Esporte

Ginasta diz que federação americana pediu silêncio sobre abusos de médico

Bruce Bennett/Getty Images
Imagem: Bruce Bennett/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

17/01/2018 11h00

Uma das primeiras mulheres a denunciar o médico Larry Nassar por abuso sexual, a ginasta Aly Raisman acusou a federação americana do esporte (USA Gymnastics) de ter pedido seu silêncio quando reportou o caso para a direção da entidade.

Para a ginasta, que conquistou seis medalhas olímpicas, a postura não é condizente com o esperado de uma federação, mesmo que ela tivesse alegado que estava apurando internamento o caso.

“Foi dito (pela Federação de ginástica) para eu ficar quieta. E eu penso que quando alguém no poder está te dizendo para ficar quieta, logo quando você percebe que está sendo abusada, acredito que é uma ameaça, especialmente quando a primeira preocupação deveria ser a garantia de que estava bem, ter informações sobre mim e ver se outras colegas também foram abusadas”, disse, em entrevista à "ESPN".

“A Federação só disse 'Nós estamos cuidando disso. Pare de fazer perguntas e não fale sobre isso porque vai atrapalhar a nossa investigação'. Eu não queria atrapalhar nada. Depois descobri que eles [a Federação] não reportaram da forma como deveriam”, completou.

Na última terça-feira começou nos Estados Unidos mais um julgamento por casos de abuso sexual do ex-médico ligado à federação. Ele já foi condenado em dezembro a 60 anos de prisão por posse de pornografia infantil e agora é julgado por ter molestado sete meninas, sendo três delas menores de idade.

Na lista de denúncias contra Nassar, já são 140 mulheres que admitem terem sofrido abusos do médico, incluindo atletas da seleção americana de ginástica, como a estrela Simone Biles, que conquistou cinco medalhas na Olimpíada do Rio de Janeiro.

Para Aly Raisman, desde o início a federação se preocupou com a reputação. “A maior prioridade deles, desde e o começo e até agora, é a reputação da entidade, as medalhas que ganham e o dinheiro que fazem com a gente. Não acho que se preocupam. Caso contrário, no momento em que perceberam que eu fui abusada, teriam me perguntado se precisava de terapia, se eu estava bem e o que poderiam fazer por mim”, disse.

“Deveriam ter feito uma grande mudança. Em vez disso eles permitiram que Larry Nassar continuasse trabalhando com jovens meninas em Michigan e molestando ginastas por muito tempo. Não sei como conseguem dormir à noite. Eu estou furiosa que, depois de saber que éramos molestadas, eles deixaram que isso acontecesse com outras ginastas enquanto diziam que uma investigação estava acontecendo. Disseram para eu ficar quieta. Achei que estavam fazendo a coisa certa e não quis atrapalhar. Confiei neles e não devia ter feito isso”, completou.

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