de São Paulo, terá 15 dias para explicar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) os porquês de ter arquivado o processo do jogador contra o dirigente do Palmeiras José Cyrillo e de ter usado de justificativas preconceituosas para tal, o são-paulino foi taxativo em sua opinião.

A revolta de Richarlyson contra qualquer tipo de preconceito foi reforçada por um trabalho que fez na faculdade de Educação Física que ainda cursa. A pesquisa apresentada e premiada com um 10, segundo o jogador, foi sobre etnocentrismo.

"Eu pesquisei muito para fazer esse trabalho da matéria Homem e Sociedade e fiquei sabendo de muitas coisas que acontecem no Brasil em termos de preconceito. E isso me ensinou a não aceitar esse tipo de coisa", disse.
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"Agora o pepino foi para ele. Todo mundo se espantou com as declarações do juiz, porque ele é uma pessoa que está lá para julgar dentro da lei um caso de preconceito. Agora é ele quem vai ter de lidar com a Justiça também. Muitas pessoas não iriam adiante com isso, mas eu acho que tenho a obrigação de lutar contra o preconceito, seja de raça, orientação sexual ou de crença", discursou Richarlyson.

Essa polêmica toda começou quando o dirigente palmeirense insinuou em programa de televisão na Rede Record que Richarlyson é homossexual. Prontamente, o advogado do jogador entrou com uma ação contra o cartola. Na semana passada, porém, o juiz Junqueira Filho arquivou o processo e ainda disse no tribunal que "futebol é jogo viril, varonil, não homossexual" e outras frases "homofóbicas".

"O juiz assustou toda uma sociedade que luta contra o preconceito. As pessoas têm de parar de se preocupar com o modo de vida das pessoas, com a raça e com as crenças. Se uma pessoa vive de uma maneira é porque ela é feliz assim. Temos de parar com isso no Brasil, cada um tem de cuidar da sua própria vida", emendou o jogador do São Paulo, que deve ser titular contra o Botafogo nesta quarta-feira.

Tranqüilo e bem preparado para comentar o assunto publicamente, Richarlyson agradeceu o apoio que recebeu do São Paulo e de todos os colegas de profissão nesse momento difícil, mas em especial valorizou a sua família.

"Eu recebi o apoio de todo mundo no São Paulo e também de jogadores de outros times que me encontram em campo. Mas a minha família, que sofreu bem mais do que eu nesse caso, é insubstituível. Família que eu digo é o meu pai [Lela Careta, ex-Coritiba], minha mãe e meu irmão [Alecsandro, do Cruzeiro]", disse o atleta.

Depois de retratação do juiz Junqueira Filho ao CNJ, Richarlyson pretende continuar seu processo contra o cartola palmeirense. Isso se a Justiça decidir que o caso voltará a ser julgado. "Eu vou continuar defendendo os meus direitos. Não é apenas um pronunciamento na televisão que vai mudar isso", finalizou o jogador.

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