UOL Esporte Ginástica
 
10/04/2010 - 09h16

Diego Hypolito vê disputa de etapa de Copa do Mundo como 'fardo'

Do UOL Esporte
Em São Paulo

DINHEIRO DE NITERÓI FAZ GINASTA SER QUESTIONADO

Uma cobrança equivocada tem irritado Diego Hypolito. Em 2009, quando o atleta viu o Fla decretar o fim da ginástica, a Prefeitura de Niterói se propôs a socorrer ginastas e técnicos, com salários de R$ 80 mil por mês a Diego e Jade Barbosa. A condição era criar um instituto, com escola de ginástica, para o qual iria a verba.

Apesar de não ter criado a instituição e ter aberto mão da ajuda quando lhe foi sugerido que cuidasse dos encargos trabalhistas dos profissionais da ginástica do Flamengo, Diego diz que vem sendo acusado de ter recebido o dinheiro sem dar contrapartida à cidade, que sofre com os estragos feitos pelas chuvas e registra 132 mortos.

"Muita gente, até jornalistas, me questiona sobre essa verba, que não recebi. Nunca peguei dinheiro de Niterói." Enquanto Jade espera desde novembro resposta da cidade após ter criado o instituto, Diego não pode mais ter verba de Niterói. Sua inclusão no Time Rio, no qual terá ajuda da Prefeitura do Rio em parceria com o COB, o impede de ter vencimento de outro órgão municipal.

Ir a uma etapa da Copa do Mundo de ginástica artística já não dá mais prazer a Diego Hypolito. Brasileiro com mais medalhas no torneio (26) e maior detentor de títulos nesta década na Copa (é tetracampeão no solo), o ginasta brasileiro diz que a competição neste momento é um fardo em sua carreira.

A revelação ocorre no momento em que Diego é o principal nome da delegação de seis ginastas que busca dar ao Brasil os primeiros pódios neste ano no circuito mundial, a partir de hoje, em Paris, local da quarta das 13 etapas da Copa-2010.

"O problema, na Copa, é que todos pensam: "Se o Diego ganha, não fez mais que a obrigação. Mas, se perde, é o maior fracasso". Eu não busco nada na Copa, não neste ano, pois só se valoriza Mundial e Olimpíada", diz Diego em entrevista à Folha S. Paulo. Apesar de as etapas serem quase um Mundialito, elas hoje atrapalham seus planos.

"Hoje, sou o número um do solo, não tenho dúvidas disso se eu acertar a minha série. Mas tenho que pensar no Mundial [de Roterdã, em outubro], por isso tenho trabalhado os seis aparelhos no treino", diz Diego, que foi à última Olimpíada por meio do individual geral (soma de todas as provas).

O ginasta e seu treinador, Renato Araújo, estão certos de que a presença em eventos como o de hoje em Paris, quando Diego atuará no solo e no salto, prejudica a evolução do atleta nos outros aparelhos. "Perco duas semanas, pois tenho que focar as provas em que vou competir, lidar com fuso horário. Após esta etapa, pedirei para ficar de fora das próximas."

Nem as premiações atraem mais o ginasta. "Todos questionam por que atuei nos Jogos Sul-Americanos em Medellín [no mês passado, quando obteve três ouros], mas fiquei numa vila olímpica, tive contatos com outros atletas, vivi clima de competição diferente, como numa Olimpíada. Na Copa, que é muito mais difícil, a gente fica em hotel, não é a mesma coisa."

Ele confia que o Brasil já dispõe de atletas para representá- -lo. "Tem o Arthur Zanetti, que, se acertar na argola, ganha medalha. Não é só mais o Diego." Como motivação, Diego, de 23 anos, pode exibir novidades no salto e no solo. E tentar romper o jejum em Paris, onde já atuou pela Copa e não foi ao pódio. Além dele e de Zanetti, o Brasil terá Bruna Leal, Priscila Cobello, Vitor Rosa e Sérgio Sasaki.

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