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Escobar foi assassinado em Medellín após o Mundial de 1994

Escobar foi assassinado em Medellín após o Mundial de 1994

02/07/2009 - 07h00

Morte de colombiano após gol contra na Copa do Mundo completa 15 anos

Luiz Gabriel Ribeiro
Em São Paulo
Um lance que marcou o futebol da Colômbia, dentro e fora de campo. Um gol contra que custou uma vida. Há exatos 15 anos, Andrés Escobar era assassinado em frente a uma discoteca na cidade de Medellín por Humberto Muñoz Castro. O zagueiro foi o grande protagonista da derrota para os Estados Unidos na Copa do Mundo de 1994 - por 2 a 1. O resultado contribuiu para a queda ainda na primeira fase da seleção sul-americana, considerada por muitos como uma das mais fortes candidatas ao título do torneio.

A TRAGÉDIA DE ANDRÉS ESCOBAR
AFP
Andrés Escobar em ação durante jogo com Estados Unidos pela Copa do Mundo de 94
Reprodução
Zagueiro tenta cortar lançamento e coloca a bola no fundo do gol de Oscar Cordoba
Reuters
Escobar lamenta gol contra, que contribuiu para a eliminação precoce da Colômbia
MAIS SOBRE VIOLÊNCIA NO FUTEBOL
AUTORIDADES PEDEM 'EMERGÊNCIA'
TORCIDA ÚNICA DIVIDE AS OPINIÕES
Em uma cidade cercada pela violência nos anos 90, teorias não faltam para explicar a tragédia com o zagueiro, que estava em férias após a campanha mal-sucedida de sua seleção nos EUA. Nenhuma delas foi comprovada pela Justiça colombiana durante o processo sobre o crime, que resultou na condenação de Muñoz Castro a 43 anos de prisão. A tese mais defendida é a que fala sobre um assassinato premeditado, a mando daqueles que perderam dinheiro de apostas com o resultado da Copa.

A segunda explicação sustentada é a de que o assassinato teria sido resultado de um bate-boca sobre futebol na porta da discoteca durante a madrugada. A outra ressalta a teoria de que Escobar foi morto por pessoas ligadas ao narcotráfico, já que o homem que o matou com 12 tiros era guarda-costas e motorista de dois condenados por tráfico de drogas na Colômbia.

Contemporâneo de El Caballero, como era conhecido Escobar na Colômbia, Freddy Rincón admite, em entrevista ao UOL Esporte, que era perigoso ficar em Medellín após o fracasso da seleção na Copa. "A cidade passava por uma situação difícil. Era complicado se sentir à vontade lá naquela época", lembra o ex-jogador.

De acordo com o filme "Escobar's Own Goal" (O gol contra de Escobar), que conta a história trágica do zagueiro, outras 39 pessoas foram assassinadas em Medellín na noite em que zagueiro morreu. Apesar da repercussão que o caso teve no país e no mundo, Muñoz Castro foi solto por "boa conduta" após 11 anos na cadeia. A decisão revoltou a sociedade colombiana e o pai de Andrés Escobar.

"Recebo essa notícia com indignação, com nojo de ver o que é a Justiça colombiana. Não é possível que um sujeito que cometa esse crime e seja condenado a mais de 40 anos de prisão fique livre somente após 11 anos", criticou Darío Escobar depois da libertação do assassino, em 2005. "A cidadania deve estar enterrada. Se esse sujeito tivesse assassinado Andrés nos Estados Unidos, já estaria na cadeira elétrica".

Nos dias seguintes ao crime, outros jogadores que defenderam a Colômbia na Copa do Mundo tiveram que receber escolta. A polícia temia que pudesse ocorrer o mesmo com mais atletas. "É uma coisa que nunca iremos esquecer. Não tenho lembranças nada boas daquele momento, porque causou a todos uma indignação muito grande. Ninguém esperava que algo daquele tamanho pudesse acontecer", revela Rincón, que estava em Medellín e foi um dos primeiros a receber a notícia da morte de Escobar.

O agora treinador do São José-SP destaca ainda que a decepção do povo colombiano com a campanha de seu país no Mundial foi "muito grande", já que a Colômbia chegou ao Mundial de 1994 com uma equipe potente. Com jogadores como Valderrama, Alvarez, Asprilla, Rincón e El Tren Valencia, os torcedores viam uma boa oportunidade para conquistar a melhor campanha da seleção na história da competição.

Entretanto, a Colômbia e a excelente campanha nas eliminatórias - com direito a uma histórica goleada sobre a Argentina por 5 a 0 em Buenos Aires - ruíram. A equipe comandada por Francisco Maturana terminou a primeira fase na última colocação em um grupo que reunia Romênia, Suíça e Estados Unidos.

A revolta pela má campanha pode ter causado a tragédia, opina Rincón. "A expectativa era alta. E a decepção foi tão grande quanto. O que tiro de conclusão de tudo isso é que nós não estávamos prontos para ter o favoritismo em uma Copa do Mundo, nem os jogadores e nem o nosso povo", reflete.

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