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08/11/2008 - 20h25

São Paulo mostra eficiência, vence "em casa" e ratifica liderança

Guilherme Costa
Em São Paulo
A despeito de o Canindé ser a casa da Portuguesa, a festa foi da torcida do São Paulo. Maioria no estádio rival, os adeptos tricolores chegaram a ficar em silêncio no segundo tempo, quando os anfitriões empataram. Contudo, um gol de Borges restabeleceu a euforia, garantiu a vitória por 3 a 2 e manteve a equipe do Morumbi na liderança do Campeonato Brasileiro.

Único dos cinco primeiros colocados a atuar neste sábado, o São Paulo atingiu 65 pontos ganhos em 34 rodadas do Campeonato Brasileiro. Assim, manteve pela segunda rodada consecutiva a liderança que havia atingido pela primeira vez no último domingo.

"O time perdeu a concentração em alguns momentos e permitiu que a Portuguesa crescesse. Mas trabalhamos muito, fizemos três gols em bolas forçadas e conseguimos uma vitória muito importante para as nossas pretensões", analisou o goleiro Rogério Ceni.

A consolidação do São Paulo no topo do Campeonato Brasileiro ignorou até a fase positiva da Portuguesa. A equipe do Canindé estava invicta havia cinco rodadas, mas ficou estagnada nos 36 pontos e perdeu a chance de se distanciar da zona de rebaixamento - ocupa atualmente a 18ª posição da tabela.

A Portuguesa ainda ostentava aproveitamento positivo contra os times que ocupam as primeiras posições da tabela. Entre os postulantes ao título, o São Paulo foi o primeiro a conseguir 100% de aproveitamento contra a equipe do Canindé.

Esse resultado positivo do São Paulo criou um clima de festa depois do apito final de Wilson Luiz Seneme. A torcida da Portuguesa saiu calada de seu estádio, cabisbaixa. Enquanto isso, do outro lado, são-paulinos festejavam de forma efusiva, entre gritos com o nome do clube, de Rogério Ceni e do técnico Muricy Ramalho. O público que estava na arquibancada atrás do gol só começou a deixar o Canindé cerca de dez minutos depois do término do confronto.

PRINCIPAIS LANCES
Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Autor dos três gols do São Paulo no jogo, Borges chegou a 12 no Brasileiro de 2008.
PRIMEIRO TEMPO
8min - GOOOLLL DO SÃO PAULO!!! BORGES!!! Jorge Wagner cobra falta da direita para a área da Portuguesa. Atrapalhado por Borges, Gottardi solta a bola nos pés do atacante do São Paulo, que só tem o trabalho de empurrar para as redes.
12min - Borges puxe contra-ataque em velocidade, carrega a bola e chuta cruzado da direita. A conclusão passa perto da trave direita de Gottardi.
26min - Edno cobra falta da esquerda, com muita força, e obriga Rogério Ceni a espalmar no meio do gol.
38min - Hernanes rouba bola de Hallisson na esquerda, arranca, pedala e toca para o meio. Borges se antecipa a Bruno Rodrigo, domina e chuta de pé esquerdo, mas manda por cima.
42min - GOOOLLL DA PORTUGUESA!!! JONAS!!! Jonas recebe passe na meia-lua da grande área, dribla um marcador para o pé esquerdo e finaliza colocado, no canto direito baixo de Rogério Ceni.
46min - GOOOLLL DO SÃO PAULO!!! BORGES!!! Borges toca da esquerda para o meio e encontra Dagoberto, que devolve a bola para o camisa 17, que finaliza de pé esquerdo para vencer Gottardi novamente.
SEGUNDO TEMPO
10min - Portuguesa volta com mais posse de bola e domina o jogo, sobretudo pela esquerda. Athirson joga livre.
15min - São Paulo toca a bola lateralmente, tentando diminuir o ritmo do jogo. Hernanes atua mais adiantado do que no primeiro tempo.
27min - GOOOLLL DA PORTUGUESA!!! JONAS!!! Heverton faz jogada individual pela direita, leva a bola à linha de fundo e cruza. Com liberdade, Jonas desvia de cabeça para as redes.
37min - Edno bate falta da meia-esquerda, com força, mas manda por cima do gol de Rogério Ceni.
42min - GOOOLLL DO SÃO PAULO!!! BORGES!!! Zé Luis aproveita escanteio cobrado da esquerda e desvia de cabeça. Depois de a bola passar por Gottardi, Borges empurra para as redes.
47min - Edno recebe com liberdade, dribla Rogério Ceni para a esquerda e toca por cobertura. A bola explode no travessão e André Dias afasta no rebote.
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"Acho que isso é um reconhecimento importante. A torcida grita o meu nome porque sabe que eu nunca entrei em campo pensando em perder um jogo. Você perde porque isso é coisa do futebol, mas nós sempre trabalhamos e buscamos o melhor", comemorou o técnico Muricy Ramalho.

A festa da torcida do São Paulo começou cedo neste sábado. Os adeptos da equipe tricolor não esperaram sequer a bola rolar para criar enorme furor no Canindé. O clima favorável aos visitantes ganhou força quando a bola rolou e a equipe deles teve controle das ações.

Sem poder contar com o meia Hugo, suspenso, Muricy Ramalho plantou Zé Luis, liberou os volantes Jean e Hernanes e utilizou demais os alas Joilson e Jorge Wagner na saída de bola. O jogo do São Paulo pelas laterais ganhou força pela ausência de um especialista na direita da Portuguesa, que não pôde escalar Patrício. Estevam Soares apostou em um revezamento entre Gavilán e Preto no setor, mas ofereceu espaço para os adversários utilizarem essa faixa do gramado.

Com muitas descidas pelas alas, o São Paulo começou a ser parado com faltas. Foram cinco infrações laterais nos dez primeiros minutos, e Borges aproveitou uma delas, cobrada por Jorge Wagner, para abrir o placar no Canindé. Gottardi foi atrapalhado por pelo atacante aos 8min e não conseguiu cortar um cruzamento da direita. Ao contrário, ofereceu a bola ao jogador tricolor, que só teve o trabalho de empurrar para as redes, aumentando a festa dos visitantes.

O gol no início possibilitou ao São Paulo aproveitar outra característica de seu meio-campo. Sem um meia, o time tricolor conseguiu recuar a linha de marcação e acelerar a transição entre defesa e ataque. Sazonalmente, um dos homens do setor - sobretudo Hernanes - apertava a saída de bola da Portuguesa, que tinha muita dificuldade para alimentar seus armadores até esse momento.

O problema é que essa mudança de postura da linha de marcação do São Paulo deu espaço à Portuguesa. Preto começou a participar mais do jogo, e com isso obrigou Zé Luis a se movimentar para o lado do campo. Jonas aproveitou que os volantes tricolores atuavam abertos, recebeu passe no meio e empatou o jogo aos 42min.

Contudo, se o São Paulo não era brilhante ou não dominava amplamente a partida, os visitantes contavam com Borges. Antes do intervalo, ele tabelou com Dagoberto, aproveitou o buraco criado pela ausência de um lateral-direito na Portuguesa, invadiu a área e chutou forte para vencer Gottardi novamente.

"Cometemos dois erros no primeiro tempo, e isso é decisivo contra uma equipe que tem a qualidade do São Paulo. Vacilamos na marcação e eles saíram na frente", avaliou o atacante rubro-verde Edno.

Os espaços deixados pela ausência de um lateral no primeiro tempo fizeram Estevam Soares colocar Wilton Goiano, que é da posição, durante o intervalo. A presença do jogador modificou a postura da Portuguesa, que passou a ter mais posse de bola e cresceu no duelo.

Animado com o domínio no segundo tempo, Estevam jogou sua equipe ainda mais para cima. Para isso, tirou o zagueiro Halisson, montou uma linha de quatro defensores e colocou em campo o meia Heverton. Atuando às costas de Jorge Wagner, ele conseguiu o que a equipe rubro-verde não fez em todo a etapa inicial, usou o espaço deixado pelo ala e cruzou para Jonas empatar novamente a partida aos 27min.

O gol fez a festa no Canindé trocar de lado. Nos minutos que se seguiram ao lance de Jonas, os são-paulinos ameaçaram apenas gritos tímidos e acompanharam grande euforia no lado da Portuguesa. A liderança e a noite de brilho estavam comprometidas.

ANÁLISE DO JUCA
Crédito
" Quem segura o quase hexacampeão?"
BLOG DO JUCA KFOURI
Entretanto, o São Paulo era mais eficiente. Foi assim que, aos 42min, o time visitante chegou à vitória. Mais uma vez, o gol nasceu em um cruzamento lateral. Zé Luis desviou de cabeça após escanteio batido por Dagoberto, e Borges ainda encostou na bola antes de ela cruzar a linha.

"Não vou dizer que tenha sido um resultado injusto no futebol, porque nós perdemos muitos gols e erramos na defesa. Quando você falha tanto, não pode reclamar do placar. Mas é claro que nós mostramos no segundo tempo que merecíamos coisa melhor", reclamou o treinador Estevam Soares.

PORTUGUESA
Gottardi; Halisson (Heverton), Bruno Rodrigo e Érick; Preto, Gavilán (Wilton Goiano), Rai, Fellype Gabriel (Aderaldo) e Athirson; Edno e Jonas
Técnico: Estevam Soares

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Rodrigo, André Dias e Miranda; Joilson (Éder Luís), Zé Luis, Jean, Hernanes e Jorge Wagner; Dagoberto (Richarlyson) e Borges
Técnico: Muricy Ramalho

Local: estádio do Canindé, em São Paulo (SP)
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (SP)
Auxiliares: Ednilson Corona e Emerson Augusto de Carvalho (ambos Fifa-SP)
Público: 19.744 torcedores
Renda: R$ 507.680,00
Cartões amarelos: Bruno Rodrigo (P), Gavilán (P), Jonas (P), André Dias (SP), Wilton Goiano (P), Heverton (P)
Gols: Borges, aos 8min e aos 46min; Jonas, aos 42min do primeiro tempo; Jonas, aos 27min; Borges, aos 42min do segundo tempo

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