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REUTERS/Jorge Silva

Vander Carioca celebra gol pela seleção brasileira de futsal em 2000

28/04/2010 - 07h01

Após 'confusão', Vander celebra estar com família e sonha com seleção

Renan Prates
Em Foz do Iguaçu *

Após nove anos na Europa, o pivô Vander Carioca voltou neste ano para o futsal brasileiro para disputar a Liga pelo Poker/PEC. O jogador acertou com o time de Petrópolis depois de um episódio conturbado com a Malwee Jaraguá.

VANDER ALMEJA O MUNDIAL DE 2012

  • AP Photo/Moises Castillo

    Ausente da seleção brasileira no Mundial de 2008, Vander Carioca quer disputar a Copa do Mundo de 2012. "Vou chegar no Mundial com 36 anos e acho que disputaria sim se não tiver lesão, pois isso é que dificulta um jogador da nossa idade. Respeito os jogadores que estão na seleção hoje, são jovens e bons, mas se o Pipoca quiser eu estou aí".

“Eu tive um problema de acerto com a Malwee. Nós não chegamos num acordo. Depois de nove anos vi que precisava ficar um pouco em casa, já que Petrópolis fica a 50min do Rio”.

Na entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Vander Carioca falou sobre as expectativas para o retorno às quadras do Brasil, sobre as metas para a Liga Futsal 2010 e do desejo de disputar mais um Mundial pela seleção brasileira, após duas eliminações para a Espanha em 2000 e 2004.

UOL Esporte: Você que voltou do Brasil depois de tanto tempo, como é que está sendo esse contato com os jogadores da Liga Futsal novamente?
Vander Carioca: Estou feliz, até porque na minha época não era essa festa toda. Estou feliz em voltar, rever antigos amigos e fazer novos depois de nove anos fora. A expectativa é grande, já que nessa liga o nível está muito alto e o Petrópolis também fez um investimento alto. Dos últimos anos eu acho que é o grupo mais forte que ele monta. Quero chegar o mais longe possível e trabalhar bastante para que volte bem ao Brasil.

UOL Esporte: Você ia para a Malwee e acabou não indo. O que aconteceu na verdade?
Vander Carioca:
Eu tive um problema de acerto com a Malwee. Nós não chegamos num acordo. Depois de nove anos vi que precisava ficar um pouco em casa, já que Petrópolis fica a 50min do Rio. A Malwee é uma grande, equipe sem dúvida nenhuma. Uma das favoritas a conquistar o título da Liga. Mas eu precisava ficar um pouco em casa, o que pesou um pouco na minha decisão. Não sei o dia de amanhã, daqui a pouco eu posso jogar na Malwee. Não tenho nada contra eles, saí de portas abertas.

UOL Esporte: Você acha que a sua chegada vai servir para dar uma aquecida no futsal do Rio, que andava meio esquecido?
Vander Carioca: Acho que sim. Até porque a Federação Carioca está tentando se reestruturar depois de um longo tempo. O futsal carioca tem bastante tradição e vários títulos importantes, e eu espero que consiga com a minha volta que outras equipes também invistam no futsal. Espero que o esporte no Rio novamente esteja disputando títulos nacionais importantes e botando jogadores na seleção brasileira.

ELOGIOS AO FUTSAL RUSSO

O futsal russo está muito competitivo e tem uma estrutura muito grande. Os clubes pagam em dia e tem bicho

O jogador ficou cinco anos na Rússia

UOL Esporte: Você chega aqui no Brasil com metas? Pensando em artilharia, títulos? Acha que o Petrópolis vem para fazer bonito na Liga?
Vander Carioca:
Cara, vou te ser sincero. Nos últimos anos acho que é o elenco mais forte que o Petrópolis monta, mas a Liga é muito forte, o nível é muito alto. Nosso objetivo é ficar entre os quatro. Às vezes as pessoas podem falar que a gente está sonhando alto. Não, nós estamos trabalhando bastante, o time é bom. Meta não, eu quero chegar o mais longe possível com o Petrópolis. Claro que tenho que fazer gols para que o Petrópolis chegue mais longe, mas meta individual não. Eu vou é trabalhar bastante. Quero também retornar para a seleção brasileira. Eu estando mais próximo do Brasil acho que isso facilita a dar continuidade ao meu trabalho. Estou com 33 anos, mas acho que ainda posso jogar mais dois ou três em alto nível. Agora é rezar para que não tenha lesões, porque nessa idade dificulta a recuperação. Estou muito feliz em voltar, o que vai me ajudar bastante. Acho que nesse processo eu preciso só ter tranquilidade para trabalhar porque de resto vai dar tudo certo.

UOL Esporte: O Falcão e o Lenísio chegaram a falar que não jogariam mais na seleção no Mundial de 2012, mas voltaram atrás. E você, cogita a ideia?
Vander Carioca:
Vou chegar no Mundial com 36 anos e acho que disputaria sim se não tiver lesão, pois isso é que dificulta um jogador da nossa idade. Respeitando os jogadores que estão na seleção hoje, são jovens e bons, mas se o Pipoca quiser eu estou aí. A minha intenção é parar de jogar só no final de 2012 ou 2013, justamente para tentar pegar uma brecha para esse Mundial. Eu vou sonhar com isso, que vai alimentar um pouco o dia a dia de trabalho.

REVITALIZAR FUTSAL DO RIO

O futsal carioca tem bastante tradição e vários títulos importantes, e eu espero que consiga com a minha volta que outras equipes também invistam no futsal

Vander defende as cores do Petrópolis-RJ

UOL Esporte: E o futsal russo, como evoluiu depois da sua chegada?
Vander Carioca:
Fiquei nove anos fora do Brasil, sendo cinco na Rússia, três na Itália e um na Espanha. Eu já sabia do potencial da Rússia, até alertei os jogadores brasileiros que seria um jogo muito difícil contra eles tendo em vista que os dois últimos campeões europeus são russos. Naquela época do Mundial eram dois os atletas brasileiros naturalizados, hoje são quatro. Eles cresceram bastante. O futsal russo está muito competitivo e tem uma estrutura muito grande. Os clubes pagam em dia e tem bicho. Sem dúvida nenhuma no Mundial de 2012 a Rússia vai chegar muito mais forte do que em 2008. Acredito até que brigando por titulo.

UOL Esporte: Pelo que você já pode observar, a Liga Futsal fica ainda atrás dos principais campeonatos do mundo?
Vander Carioca:
Não fica. Sem dúvida a liga espanhola é muito forte, o marketing deles é muito forte. Mas acho que o Brasil não perde nada para eles por ter uma qualidade impressionante. Sem dúvida nenhuma o país está se estruturando. A liga está hoje muito mais vista por nós com as televisões dando apoio, então não deve nada não. A cada ano estamos melhorando. Hoje em dia a nossa liga é uma das mais fortes do mundo.

* O repórter viajou a convite da organização do evento

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