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Brasileiro viveu na Sibéria e "virou" Petr Cech após pancadas na cabeça

Alex Caparros - FIFA/FIFA via Getty Images
Gustavo Paradeda disputa o seu segundo Mundial com a camisa da Rússia Imagem: Alex Caparros - FIFA/FIFA via Getty Images

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

24/09/2016 06h00Atualizada em 25/09/2016 07h56

Gustavo Paradeda tinha 24 anos em 2004 quando deixou o Brasil pela primeira vez na carreira para defender o Kairat, equipe do Cazaquistão. Mal sabia ele que a partir dali sua vida mudaria por completo. O gaúcho de Pelotas se casou com uma cazaque, morou na Sibéria, se naturalizou russo e ganhou o apelido de "Petr Cech" pelo jeito que começou a entrar em quadra após levar duas sérias pancadas na cabeça.

Na Copa do Mundo de Futsal da Colômbia é um dos principais destaques da seleção russa que está na semifinal após golear a poderosa Espanha por 6 a 2 na noite de sábado. Este é o segundo Mundial que Gustavo disputa pela Rússia, nação que adotou em 2010, um ano após chegar ao Sibiryak Novosibirsk, clube da Sibéria.

"Fiquei cinco anos no Cazaquistão e me casei lá. Recebi uma proposta para atuar na Rússia, que sempre foi um objetivo meu. Logo no meu segundo ano lá surgiu a possibilidade de me naturalizar e minha esposa foi fundamental neste processo. Existe uma lei que toda pessoa nascida em uma ex-nação da União Soviética pode abrir mão de seu passaporte e escolher a cidadania russa. Ela topou. Consequentemente, nossos filhos viraram russos também e isso agilizou o meu processo", contou Gustavo ao UOL Esporte.
 
Hoje, o brasileiro vive em Moscou e defende o Dínamo. Na capital sofre bem menos com o frio do que quando vivia em Novosibirsk. Lá pegou invernos rigorosos, que o assustaram bastante.
 
"O primeiro ano lá foi bem feio. Sem brincadeira, nos quatro primeiros meses a temperatura ficava direto entre -25 e -35 graus. Falaram na época que era o inverno mais rigoroso em anos. Como meus filhos ainda eram bem pequenos, eu praticamente não saía na rua. Ficava direto em casa. Aí a calefação ajudava bastante" disse Gustavo.
 
Nestes sete anos em que está vivendo na Rússia, o brasileiro também já levou sustos dentro da quadra. Em ambas as oportunidades, levou golpes na cabeça e acabou parando no hospital. Por isso mesmo, até hoje atua com o capacete que faz com que seja comparado com Petr Cech.
 
A primeira lesão sofrida por Gustavo aconteceu em 2012, poucos meses antes do Mundial da Tailândia. Durante partida do Campeonato Russo, bateu fortemente com a cabeça no chão e precisou passar 20 dias no hospital. Por pouco, não ficou fora da competição internacional.
 
"Eu bati a cabeça, desacordei. No hospital, ficou constatado que eu tinha sofrido uma fratura no osso central do crânio. Fiquei 20 dias internado. Quando voltei a jogar, três meses depois, os médicos me recomendaram que eu usasse o capacete por pelo menos seis meses por precaução e para não ter uma nova lesão. Depois disso, seria tranquilo", disse.
 
Mas. em 2013, ele voltou a se acidente durante uma partida e foi internado. Desta vez, nenhuma fratura no crânio foi detectada e a internação durou apenas uma semana.
 
"Depois disso, eu conversei com minha família e com meus pais e eles me pediram para jogar de capacete sempre. Pretendo usar até o fim da minha carreira. É uma proteção que não atrapalha em nada. Já me acostumei", completou.
 
Sobre as comparações com Petr Cech, Gustavo é bem modesto: "A brincadeira começou no outro Mundial e segue até hoje. Como sempre falo, tomara que a comparação seja não só pelo capacete! É também pelo goleiro que ele é", disse.

 

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